Segunda, 29 de junho de 2026, 10:02h
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Quando foi lançado em 1979, o primeiro Mad Max alcançou a alcunha de obra prima e transformou em astro o ator Mel Gibson, que estrelaria outras franquias de sucesso como Máquina Mortífera. Não demorou muito tempo para ser apontado como clássico, cult. Passados mais de 30 anos e com outros dois filmes feitos na década de 1980, o diretor, George Miller, resolveu abrir um novo capítulo da saga através de um quarto filme, dessa vez protagonizado por Tom Hardy como Max.
O projeto poderia resultar em um grande erro, mas, surpreendentemente, é um dos melhores filmes de 2015. No Festival de Cannes, foi ovacionado e aplaudido três vezes em uma única sessão. Alguns diriam que foi um milagre. Bobagem. Mad Max: Estrada da Fúria tem qualidades, que não são poucas, para alcançar o sucesso de público e crítica. Provavelmente, a principal delas é ter plena consciência de seu gênero de ação sem esquecer de tocar em questões importantes relacionadas ao ser humano que envolvem liberdade, esperança e o direito de não ser tiranizado por seus líderes, além de acrescentar uma presença imponente feminina, rompendo com a ideia de que somente os machos são capazes de redenção. Há ainda, críticas a escravização das mulheres, a utilização do homem como ferramenta de um sistema e a destruição do meio ambiente. Esta crítica, aliás, é provavelmente a mais fácil de ser observada, sendo feita através dos habitantes de Cidadela que, sedentos, são sujeitados a um ditador que controla a distribuição da água.
A história da fuga de Max e da imperatriz Furiosa é contada de maneira frenética, seja pela sua montagem ou pelos seus efeitos visuais em 3D de tirar o fôlego, a maioria deles feitos artesanalmente e com o mínimo de recursos computadorizados, capazes de jogar guitarras e caros na direção do expectador. O visual impressiona, ainda, pela caracterização dos personagens. Ponto positivo para o trabalho de maquiagem, que deixa irreconhecíveis os atores Nicolas Hout, na pele de Nux, e Hugh Keays-Byrne, como o vilão Immortal Joe. Além disso, a direção de arte valoriza o aspecto visual criando um mundo pós apocalíptico através de carros que são verdadeiras geringonças e do deserto árido que simboliza o que a Terra se tornou no futuro.
Tudo isso é orquestrado por um mestre que, no auto dos seus 70 anos, mostra excelente forma ao equilibrar acrobacias ousadas de lutas, excentricidade futurística e ação de tirar o fôlego da melhor qualidade. Em um de seus momentos inspirados, ele foca o que, aparentemente, é uma grande rocha no deserto, para então revelar, através dos movimentos do ator, que na verdade é a cabeça de um personagem enterrada na areia.
No final do filme, os espectadores parecem ficar em êxtase sem, talvez, nem mesmo ter a consciência de terem assistido a uma das obras de ação mais importantes do século XXI. Mas não há problema. Assim como com o filme de 1979, o tempo certamente se encarregará de manter Mad Max: Estrada da Fúria no seu devido patamar.
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