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24-12-2014

Campanha dos Correios atende pedidos de crianças em vulnerabilidade social


Foto: Alex Pires / JTR Presentes foram entregues pelos padrinhos nas agências do Correio

Papai Noel dos Correios, realizado tradicionalmente em dezembro, permite que sociedade apadrinhe pedidos


Todos os anos, na época do Natal, diversas crianças, no mundo todo, enviam suas cartinhas para o Papai Noel, repletas de sonhos e esperanças. E foi pensando em realizar os sonhos de algumas dessas crianças menos favorecidas pela sociedade, e que muitas vezes não tinham seus desejos atendidos, que os carteiros da empresa dos Correios, há mais de 20 anos, começaram a juntar dinheiro entre si para conseguir satisfazer ao menos, alguns destes pedidos. Foi então que, no ano de 1997, os Correios tornaram esta ação corporativa, e assim nascia a campanha Papai Noel dos Correios, que permite a sociedade apadrinhar cartas de crianças deixadas na entidade. 



Em Pelotas, a agência localizada na rua Tiradentes é o centro da campanha, onde ficam a disposição os pedidos para serem apadrinhados. Na sala, aberta ao público, já se encontram alguns presentes como bicicletas, bolas e bonecas. A cada ano, o número de pessoas que se interessam em participar da campanha parece aumentar. Segundo dados fornecidos pelo coordenador da campanha no município, Luis Carlos Girão, em entrevista ao Jornal Tradição Regional, a meta deste ano é o mesmo número de crianças apadrinhadas em 2013, quando 2.774 foram escolhidas. Este número mostra uma linha crescente, já que em 2012, o número de pedidos atendidos foi de 1.400. Até a tarde do dia 10 de dezembro, já havia 2.499 cartas selecionadas. Esse número, no entando, deveria aumentar, já que mesmo tendo acabado o processo de seleção, ainda tinham cartas a serem contabilizadas. As estatísticas parciais também mostravam que 1.863 cartas já haviam sido adotadas, sendo que na sala dos Correios já havia 499 presentes entregues. 


Segundo Girão, o processo de seleção dá preferências as cartas escritas em escolas, onde os Correios fazem um trabalho, explicando como funciona a campanha. Ao todo, foram 1.896 pedidos de instituições como escolas e creches, enquanto pedidos da sociedade, deixados diretamente na agência, foram 603. O motivo da escolha, explica o coordenador, é a questão de logística. Os presentes são entregues pelos funcionários da instituição, que naturalmente possuem um volume maior de trabalho no final de ano, quando o fluxo de correspondências é maior. Deste modo, é mais prático entregar diversas encomendas em uma única escola ao invés de diversas casas. Ele explica, ainda, que é muito importante que as cartas vindas diretamente da sociedade sejam endereçadas de maneira correta. “Às vezes a carta vem com o endereço dizendo que é a rua 4 de um bairro. Mas esse bairro pode ter diversos loteamentos. Nessa situação, muitas vezes não conseguimos entregar. Por isso é necessário que venha o bairro e o loteamento do morador, para que essa cartinha possa ser contemplada em um primeiro momento, e que o presente possa ser entregue”. O coordenador frisa que a campanha aceita somente uma carta por criança, e que para participar pode ter no máximo 10 anos. Além disso, o Papai Noel dos Correios procura incentivar o voluntariado e a aprendizagem, sobretudo com a parceria feitas com as escolas, do envio correto de uma correspondência, já que as crianças serão futuros remetentes e destinatários da empresa. 


Em relação aos pedidos, os critérios funcionam da seguinte maneira: materiais como televisores, geladeiras, ou ranchos, por exemplo, são praticamente inviáveis de entrega por parte da equipe, e por isso não costumam ser pedidos selecionados. “Imagina nós entregarmos um rancho. Não existe logística para isso.” O conselho dado por Girão é que as próprias crianças escrevam as suas cartas, e que quando não sejam alfabetizadas, façam um desenho, de próprio punho, e que os pais apenas escrevam o nome do objeto na carta. 


Entre os principais pedidos, estão skates, bonecas, roupas e material escolar. Alguns, porém, chamam a atenção e costumam emocionar. Um deles, relata Girão, é de uma carta onde o remetente dizia uma porção de coisas que gostava, mas ao final afirmava que desejava que houvesse paz. Nas escolas, o próprio Girão se veste de Papai Noel para entregar os presentes. 


No dia 10 de dezembro, o prazo para a entrega das cartas nos Correios já havia encerrado, e havia um grande público lendo os desejos das crianças. Uma delas, observando várias cartas, era Luciana Jorge. Mãe de dois filhos, ela, que participa da campanha pela primeira vez, explica que o fato de tantos terem muitas coisas e outras pessoas não terem nada foi o fator que a levou a adotar uma cartinha. Ela observou que carrinhos com controle remoto são alguns dos brinquedos mais pedidos, mas que existem outros desejos inusitados, como iphones. 


Os presentes dos padrinhos puderam ser entregues até o dia 13 de dezembro, na agência dos Correios. No RS foram selecionadas mais de 35 mil cartas, e pelo menos 19.212 foram adotadas. 


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