Ter�a, 30 de junho de 2026, 08:38h
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Desde quarta-feira (11), Léo Ribeiro está, ao lado de outros quatro jurados, fazendo a triagem das composições que subirão ao palco do VI Canto dos Cardeais
Autor de oito livros e mais de 300 letras musicais terá lugar entre os cinco jurados
Foi inspirado no músico Honeyde Bertussi, da dupla Irmãos Bertussi, que o escritor Léo Ribeiro de Souza iniciou sua carreira identificada com a musicalidade sulina.
Ribeiro trabalhava em uma loja de discos em São Francisco de Paula. Foi neste período que manifestou para Honeyde sua resistência à música gaúcha. A resposta do artista veio em forma de questionamento. “Mas tu conheces a musicalidade rio-grandense? Sabes das origens, dos seus conteúdos? Se tu não conheces nossa música, tu não conheces a ti mesmo, pois ela fala de ti, da tua história, do teu povo, das tuas glórias... “ argumentou, defendendo a ideia de que não gostar daquele tipo de música era como não gostar de si mesmo.
O escritor afirma que a partir daquela data começou a estudar, pesquisar e buscar a veracidade daquelas informações. “Em agradecimento por me mostrar este caminho, meu primeiro livro, dos oito que tenho editados, foi em homenagem a ele. Todo em verso (306 sextilhas). Eu conto a vida artística de Honeyde Bertussi, o Cancioneiro das Coxilhas”, explica.
Desde quarta-feira (11), Léo Ribeiro está, ao lado de outros quatro jurados, fazendo a triagem das composições que subirão ao palco do VI Canto dos Cardeais. Ele considera que o festival “é de grande importância cultural”. “O Canto dos Cardeais deixou sua marca nos áureos tempos festivaleiros do Rio Grande. Não se podia falar em “grandes eventos musicais” sem citá-lo. Devemos dar louvores ao seu regresso”, elogia.
Em entrevista ao site oficial do município de Canguçu, o músico avaliou aspectos culturais da atualidade. Segundo ele, “a cultura está em uma encruzilhada”. “Pouco ou nada se faz por amor a arte. Os rodeios estão virados em comércio. O laço tornou-se profissão. Os encontros artísticos (ENART) são uma guerra entre Centros de Tradições. O MTG, embora faça um trabalho de preservação, com suas inúmeras leis, decretos, regulamentos, normas, regimentos, etc... Engessa o próprio Movimento. Tem largura para bombacha, para aba de chapéu, até para solado de bota (1 cm). Enquanto isso, o grosso da tropa vai passando. Esqueceram-se da Carta de Princípios, dos ensinamentos de Lessa e Paixão, para preocuparem-se com arrecadação e coisas banais. Mas acredito nas pessoas e acho que tudo isto vai pegar seu rumo”, opina.
Ele conclui a entrevista lançando um alerta em relação aos movimentos que tentam se apropriar da identidade dos homens e mulheres ligados ao sul do mundo. “Não podemos deixar que culturas de outros lugares roubem um espaço que sempre foi nosso.”
Redator: Assessoria de Imprensa
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