Segunda, 29 de junho de 2026, 06:19h
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Com um sorriso largo e um olhar sereno, a reportagem do JTR foi acolhida na casa dos doceiros do pastel de Santa Clara, um doce de sabor inigualável, que traz em seu recheio uma história para ser saboreada no paladar da memória de cada consumidor.
Em Pelotas, Eliza Nachtigall Neitzke, seu irmão, André N. Neitzke, e a mãe, Clades N. Neitzke, de origem alemã, investiram na produção do doce.
Segundo Eliza, filha de Pelotas, mas que viveu toda a sua infância e adolescência na colônia, mais precisamente no interior de Canguçu, ela, aos 26 anos, resolveu vir para Pelotas, já que não tinha muitas oportunidades de emprego, e acabou conseguindo uma vaga na fábrica de doces VN, de seu primo. Após trabalhar durante algum tempo nesse estabelecimento, resolve montar o seu próprio negócio, surgindo a ideia que deu certo graças a muita persistência e teimosia. Aprender toda a técnica e mantê-la foi muito difícil, pois é necessária uma boa dose de força de vontade.
A empresária relata que nem sempre a massa dá certo, e aí entra a persistência de continuar tentando, até acertar o ponto. É um ofício artesanal que requer também muita paciência.
São mais de dez anos na composição deste doce, sendo que, no início, eram feitos a panelinha de coco e o bem-casado, mas como o pastel é um doce que necessita de um tempo maior para a sua preparação, acabaram ficando somente com ele.
Quando começou a fazer o pastel de Santa Clara, o doce não era tão conhecido. No entanto, com o passar dos anos, ele começou a ser divulgado e, atualmente, percorre toda a Região Sul.
Quanto ao fornecimento da matéria-prima, os proprietários da fábrica referenciaram-se ao estabelecimento Treichel, por apresentar a seriedade e comprometimento com suas mercadorias conhecidas e registradas.
Já em termos de produção, são vendidos cerca de 800 pastéis diários para confeitarias renomadas da cidade, como a Berola, Pelotense, Delícias Portuguesas, Otto, entre outras, sendo que, no verão, a produção é bem menor.
É com muito orgulho que Eliza fala da grande inserção de seu doce no mercado pelotense, bem como a arte e dedicação que demanda para a confecção desta delícia, que é totalmente artesanal.
A ideia é aumentar a fábrica para melhor atender à clientela. Contudo, para isso é preciso manter uma certa disciplina, inclusive com o horário de trabalho, que começa muito cedo, às 6h, se estendendo até 19h, o que difere no período da Fenadoce, podendo ultrapassar tranquilamente a meia noite.
Com uma visita ao interior da fábrica, a doceira finaliza a entrevista através de uma mensagem aos participantes da Fenadoce. “Espero que todos aproveitem a festa saboreando os mais diversos doces de Pelotas, que além da certificação, possuem a dedicação e a arte do bem fazer”.
Uma história que começa em Portugal
A história do pastel de Santa Clara começa no século XIII, em um convento em Portugal, que tinha o mesmo nome da iguaria. Naquela época, as claras dos ovos eram usadas para engomar tecidos e as freiras acabavam por inventar receitas usando as gemas, criando, assim, o pastel de Santa Clara. Conta-se que, ao ensinar as outras freiras o preparo da massa folhada, deveria se esticar tanto a massa a ponto de deixá-la tão fina que poderia se ler uma carta do outro lado facilmente.
A tradição dos doces conventuais fez com que, em tempos difíceis, em meados do século XIX, as freiras vendessem à estudantes da secular Universidade de Coimbra os doces, que em pouco tempo se tornaram populares na região, adotando os mais variados formatos: meias-luas, estrela, coração.
Com a vinda de portugueses no início do século XX para o Brasil, veio também a receita, sendo este doce tradicional na comunidade.
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