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05-06-2015

Especial Fenadoce: Guloseimas portuguesas em solo brasilleiro


Foto: Izabel Machado/JTR Maria Alzira R. Carreira, a fusão luso-brasileira na história do doce

Doçaria Delícias Portuguesas pincela com gema de ovos e adoça com torrões de  açúcar a história dos doces portugueses


Há exatamente 53 anos, Pelotas recebia Maria Alzira Rosa Carreira, proprietária da doçaria Delícias Portuguesas, localizada na rua General Osório, 759 A.



De uma família portuguesa, ela conta que chegou muito pequena de Portugal e que sua mãe veio para trabalhar em uma padaria e confeitaria em Pelotas, onde já produziam o doce tradicional de receitas portuguesas. Com o término da padaria, a mãe continuou a fabricar os doces clássicos por mais de 45 anos, dando início, então, a este ofício no Brasil, na Padaria Confiança, onde eram fabricados os doces artesanais com as receitas originais e conservadoras de Pelotas.


Maria Alzira fala com muita satisfação de sua tradição no preparo do Bem-Casado, que tem mais de 40 anos de fabricação. Ela recorda que esse doce era fabricado em casa e vendido aos clientes para festas e revendas.


Surge então o convite para participar da 5ª edição da Fenadoce, o que a levou a ampliar a capacidade de produção, fundando assim a Delícias Portuguesas, que passou a produzir  os doces tradicionais de Pelotas e a resgatar os doces regionais portugueses com as características exatas daquele país. A idéia foi, e continua sendo, a de  formar uma fusão cultural entre Brasil e Portugal.


Ela salienta que tal participação na feira serviu como estímulo para buscar novas receitas, resultando em um intercâmbio com amigos residentes em Portugal que enviavam as receitas, que passavam por um processo de adaptação dos ingredientes em relação ao clima. “Desta maneira, procuramos manter a culinária da doçaria Portuguesa cada vez mais presente na cidade do doce.”


A empresa é da sua mãe, mas é Alzira que trabalha, sendo que na época da Fenadoce todos ajudam, tanto a família quanto os funcionários.


A empresária destaca que os doces característicos são todos artesanais. “Mesmo com a maior demanda no período da feira do doce, ele continua sendo totalmente artesanal, onde incorporamos uma grande quantidade de mão-de-obra, pois este tipo de iguaria necessita da mão do produtor para confeccioná-lo no padrão exato.”


Ao conversar sobre o doce, é perceptível nos olhos de Alzira um brilho diferente, que ela chama de “paixão pelo que faz”, pois diz ter muito prazer em fazer cada doce. Essa parceria com a mãe já tem quase 20 anos.


Seu dia a dia é entre panelas, ovos e açúcar, mantendo a veracidade das receitas tradicionais de 200 anos atrás. Possuir o selo de certificação dá muito orgulho para a empresa, pois remete ao tempo nobre de Pelotas, em que nos saraus eram oferecidos esses doces finos, feitos naquele período em pouca quantidade, levando o nome de doces de bandeja. Hoje, ainda, é mantida a receita padrão, embora produzida em larga escala.


Em termos de alcance de suas delícias, a empresária fala com muita alegria que ultrapassa o território nacional, no entanto a empresa ainda necessita de uma logística a altura de toda essa demanda.


Quanto a participação da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas, ela comentou que foi uma iniciativa do Sebrae, de cerca de sete anos atrás, que os ajudou a formar um grupo de voluntários que se uniram para fundar a Associação e, com isto, manter e conservar a qualidade do doce tradicional, sem perder as suas características natas.


Orgulhosa, Alzira evidencia que sua empresa é sócio-fundadora da Associação dos Produtores de Doces de Pelotas, onde é uma das cinco empresas aptas ao Selo de Indicação de Procedência, permitindo que este estabelecimento comercial possa oferecer ao cliente  um doce com qualidade comprovada através da rastreabilidade de todos os ingredientes.


Para finalizar, Maria Alzira destacou que “o tema desta 23ª edição sugere muita alegria, dedicação de todos e a presença do carro-chefe da feira, que é o doce, para assim a festa ser completa”.


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