Segunda, 29 de junho de 2026, 03:46h
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Itinerância promovida pela Galeria Ecarta
Depois de estrear na Galeria Ecarta, em Porto Alegre, e viajar para Caxias do Sul, onde ficou em cartaz no Centro Ordovás, a exposição coletiva Um firme e vibrante NÃO chegará a Pelotas. A versão que será montada no espaço independente Casa Paralela (rua Uruguai, 1.577) contará com novos artistas e novo desenho expográfico. A abertura será na sexta-feira (19), a partir das 18h, com entrada franca.
Um firme e vibrante NÃO reúne obras de artistas de distintas gerações e procedências, cuja força está na contestação política e comportamental, no desafio à autoridade e na recusa aos padrões culturais dominantes. Uma produção animada pelo espírito contestador da contracultura, pelos movimentos marginais e pela crítica ao establishment.
A mostra, com curadoria de Jorge Bucksdricker e do coordenador artístico da Galeria Ecarta, Leo Felipe, parte de uma coleção de trabalhos dos anos 1970 e 1980, de artistas em sua maioria brasileiros, ligados ao conceitualismo e à arte-correio, que têm no papel sua principal mídia: revistas, jornais, livros, fotocópias, envelopes, selos, pôsteres, cédulas. Materiais de natureza gráfica que visavam extrapolar as paredes de museus e galerias, escapar da censura e ativar redes internacionais, experimentando formas alternativas de circulação em proposições cada vez mais coladas à vida.
“Artistas esquecidos, coletivos que logo se dissolveram, obras que deliberadamente não se parecem com obras de arte: o grande desafio de qualquer pesquisa sobre o período é localizar um material que pela sua própria natureza se dispersou e, frequentemente, se perdeu. Nesse sentido, podemos dizer que estes trabalhos cumpriram com o destino que lhes cabia”, afirma Bucksdricker.
Propondo um diálogo com as iniciativas históricas, Um firme e vibrante NÃO reúne ainda a produção de autores contemporâneos não apenas engajados na luta política, mas que também resgatam certa estética/retórica formatada após os levantes de 68. Artistas cujo trabalho é pautado pelo questionamento crítico e pela desconstrução do naturalizado, pela recusa e insubordinação, pelo humor e pelo sarcasmo – e que, a seu modo, denunciam e combatem o machismo, o imperialismo, o racismo, as desigualdades sociais e a caretice geral.
“Por contracultura entendemos não apenas as movimentações de 68, mas também suas irradiações: as ideias dissidentes e o desejo de confrontar o sistema, através de recusa, fuga ou luta; as práticas boêmias de poetas, pintores e roqueiros malditos; os movimentos subculturais que, assim como ocorreu com a arte de vanguarda, também estão sujeitos aos processos de assimilação mercadológica e institucional”, diz Leo Felipe.
Redator: Assessoria de Imprensa
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