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Livro Por aqui as casas falam foi editado em 2008 e destaca a importância dos fatos e histórias que cercam diversas habitações
Juarez Machado de Farias, aos 47 anos, ainda se considera um “Guri do Campo”, nome da canção que teve seus primeiros versos rascunhados em 1995 e acabou, ao ser musicada por Diego Espíndola, ganhando três prêmios no 4º Canto dos Cardeais, festival nativista de Canguçu.
Essa ligação entre a vivência no interior enquanto criança e a migração para a cidade para dar continuidade aos estudos faz com que o advogado se transforme num livro aberto para novos capítulos do histórico berço farrapo.
Quando a principal profissão pode ficar um pouco em segundo plano, ele se divide radialista, poeta, escritor e compositor, deixando sempre explícita a veia artística que deu os primeiros sinais quando, em 1984, isolado em sua timidez, vagava entre os velhos que tomavam sol na praça Inácia Machado da Silveira. Destes momentos, nasceu um dos versos de “Guri do Campo”: “Na praça conversei com muitos velhos e andei em seus caminhos percorridos”.
Ao participar de formas diferentes de mais um aniversário de Piratini, ele sintetiza a história da cidade com versos contidos no livro, de sua autoria, Por aqui as casas falam. O livro foi editado em 2008 e destaca a importância dos fatos e histórias que cercam muitas das habitações hoje tombadas e que abrigaram os farroupilhas durante a revolução de 35. “É um conjunto de poemas que fala do patrimônio histórico de Piratini. Eu pensei: essas casas contam, cada uma delas, uma história, portanto, falam”, acredita Farias.
Mas o livro vai além do material, ou seja, do que pode ser tocado. Ele ganha espaço com causos e lendas e, entre elas, a famosa Moça de Branco. “ Há pessoas que garantem que ainda a visualizam na Cacimba da Carretela, localizada na rua 31 de Março”. A lenda fala de uma jovem de família rica que se apaixonou por um rapaz filiado a um partido contrário, o que era uma afronta para a sociedade da época, mas como o amor transpõe as barreiras da política, ela entrou em depressão, acabou contraindo uma tuberculose e tirou a própria vida na dita cacimba.
O escritor tem suas lamentações em relação a história, que não obteve conservação de quem tinha o poder de conservar pontos cruciais de tão rico acervo. “Se aqui as casas falam, uma delas é o que sobrou da residência onde morou o general Bento Gonçalves. É lamentável que não a tenham conservado e o que resta hoje sejam apenas ruínas de uma época onde os gaúchos se levantaram contra o Império e aqui, na Capital Farroupilha, fizeram a primeira experiência.”
Farias é uma figura atípica. Até bem pouco tempo e, também por até hoje se recusar a tirar a carta de habilitação, no percurso do escritório para o Fórum o meio de transporte era a bicicleta e, no lugar da tradicional pasta de documentos, havia uma listrada mala de garupa.
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