Ter�a, 30 de junho de 2026, 12:16h
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Evento foi realizado no 8º distrito e contou com presença de autoridades como a deputada estadual Miriam Marroni
A quarta-feira (21) de sol e fortes temperaturas foi marcada pela abertura oficial da colheita da uva em Pelotas. O evento foi realizado a partir das 13h, contando com Dia de Campo e presenças de diversas autoridades. O local escolhido, que é sempre alternado a cada ano, foi a propriedade da família Bohrer, na Colônia São Manoel, 8º distrito do município. O local, além das paisagens e das uvas, conta ainda com plantação de outros produtos, como o tomate e o pimentão.
Segundo um dos proprietários, Rafael Bohrer, este já é o terceiro ano que a família, que vive na propriedade há 10 anos, investe nas parreiras. No entanto, apesar dos bons resultados dos anos anteriores, a colheita de 2015 é a primeira que deverá render safra cheia. A estimativa é de que a colheita renda 40 toneladas por hectares, que serão vendidas na média de R$ 2,50 o quilo, sobretudo para os municípios de Canguçu e Pelotas. Na propriedade, existem duas variedades de uvas de mesa: a Niagara Rosada e a Niagara Branca. Rafael explica que além dele, ainda trabalham dois irmãos e os pais. O local possui 40 hectares, mas somente dez podem ser usados para o plantio dos produtos. As parreiras ocupam meia hectare. A oportunidade para as uvas, explica, surgiu através da Emater. “Eles chegaram e nos perguntaram se queríamos experimentar o plantio das uvas. Falei que nunca havíamos tentado, mas que podíamos fazer”, relata. No primeiro ano, a plantação já rendeu seis quilos por planta em 14 meses. Este ano, a meia hectare plantada deve render 20 toneladas.
Um dos responsáveis pela implantação do projeto na região é Luiz Carlos Migliorini, técnico do escritório municipal da Emater Pelotas, que se orgulha ao apontar para as parreiras e dizer que tomou a frente dessa ideia. De acordo com ele, o ano de 2014 foi de muitas chuvas, e por isso, extremamente difícil para a produção, mas que mesmo assim será produzida uma uva de qualidade. “Um ano chuvoso é muito mais complicado”, O técnico diz que a expectativa é boa, já que no município existe muito pouca produção de uvas de mesa, onde a região se abastece principalmente da Serra Gaúcha. “Nós temos todas as condições para perfeitamente produzir, porque o produtor de pêssego também pode produzir uvas, já que os trabalhos com a videira são realizados após os trabalhos com os pessegueiros.” Ele cita, ainda, que existe uma busca para fazer uma diversificação da cultura do pêssego, justamente para racionalizar o uso de máquinas e mão de obra, e para facilitar a ter ingressos e maior distribuição ao longo do ano. Ainda segundo Migliorini, em Pelotas os parreirais rendem, com cerca de 4 ou 5 anos, aproximadamente 40 toneladas por hectare. “Todos os pomares são implantados com irrigação, embora no último ano não tenha sido necessário, já que as chuvas foram excessivas”.
O pesquisador e chefe adjunto de pesquisas da Embrapa Clima Temperado, Jair Natchigal, relata que o trabalho na região de Pelotas foi inicialmente feito com as uvas para processamento, mas que então percebeu-se que havia potencial muito maior para as de mesa, já que a maioria vinha de fora. Ele explica que essas uvas são divididas nas comuns, que são o caso das Niagaras, e as finas, que são de cacho grande. Estas últimas, no entanto, são mais sensíveis à doenças e necessitam de mais operações de manejo, o que não é recomendável para os agricultores que desejam começar com viticultura. “Nós damos orientações aos produtores e, quando possível, conseguimos alguma ajuda de custo para os produtores. E o compromisso deles é seguir a risca com as orientações”, explica. Ele também afirma que a produção de uva não concorre com a mão de obra de outras produções, como a do pêssego, já que a uva entra como uma complementação ao pêssego. “O mesmo trator que é usado pode ser usado para os dois, assim como a mão de obra, já que agora que a safra do pêssego acabou está começando a safra da uva. E é mais uma alternativa de renda para a propriedade”. Atualmente, comercializando a fruta, estima-se que tenham cerca de 10 produtores.
Entre as autoridades presentes na abertura da colheita estava o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Pelotas, Nilson Loeke, que disse que esta foi uma grande oportunidade de diversificação para o produtor, que não precisa de uma grande propriedade, embora o investimento seja alto. “Mas há retorno” frisa. Loeke explica que de um modo geral os produtores estão satisfeitos, e que existe mercado, já que o que se vende nos municípios vem de outros lugares, e com qualidade inferior.
Já a deputada estadual, Miriam Marroni, que também compareceu ao evento, em seu discurso destacou a importância da existência de programas e recursos de financiamento para a agricultura familiar que, de acordo com ela, é responsável por abastecer a mesa dos brasileiros. “Estamos vivendo um grande momento da agricultura familiar. Parabéns pela persistência e contem com o nosso apoio e dedicação”, finalizou.
A abertura da colheita da uva é uma parceria entre a Emater/RS-Ascar, Embrapa Clima Temperado, Embrapa Uva e Vinho, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Prefeitura e Universidade Federal de Pelotas.
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