Quarta, 01 de julho de 2026, 00:28h
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Quando Christopher Nolan surgiu no meio cinematográfico, foi visto por diversos expectadores e críticos como uma das grandes promessas da sétima arte, sobretudo por sua sede de inovação, sede essa que pode ser notada em filmes como Amnésia (2002) e em O Cavaleiro das Trevas, provavelmente o mais complexo dos filmes sobre Batman. Seu mais recente lançamento, Interestelar, não foge a regra, e procura, através de sua narrativa, criar uma trama intrincada relacionada, em uma análise superficial, sobre o espaço tempo.
Na obra, Cooper (vivido por um Matthew McCounaughey em ótima fase) é um fazendeiro, que no passado foi astronauta, vivendo em um mundo cada vez mais devastado e com problemas de produção de alimentos para a população. Eis então que surge a oportunidade de participar de uma experiência única, que poderia ser capaz de salvar a humanidade: viajar no espaço e entrar em um buraco de minhoca (característica topológica hipotética do continumm espaço tempo que serviria de atalho através do espaço tempo) até chegar em uma outra galáxia, com possíveis planetas habitáveis.
O problema é que ao entrar no buraco, o tempo para os astronautas passará diferente que o tempo dos que permanecem na terra, fazendo com que Cooper corra o risco de voltar anos depois e estar com a mesma idade da filha que deixou.
Embora em essência Interestelar seja um filme de ficção científica, em uma análise mais profunda, Nolan deseja falar sobre o amor, e, em uma metáfora, o quanto ele é atemporal. E é exatamente nesse desejo que o filme se perde. Ao tentar levantar questões filosóficas aos seres humanos, Nolan demonstra indulgência diante de seus personagens, e escorrega nos discursos vazios e óbvios, além das infindáveis explicações desnecessárias (problema que já existia em A Origem, seu filme anterior), que apenas subjulgam a inteligência do expectador.
Obviamente, o filme tem suas qualidades, e não são poucas. Tem um elenco de estrelas bastante talentosas, trilha sonora do sempre inspirado Hans Zimmer e efeitos visuais da melhor qualidade. Como filme pipoca, blockbuster descompromissado, funciona de forma quase perfeita. Prende a atenção de quem está assistindo em quase três horas que quase nunca se tornam cansativas, e apresenta sequências de tirar o fôlego.
No entanto, quando deixa de se assumir como blockbuster e tenta emular Stanley Kubrick em 2001: Uma Odisséia no Espaço (1969), todas as falhas de ritmo e estrutura narrativa do diretor saltam a vista. No final das contas, Interestelar é entretenimento da melhor qualidade, um épico sobre o espaço que se perde em seu próprio buraco de minhoca de pretensão.
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