Domingo, 28 de junho de 2026, 22:34h
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Além de palco do movimento revolucionário, Piratini também preserva um dos mais significativos patrimônios arquitetônicos de todo o Rio Grande do Sul. São dezenas de edificações do século XIX no seu deslumbrante Centro Histórico.
Atualmente, muitos destes prédios permanecem em bom estado, fomentando o potencial turístico da cidade. Alguns deles foram agraciados com projetos de restauro, como é o caso do Museu Histórico Farroupilha, edificação construída em 1819 onde se acredita que possa ter funcionado o Ministério da Guerra e Interior.
Ao total, de acordo com o livro Centro Histórico de Piratini – Preservação e Valorização, de Ceres Storchi e Vlademir Roman, na cidade existem três prédios tombados pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que são o Museu Histórico Farroupilha, Casa de Garibaldi e Palácio do Governo Farroupilha.
Já pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE), são 15 edificações tombadas. Além disso, 33 locais ainda tem tombamento pelo município, incluindo a Casa de Camarinha, construída aproximadamente em 1789 e considerada o primeiro prédio da povoação de Piratini, que pertencia a Antônio José Vieira Guimarães.
Onde existe hoje a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, foi construída a primeira capela da povoação, sendo finalizada no ano de 1814. Quando eclodiu a Revolução Farroupilha a capela estava quase concluída, mas uma das torres ameaçava ruir, sendo então demolida.
O sobrado que se encontra na rua Bento Gonçalves, com a parte superior revestida de azulejos, pertenceu ao primeiro presidente da Câmara de Vereadores, Vicente Lucas de Oliveira. Durante a Revolução, a edificação serviu como Ministério da Justiça e da Guerra.
A Casa de Garibaldi, como citado, é um dos três prédios a ter tombamento federal. Além de abrigar o afamado italiano, considerado o “Herói de Dois Mundos”, no local funcionava, ainda, o jornal oficial da República: O Povo.
Sua primeira edição foi lançada em 1º de setembro de 1838. O Povo era produzido por Luigi Rossetti, outro italiano carbonário que valorosos serviços prestou à República Rio-Grandense.
No prédio construído por Manuel Jacinto Dias em 1826 funcionou o Palácio do Governo Farroupilha. Atualmente, o local abriga a Secretaria de Cultura e Turismo e o Museu Municipal Barbosa Lessa.
Chefe da Legião das Guardas Nacionais da Comarca de Piratini e proclamador da República Rio-Grandense, o general Antônio Fonseca de Souza, o “Neto”, também foi uma figura ilustre no berço farrapo. O local onde ele residia encontra-se totalmente descaracterizado, o que frustra visitantes e piratinienses.
Em suas memórias, escritas por Alexandre Dumas, Giuseppe Garibaldi descreve a cidade de Piratini.
“Piratini é realmente um dos mais belos lugares do mundo; dividida em duas regiões: uma de planícies e outra montanhosa. O viajante não tem precisão de dizer nem de pedir coisa alguma; entra em qualquer habitação, vai direto a câmara de hóspedes; os criados aparecem sem que sejam chamados, descalçam-no e lavam-lhe os pés. Fica ali quanto tempo quer e, quando lhe apetece, retira-se sem despedir-se nem agradecer; e apesar desta descortesia, outro que venha depois dele não é recebido com menos aguado. É a juventude da natureza, o erguer da humanidade.”
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