Segunda, 29 de junho de 2026, 14:48h
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Maioria dos graniteiros tem mais de 40 anos; é difícil encontrar jovens na profissão
Não muito longe do Centro da cidade, está uma parte importante da história de Capão do Leão. É nas pedreiras que muitos graniteiros ganham o seu sustento e contribuem, por exemplo, para os calçamentos, tanto leonenses, quanto de outros municípios.
Em uma tarde de sexta-feira, eles cortavam pedras que iriam virar paralelepípedos, e conversaram com a reportagem do Jornal Tradição Regional. Um deles é Ronaldo Silva, que trabalha com pedras há cerca de 40 anos. Ele afirma que o mercado já foi melhor do que se encontra atualmente. Antes se ganhava um salário mínimo neste ramo, agora se ganha aproximadamente R$ 500. O pagamento é feito através do número de unidades entregues, e o horário não é fixo. Em dias de chuva, não é possível trabalhar. “Se chover durante uma semana, durante uma semana ficamos em casa”, conta.
Outro dos trabalhadores presentes no local é Alvacir Furtado, que desde os 14 anos trabalha em pedreiras. Atualmente com 40 anos de profissão, ele lembra que as pedras são herança do pai, herdadas também pelos outros quatro irmãos. Em outro canto, um pouco mais quieto e concentrado no trabalho, está Manuel Madeira, que tem 52 anos e trabalha no ramo há 10 anos.
Eles explicam que é necessário usar óculos na hora do trabalho, já que existem colegas que, por causa dos estilhaços da pedra, tiveram olhos vazados. No entanto, os profissionais afirmam que eles próprios compram os óculos, já que a firma responsável não dá o material. “Nós temos que nos cuidar. Temos muitos amigos cortadores de pedra que perderam a visão”, diz Furtado que, enquanto demonstra o trabalho, pede para o repórter tomar cuidado com os estilhaços. “Não olhe muito de perto”. A empresa paga R$ 0,50 por unidade vendida, e eles também costumam trabalhar aos sábados. Porém, o mercado, no momento, se encontra parado, diz Alvacir Furtado.
Furtado conta que tentou não passar o trabalho para o filho, relatando com orgulho que ele é formado em eletromecânica. “Não é ‘balaquear’. Mas ele é formado. Um dia ele foi me levar café e eu brinquei pedindo para ele pegar a marreta e cortar uma pedra. Meu filho respondeu que não, já que eu havia pedido para que ele estudasse, e que era isso que ele iria fazer”, conta, lembrando que o filho trabalha em um projeto de geração de energia eólica. “Eu estudei até a terceira série, já que meu pai, só conseguia dar caderno para um filho, não conseguia dar para o outro.”
Eles recordam que a tendência é que a profissão seja extinta no futuro. É nesse momento que outro cortador de pedra também se insere no assunto. Carlos Oliveira de Castro tem 44 anos, e trabalha desde os sete em pedreiras. Castro lembra que foi através das pedreiras que as suas famílias foram sustentadas, e que o município de Capão do Leão surgiu. Um deles afirma que a última geração de graniteiros deve ser do ano de 1969, e que o mais jovem entre eles deve ter pouco mais de 40 anos.
Os graniteiros criticam os políticos que, de acordo com eles, sempre prometem preços melhores. Nos dias de hoje, eles tem até carteira assinada. Mas ainda falta apoio e um sindicato, já que a categoria ainda é muito discriminada. “Tem 40 anos que corto pedra, mas somente há três anos tenho carteira assinada”, diz Ronaldo Silva.
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