Segunda, 29 de junho de 2026, 00:56h
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As comunidades quilombolas da Região Sul obtiveram, recentemente, uma importante conquista. Elas serão responsáveis por fazer um fornecimento de alimentos, através de uma compra institucional, para o Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Porto Alegre. A entrega deverá ocorrer no mês de julho. Na segunda-feira (22), uma reunião ocorreu no Cine Teatro em Canguçu, para discutir e definir como será feita essa entrega. “É a primeira compra que será feita das comunidades quilombolas. É uma conquista inédita”, relata com orgulho o presidente da Federação Quilombola do RS, Antônio Leonel Rodrigues Soares.
Ele, que é integrante da comunidade Vó Elvira, no interior de Pelotas, e que ocupa o cargo há aproximadamente um ano, explica que está é a primeira compra, mas que esse tipo de ação continuará ocorrendo. Segundo Soares, essa demanda surgiu também devido as acusações de que as comunidades quilombolas não produziam. Por isso, foi feito junto com o Hospital de Porto Alegre um projeto piloto, que deverá seguir adiante, podendo também fornecer alimentos, futuramente, para entidades como a Santa Casa de Pelotas.
O contato foi feito através de uma irmã de Sousa que trabalha na entidade de Porto Alegre, que questionou se as comunidades não teriam interesse em prestar esse serviço. O setor de compras do Hospital se reuniu com as comunidades apresentando a proposta para as 43 comunidades da região, que tiveram interesse em fazer o fornecimento e também se planejar para o futuro. As conversas e planejamentos vem ocorrendo desde janeiro. “O Hospital precisa de muita comida, até porque funciona 24 horas por dia. As comunidades não vão conseguir suprir tudo isso, mas pelo menos vão estar entregando parte de seus produtos”, conta.
De acordo com Sousa, a maioria dos moradores das comunidades quilombolas atualmente são beneficiários do programa Bolsa Família. Mas como o programa é do governo, e pode ter um fim, esse projeto de entrega de alimentos traz alguma autonomia para os quilombolas. A produção dessas comunidades é agroecológica. “Já é da cultura plantar de forma natural para que a própria família possa consumir”. Ao todo, as 43 comunidades possuem cerca de 2.400 famílias.
A quantidade de alimentos a ser levada para o Hospital Nossa Senhora da Conceição é de aproximadamente 2 mil kg. Os principais alimentos a serem entregues são feijão, batata doce, abóbora, arroz, cebola, alho e hortaliças, sobretudo as que não são tão perecíveis.
Apesar da região ter 43 comunidades quilombolas, a primeira entrega de alimentos deverá beneficiar cinco delas, do interior de Canguçu e Pelotas, além de uma de Mostarda, que ficará responsável pelo arroz. O planejamento, no entanto, é contemplar as 107 comunidades do Rio Grande do Sul reconhecidas pela Fundação Palmares.
Sousa diz que o programa dará autonomia para as comunidades. “Esse projeto vai proporcionar visibilidade, mostrando que as comunidades também são de agricultores e que são produtos limpos. Além disso, isso melhorará a estima das comunidades”, finaliza.
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