Domingo, 28 de junho de 2026, 21:14h
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“Piratini foi escrito na história com sangue heroico farrapo, este feito no brio e na glória que contempla este povo sagrado.
Foste a tal Capital Farroupilha, nossa história, porém registrada, são as lágrimas que hoje brilham, tão escritas a ponta de espadas.
O teu povo se orgulha de ti, Piratini conheceu a vitória, o teu povo se orgulha de ti, Piratini que ficou na história!”
Os versos acima integram a primeira estrofe da canção executada junto com os hinos Nacional e Rio-grandense nas solenidades oficiais do município e surgiram da simplicidade do compositor que, desde 1970, coloca seu talento em cadernos pelo prazer de escrever para, logo depois, guardar o que criou.
Será de Almenzor Madruga Bilhalve, de 67 anos, a música mais executada na Semana do Município que, recheada de atrações, celebrará os 226 anos da terra de Barbosa Lessa, compositor nato e reconhecido em diferentes pagos do sul.
A letra do hino de Piratini já tem 18 anos, mas pelas contas do autor, ficou nove anos engavetada na Prefeitura até que fosse musicada pela banda da Brigada Militar de Pelotas e gravada pelo cantor Nilton Castro.
Bendita hora em que a amiga Mariza Amaral, em alto em bom tom, chamou por Bilhalve, que passava aos fundos de sua residência. Era para comunicar ao amigo, que ela sabia que era amante das letras, sobre o concurso aberto pela Secretaria de Cultura para que a cidade tivesse um hino. “Na época, morava no interior, no Cerro do Sandin, a 22 quilômetros de distância, percurso que eu fazia em minha bicicleta e, naquele dia, por acaso, havia vindo à cidade. Fui ao balcão das inscrições onde recebi a informação de que o prazo se esgotaria no dia seguinte. Então voltei para casa, chegando já só à noite. Foi quando tive o que chamam de premunição: eu ganharia o concurso”, relembra.
Ele conta que pegou papel e caneta e logo se lembrou das crianças, pois havia de criar algo que fosse de fácil aprendizado para elas. Também já pensou na musicalidade e, por ter sido um graduado do Exército Brasileiro, o hino precisava ter uma toada marcial.
Tudo pronto, mas com o prazo expirando. Então, era hora de refazer a mesma distância para entregar o envelope, onde foi exigido um pseudônimo. “O meu foi Boa Vontade, pois para fazer 44 quilômetros em menos de um dia era preciso ter boa vontade, e muita”, sublinha.
O resultado veio rápido e, diante de tanta dedicação, não poderia ser outro. Anos depois, o hino criado por ele é estímulo para fazer bonito nas festividades alusivas ao aniversário da Capital Farroupilha. Assim, a Secretaria de Educação instituiu um concurso para premiar quem melhor cantar essa saudação ao município. Na Escola de Educação Recanto Infantil, que promove o treino do hino em dois turnos, a turma está afinada para encher o autor, que é um dos jurados, de muito orgulho e satisfação.
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