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05-06-2015

Especial Fenadoce: A arte de transformar frutos em doces


Foto: Izabel Machado/JTR Onélia Mendes Leite e sua filha Taís L. Souza Soares

A rua Capitão Felino Alves, no número 38, não é um endereço qualquer, já que tem uma grande responsabilidade, pois  retrata a cultura doce de Pelotas através de dona Onélia, doceira que aposta na criatividade e na dedicação para transformar simples frutos em delícias da terra.


Com uma simpatia inigualável, o JTR foi recebido pela fábrica Onélia, onde sua dona fez questão de demonstrar toda a alegria e encantamento de seu trabalho, praticamente artesanal. Para o sucesso do mesmo, ela conta com uma equipe que integra desde a sua filha, Taís Leite Souza Soares, duas irmãs, Santa e Eva, e demais funcionárias.



De origem francesa, ela aprendeu com a mãe a magia de vestir as frutas de doces, roupagem esta que lhe rendeu a apreciação de seus inúmeros consumidores, que se deslocam até sua residência para saborearem as iguarias.


Onélia conta como cada fruta requer um cuidado especial, diferenciado, como é o caso, por exemplo, do figo, que necessita, ainda hoje, de várias etapas para tornar-se um doce fino e gostoso.


Uma marca que é conservada desde a época de sua mãe é que os doces continuam sendo caseiros. Este aspecto, talvez, seja um dos atrativos para os clientes. “Junto com a doçura, vai um sabor da Colônia, das  mãos de doceiras artesanais daquele período. Como referência, cito a minha própria mãe”, destaca.


Ela diz que na sua criação na Colônia Bachini, no 7º distrito, conviveu com muitas frutas, observando que sua mãe fazia doces de todas elas, como é o caso da goiaba e do pêssego, colocando-as em latas para conservar o doce, pois a maioria das frutas são colhidas apenas uma vez por ano.


Com um sorriso largo no rosto, a doceira lembrou uma fala de sua mãe. “Observem, aprendam, pois um dia vocês podem fazer”. A entrevistada, no entanto, não pensava dessa forma, pois percebia o trabalho pesado de sua matriarca todos os dias. Ela destaca, porém, que naquele tempo, pessoas a partir de 30 anos já eram consideradas velhas para o mercado de trabalho formal. Por isso, ela deixou o comércio para se aventurar na arte da mãe, que faleceu em 2004.


A doceira tem orgulho de relembrar que seu início foi no fundo da sua casa. Atualmente, Onélia ainda considera seu espaço como um “fundo de quintal”, pois devido a enorme variedade de doces que são confeccionados, o local deveria ser bem mais amplo.


Outro detalhe que ela faz questão de comentar é que, apesar de seus 65 anos, se considera com muito mais pique do que em tempos anteriores, sentindo-se muito gratificada porque faz exatamente o que gosta e por seu doce ter um grande alcance, inclusive para fora do Estado. É um pouco da história de vida familiar que recebeu  de sua mãe que se dissemina pelo Brasil.


Ela recorda que a fábrica começou timidamente na década de 1980, com dois fogões. Na época, ela ainda não tinha o registro da fábrica, pois os doces eram feitos experimentalmente para servir aos amigos. O primeiro cliente formal foi a Confeitaria Otto, e quando outras doçarias de fora começaram a comprar, como de Santa Catarina, por exemplo, acabaram então fazendo o registro, pela necessidade da nota fiscal.


Onélia conta que os fornecedores são da Colônia, sendo que  a abóbora vem de Rio Grande. Também são adquiridas mercadorias do Ceasa, pois as frutas precisam ser preparadas obedecendo a sua época. “O figo, o pêssego e o morango. Tudo é originário da nossa Colônia Maciel, interior de Pelotas.”


Também são comprados produtos de Turuçu. Já a goiaba vem de Porto Alegre, porque, segundo Onélia,  a fruta da Região Sul não tem a qualidade necessária para ser transformada em doce, e um dos mais tradicionais é a goiaba em calda.


Essas delícias são transportadas pela empresa Transpaulo para fora do Estado. Dentro da região, a responsável é a empresa  São João. Tudo isso obedecendo, é claro,  a uma periodicidade durante a semana, para que todos os doces sejam entregues devidamente frescos.


Ela explica que sua rotina inicia todos os dias às 7h30, colocando a abóbora e o figo no fogo, com uma atenção maior a este último,  que demanda maior cuidado por cada etapa ser muito demorada, até chegar a ser cristalizado. Cerca de cinco mil figos ficam estocados nas câmaras frias, em Capão do Leão, por não ter na fábrica um espaço no freezer.


Questionada sobre novidades para a 23ª Fenadoce, Onélia falou que este ano vai ter a surpresa do Bolo de Tubo, de autoria de sua filha.


Já na cozinha, entre tachos, panelas e fogões, as meninas da doceria falam o quanto é prazeroso trabalhar com doces. Cátia Soares, uma das ajudantes, comenta: “O trabalho é ótimo pois tem amizade e confiança”. Ela diz, ainda, que adora o que faz, pois nunca imaginou que iria trabalhar com doces cristalizados.


Outra funcionária, Maria Iraci Severo Porto, trabalha há 12 anos com dona Onélia, e salienta que está em uma equipe que trabalha com harmonia, onde todas se ajudam. Este foi o seu primeiro emprego.


Cleonice Fernandes Ferreira, a Nice, também nunca imaginou que iria trabalhar com doces, e se sente muito feliz em realizar este ofício, pois evidencia a união que existe no ambiente de trabalho.


“Espero que todos participem de tudo na festa, desde a gastronomia até os nossos doces, aproveitem o máximo do que a feira está oferecendo”, finalizou dona Onélia, lembrando o tema da Fenadoce 2015, Uma Festa Completa


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