29-04-2011
Em dez anos, população feminina superou a masculina em 4 milhões
O Brasil passou a ter quase 4 milhões de mulheres a mais do que homens em dez anos, segundo dados do Censo Demográfico 2010, divulgados hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A relação entre os gêneros, segundo o estudo, é de 96 homens para cada 100 mulheres.
�??Isso já vem ao longo dos censos e é em função da mortalidade. Apesar de nascerem mais homens, como a mortalidade dos homens é superior à das mulheres ao longo da vida, no final, você tem um contingente maior de mulheres�?�, explicou Fernando Albuquerque, gerente de projetos da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.
De acordo com Albuquerque, nascem 105 homens a cada 100 mulheres, mas como eles estão mais vulneráveis a situações de violência, por exemplo, o número de mortes é maior.
A capital carioca foi apontada no levantamento como a unidade da Federação com a menor proporção entre pessoas do sexo masculino e feminino, ao concentrar 91,2 homens para cada 100 mulheres.
A Região Norte é a única do país onde o contingente masculino é superior ao feminino. Segundo Fernando Albuquerque, esse fenômeno ocorre �??em função dos movimentos migratórios e também do tipo de atividade �?? extrativa e de mineração �??, em que os homens são a grande maioria�?�.
Outra constatação do levantamento que verificou a situação demográfica do país e as mudanças ocorridas entre 2000 e 2010 foi o envelhecimento da população brasileira que somou cerca de 190 milhões de habitantes (190.755.799) no ano passado. De acordo com o IBGE, o crescimento absoluto da população adulta e o aumento da participação da população idosa no país foram os fatores que mais contribuíram para o aumento da população brasileira.
O Censo Demográfico mostra que os grupos etários de menos de 20 anos vêm diminuindo no contingente populacional. �??Em cada censo, a base [do gráfico demonstrativo onde a base representa a população mais jovem] se estreita mais em função da queda da fecundidade e o topo se alarga mais, com indicativo de maior longevidade�?�, explicou Albuquerque.
No cenário brasileiro, apenas no Norte e no Nordeste ainda mantêm uma base mais larga, ou seja, um contingente de jovens ainda maior do que em outras regiões. De acordo com o gerente de projetos do IBGE, a justificativa é que estados da região norte e nordeste iniciaram o processo de transição demográfica mais tarde do que no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. �??O declínio da fecundidade foi posterior ao das outras regiões isso faz com que o número de filhos ainda seja mais alto do que em outras regiões.�?�
Segundo Fernando Alburquerque, a tendência é de uma convergência no país, �??com redução da diferença entre fecundidade e mortalidade entre as grandes regiões brasileiras�?�.
Os números no Estado
O Rio Grande do Sul foi o Estado brasileiro que menos cresceu entre os anos de 2000 e 2010, segundo revela a sinopse do Censo 2010, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve crescimento de 5,03% na década (uma diferença de 512.180 mil novos habitantes).
Apesar do crescimento significativo da população em quase 140 anos, entre 2000 e 2010 o Brasil registrou crescimento médio anual de 1,17% - a menor taxa observada na série. No período, as maiores taxas de crescimento foram observadas nas regiões Norte (2,09%) e Centro-Oeste (1,91%).
O levantamento também aponta redução no número de moradores em 25% das cidades brasileiras e o crescimento mais acentuado dos municípios médios.
A Região Sul, apesar do incremento de 29 municípios (todos eles no Rio Grande do Sul), foi a que menos cresceu em população. Desde o Censo de 1970, a região vinha apresentando crescimento anual de cerca de 1,4%, e ficou com índice de 0,97% este ano. Mesmo assim, segue entre as regiões mais populosas, que são Sudeste (com 42,1% da população brasileira), Nordeste (27,8%) e Sul (14,4%).
Os estados mais populosos do Brasil �?? São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Paraná �?? concentram, em conjunto, 58,7% da população total do País. São Paulo é o estado com a maior concentração municipal de população, onde os 32 maiores municípios (5,0%) concentram quase 60,0% dos moradores do estado.
A menor concentração acontece no Maranhão, onde a população dos 11 maiores municípios, que também representam cerca de 5,0%, corresponde a 35,4% do total do estado.