Ter�a, 30 de junho de 2026, 22:06h
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Diretor executivo da ONG, Cláudio Bittencourt, mostra o espaço onde os materiais ficam guardados
ONG reutiliza aparelhos eletrônicos, evitando que estes materiais sejam descartados de forma incorreta
Em uma época onde, cada vez mais, se fala sobre a importância da reciclagem, e onde reaproveitar materiais pode ser a melhor escolha para evitar a poluição do meio ambiente, um tipo de lixo ainda se mostra uma incógnita para a população: o lixo eletrônico. Como descartar esse tipo de material? O que fazer com televisores velhos e computadores que já não funcionam, além de pilhas, notebooks e etc?
Pensando nesse problema e tentando dar uma solução prática para os moradores não só de Pelotas, como da Região Sul, uma ONG tem chamado atenção por promover a reciclagem do lixo eletrônico através de um trabalho social que auxilia toda a comunidade. O Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento Integral (CEADI) já coletou, no período de um ano, 53 mil toneladas de lixo eletrônico. A proposta se tornou o carro chefe da entidade, que por conta da necessidade, passou a realizar as coletas, que antes eram feitas a cada três meses, três vezes por mês. Somente em novembro, já foram feitas seis campanhas.
No entanto, não é necessário esperar as campanhas de coletas. Quem possuir lixo eletrônico tem a liberdade para procurar a ONG e entregar o material, que é separado por itens. A preferência costuma ser pelos grandes volumes, até mesmo devido ao espaço físico para a reciclagem. Na medida em que são consertados, os equipamentos vão sendo catalogados. “O que não serve é desmontado. Tira-se as peças que ainda poderão ser reutilizadas”, explica o diretor executivo da ONG, Cláudio Bittencourt.
A maior parte dos computadores, televisores, entre outros, que são consertados, acabam indo para instituições e entidades que necessitam, na forma de doações. Em 2014, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), uma associação do bairro Fragata e uma associação de aposentados foram beneficiadas. O objetivo, para 2015, é conseguir aumentar este número de três para dez entidades contempladas com as doações. Como o CEADI não conseguiu receber apoio do poder público para custear as atividades, alguns dos computadores recuperados são vendidos por um preço menor que o encontrado no mercado, o que ajuda a manter a organização e dar continuidade as doações. Bittencourt lembra, porém, que quando percebem que o indivíduo possui baixa renda, ele não precisa pagar pelo equipamento. “Conseguimos fazer a parte social e ambiental”. O diretor também explica que, devido ao fato do Brasil não possuir esse tipo de trabalho, com o lixo eletrônico sendo triturado e enviando para fora do país, a ideia da ONG é conseguir reaproveitar tudo, sempre baseado na lógica da reutilização.
Centro de Referência em Resíduos Eletrônicos
De acordo com Bittencourd, em maio deste ano foi aprovado um projeto, no valor de R$ 250 mil, para a criação de um Centro de Referência em Resíduos Eletrônicos em Pelotas. O Centro possibilitará que a descontaminação dos eletrônicos, lâmpadas e tubos seja feita no próprio município, ao invés de ser enviada para São Paulo, onde esse tipo de lixo é triturado. A cedência da área, de 200m², está sendo negociada com a Prefeitura, que já havia acenado com essa possibilidade através de um terreno localizado na Sanga Funda. A expectativa é de que em aproximadamente quatro meses o Centro já esteja funcionando. “Vamos cobrar das empresas para descontaminar lâmpadas, serviço pelo qual elas hoje pagam entre R$ 0,80 e R$ 2,50, e que no nosso projeto terá custo de R$ 0,60. Pessoas de baixa renda e órgãos públicos não vão pagar. E os patrocinadores poderão fazer uma troca do nosso serviço pelo o que puderem oferecer”, relata.
Educação
A ONG também possui uma parceria com a universidade Anhanguera, onde 14 alunos farão um estágio na entidade, em um projeto de saúde ambiental e saneamento. “Nós vemos nas ruas o esgoto a céu aberto. Mas não temos dados estatísticos. Primeiro eles fazem esse diagnóstico de alguns bairros, e depois fazem uma intervenção. A ideia é dar subsídios tanto para a entidade quanto para políticas públicas”, explica.
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