07-06-2011
Palocci não resiste e deixa governo
O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, deixou o cargo nesta terça- feira (6), quase um mês após a publicação de uma reportagem pelo jornal �??Folha de S.Paulo�?� segundo a qual ele teve o patrimônio aumentado em 20 vezes entre 2006 e 2010, período em que exerceu mandato de deputado federal e coordenou a campanha presidencial de Dilma Rousseff.
A saída de Palocci foi comunicada por meio de uma nota divulgada pela Casa Civil. O ministro, que ficou pouco mais de seis meses no cargo, é o primeiro a deixar o ministério no governo da presidente Dilma Rousseff.
A íntegra da nota divulgada pela Casa Civil é a seguinte:
"O ministro Antonio Palocci entregou, nesta tarde, carta à presidenta Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo. O ministro considera que a robusta manifestação do Procurador Geral da República confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta. Considera, entretanto, que a continuidade do embate político poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento."
Patrimônio
Segundo reportagem da �??Folha de S.Paulo�?�, Palocci teria recebido R$ 20 milhões somente em 2010, por meio da Projeto, empresa da qual é proprietário e que prestava serviços de consultoria a empresas. Segundo o ministro, ele firmou contratos entre 2006 e 2010 com empresas que consideraram �??útil�?� a experiência dele como ministro da Fazenda entre janeiro de 2003 e março de 2006, durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o jornal, metade dos R$ 20 milhões que a empresa de Palocci faturou em 2010 foi obtida nos últimos meses do ano, quando ele participava do governo de transição. Segundo o ministro, isso ocorreu em razão da quitação antecipada de contratos em vigor. O ministro informou que os contratos foram interrompidos depois que ele aceitou convite para integrar o ministério de Dilma.
Depois, outras reportagens apontaram que clientes de Palocci teriam feito negócios com empresas públicas e que um dos clientes foi supostamente beneficiado em uma operação de restituição de imposto de renda junto à Receita Federal, subordinada ao Ministério da Fazenda, pasta que Palocci comandou em 2006.
Na última sexta-feira (3), Palocci concedeu entrevista à TV Globo, a primeira manifestação pública desde que reportagens sobre o aumento do seu patrimônio e suposto tráfico de influência começaram a ser publicadas. Integrantes de partidos da base do governo e da oposição cobravam explicações do ministro.
Na entrevista, Palocci negou que tenha feito tráfico de influência. �??Não fiz tráfico de influência, não fiz atuação junto a empresas públicas representando empresas privadas�?�, disse. O ministro não informou a lista de clientes da Projeto nem quanto teria faturado porque, segundo ele, não poderia expor as empresas em um ambiente político �??conturbado�?�.
Ele afirmou ainda que não poderia apresentar os nomes dos clientes para não prejudicá-los.
�??Não acho justo expor empresas num ambiente político conturbado, num ambiente de conflito. Se empresas forem feridas com isso, a perda em relação a sua imagem, etc, ninguém pode repor. Então eu prefiro assumir pessoalmente a explicação dessas coisas do que expor uma série de pessoas e empresas.�?�
Em entrevista à �??Folha de S.Paulo�?�, Palocci disse que, antes de assumir a Casa Civil, não relatou à presidente Dilma Rousseff quais eram as empresas para as quais havia prestado serviços de consultoria.
Gleisi Hoffman deve assumir a pasta
A senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) foi convidada pela presidenta para ocupar o cargo deixado por Palocci e, segundo integrantes da direção do PT, aceitou. O anúncio da substituição será feito após a formalização da saída do ministro.
Formada em Direito na Faculdade de Curitiba, a senadora Gleisi Hoffman, de 46 anos, é casada com o ministro Paulo Bernardo. Hoje em seu primeiro mandato eletivo, Gleisi foi secretária de Estado no Mato Grosso do Sul e secretária de Gestão em Londrina. Fez parte da equipe de transição do governo Lula e diretora da Itaipu Binacional.
Petista histórica, a senadora iniciou sua carreira política no movimento estudantil, na União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas e Grêmio Estudantil do Cefet na capital paranaense. Também fez parte da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes). Governista radical no Senado, Gleisi apoiou o Código Florestal proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP).
Com informações do G1