06-06-2011
Bombeiros acampam em frente à Alerj para pedir aumento salarial e libertação de militares
Cerca de 30 homens do Corpo de Bombeiros passaram a madrugada de hoje (6) acampados em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em mais um ato de protesto. A categoria, que reivindica aumento de salário e melhores condições de trabalho, também pede a libertação dos cerca de 400 militares que foram presos após invadirem o quartel central da corporação, no centro da cidade, no fim de semana.
Em nota oficial divulgada ontem (5), o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, voltou a repudiar o ato, classificando a entrada à força na unidade como �??um gesto de imensa irresponsabilidade�?�.
Ontem, um grupo de aproximadamente 50 bombeiros realizou nova manifestação, caminhando em uma das faixas da Ponte Rio-Niterói. O grupo, que carregava faixas e cartazes, desceu de um ônibus e iniciou a marcha na altura do vão central. Após cerca de dez minutos, o protesto foi interrompido com a chegada de um veículo da concessionária responsável pela via. O grupo seguiu viagem no coletivo.
Na manhã de hoje (6), representantes da Associação de Soldados e Cabos do Corpo de Bombeiros, se reúnem na sede da entidade para analisar em que crimes os 439 bombeiros foram enquadrados e que medidas serão tomadas para soltar os militares presos.
Bombeiros esperam adesão de todos os quartéis do estado
O número de bombeiros e parentes acampados nas escadarias do Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa do Rio, no centro da capital fluminense, começa a aumentar e a expectativa da categoria é que cheguem bombeiros de todos os quartéis do estado. A vigília é para pedir a libertação dos 439 bombeiros presos na madrugada de sábado (4) durante a invasão ao quartel central da corporação, num protesto por melhores salários e condições de trabalho.
Os bombeiros estenderam uma enorme faixa nos pilares do Palácio Tiradentes, com a frase �??Resistir é Preciso�?�. Há também outras faixas com os dizeres �??Bombeiros são Heróis; não são Vândalos�?� e �??Vândalo é quem prende Herói�?�. Eles estão em barracas de camping e numa delas improvisaram uma cozinha, onde estão sendo preparados sucos e sanduíches.
O cabo Gilberto Batista, que está há 22 anos no Corpo de Bombeiros, disse que a prioridade agora passou a ser a libertação dos presos e que só depois voltarão a discutir a questão salarial. �??Foi ensinado pra gente que o quartel é a nossa segunda casa, acaba que a gente entra lá, o comandante-geral não nos recebe e num ato de desespero a gente derruba o portão para aguardá-lo descer, mas ele não desce. E [aí] acabaram prendendo 439 militares.�?�
O protesto dos bombeiros nas escadarias da Alerj está sendo acompanhado pela Polícia Militar, com três viaturas do batalhão do centro e duas do Batalhão de Choque. No quartel central da corporação, que teve o portão principal derrubado, o clima é de aparente tranquilidade. Dez policiais militares estão posicionados na calçada do quartel. O portão foi recolocado, mas está sendo apoiado por um carro dos bombeiros.
OAB vai acompanhar situação dos 439 bombeiros presos no Rio
A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil seção Rio de Janeiro (OAB-RJ) vai acompanhar a situação dos 439 bombeiros presos por determinação do governador do Rio, Sérgio Cabral, após invadirem o quartel central da corporação na última sexta-feira (3). Os manifestantes foram levados ontem (4) para a Corregedoria da Polícia Militar em São Gonçalo e já começaram a ser transferidos para unidades do Corpo de Bombeiros.
O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, avaliou hoje (5), em entrevista à Agência Brasil, que as reivindicações salariais dos manifestantes são justas e legítimas. �??Eles estão com os salários absolutamente aviltados, prestam um bom serviço e são admirados e benquistos pela população�?�.
Damous discordou, contudo, da forma como os bombeiros quiseram chamar a atenção das autoridades para suas reivindicações. �??Isso não justifica a invasão do quartel. Nós achamos que, nesse aspecto, o movimento errou. Isso gera tensão, gera pânico na população. E não é assim que se faz reivindicação, no nosso ponto de vista�?�.
�? de opinião, contudo, que a negativa do governo do estado em negociar com os bombeiros acaba gerando �??um quadro de radicalização, que ninguém quer�?�. Wadih Damous disse ter recebido notícias de que os advogados dos presos tiveram dificuldades em falar com os seus clientes. Representantes da OAB entraram em contato com o comando da Polícia Militar para solucionar o problema.
Ele espera, entretanto, �??que as partes desarmem os seus espíritos e sentem para negociar. Que o governo ouça as reivindicações salariais dessa categoria e, da parte dos grevistas, não haja radicalização e, sim, a vontade de negociar�?�.
Ele disse que a intenção da OAB-RJ não é tomar partido. �??O que nós queremos é que as regras da democracia, da Constituição, sejam cumpridas, tanto da parte do governo do estado, como da parte dos bombeiros. Nós não queremos que haja abuso nem de uma parte, nem de outra�?�, concluiu.
Com informações da Agência Brasil