Domingo, 28 de junho de 2026, 21:15h
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Presidente Araci Minasi Cocian e a vice-presidente Gema Brandão representando a cultura italiana
Conhecer a cultura italiana é importante para os brasileiros, principalmente para os gaúchos, que encontram em cada paisagem sulista um pouco da Itália.
No degustar de vinhos, no paladar culinário, no misticismo da religião, na melodia das músicas... talhada na cultura brasileira está a miscigenação italiana identificada com grande relevância na Região Sul.
Este ano, a cidade de Rio Grande, através da Fearg/Fecis, homenageia a etnia que faz parte da composição brasileira, representada aqui por duas importantes italianas do Centro Cultural Ítalo-Brasileiro: a presidente Araci Minasi Cocian e sua vice, Gema Brandão.
Muito feliz, altiva, e com um boton com um brasão e as bandeiras da Itália e do Brasil, representando a união dos países, Araci fala que esta homenagem está culminando com os 140 anos da imigração italiana no Estado e que, este ano também, o Centro Cultural está completando 40 anos de atividade.
A presidente do Centro Cultural fala saudosamente de seu nono, Pio Minasi, que foi um dos pouquíssimos imigrantes que ficaram em Rio Grande, em 1785, pois a maioria dos italianos foram para a serra, definindo o espaço agrário que hoje o Rio Grande do Sul apresenta.
Ela ainda comenta com muita satisfação e brilho nos olhos características deixadas pelos italianos aqui no Brasil, como uma força, uma “quentura” no sangue e um sentimentalismo nato, próprio da etnia.
De família numerosa, de nove irmãos e modelo tradicional, Araci, nascida em Rio Grande, se orgulha de sua origem, diz ser sangue quente, brava, brigona, mas muito religiosa e de bom coração, como todo autêntico italiano.
Ela ressalta que os italianos não abrem mão de se reunirem aos domingos com toda a família, para celebrarem o almoço a base de muita macarronada com polpetas, que são as almôndegas.
E como não poderiam faltar pratos italianos, nesta feira Araci diz que será oferecida para os visitantes torradinhas com caponata, prato a base de beringela, manjericão, cebola, azeitonas, vinagre e outros ingredientes muito condimentados. “Curiosamente, é a comida predileta de Alphonse Gabriel Capone, conhecido como o famoso Al Capone”, relata Araci.
Gema completa a fala dizendo que muita gente desconhece que os italianos chegaram primeiro em Rio Grande, e os que estavam doentes ficavam se tratando enquanto os demais iam para Porto Alegre pegar o vapor rumo a Serra.
“Os que ficavam em Rio Grande produziam artesanato, eram os italianos mais urbanos, que não eram colonos”, destaca ela, citando o exemplo de seu avô, que veio para a cidade já contratado pela Companhia Princesa para fazer a barra dos Molhes. “Eram os imigrantes que já tinham um pouco mais de posses, que não vieram para fazer a América, propriamente dita, mas sim para se estabilizarem como profissionais.”
Quanto à homenagem que estão recebendo, a vice-presidente fala que sente muito orgulho de poder representar a sua descendência e que, certamente, seus antepassados talvez nunca imaginassem que seriam tão reconhecidos séculos depois. Ela aproveita para fazer um convite. “Venham nos visitar no Centro Cultural, na travessa dos Afonsos, número 48, sala 14”.
Outro membro do Centro Cultural, o diretor de divulgação, Cláudio Gabiatti, salienta a importância que tem esta comemoração da Fearg/Fecis em relação a história italiana, visto que a população italiana compreende 60 milhões de habitantes, e há 30 milhões de descendentes no Brasil. No Rio Grande do Sul, certamente são mais de dois milhões, o que demonstra o quanto esta cultura é incorporada na terra brasileira.
Com muita propriedade, Gabiatti ressalta que os italianos estão no Estado desde a sua formação, pois basta lembrar a Revolução Farroupilha e seus personagens, como Garibaldi. Exatamente nesta zona, que inclui Santa Vitória do Palmar e Bagé, que são áreas de rizicultura no Brasil, a cultura foi fundamentalmente implementada pelos imigrantes italianos, pois havia a tradição do arroz na Itália, o que é comprovado nos nomes dos próprios produtores, como Alcelli, Loréa, Jacob, Marsilli e outros.
Gabiatti diz se sentir muito honrado por fazer parte da história brasileira, mas relembra que, quando guri, 25, 30 anos atrás, ser chamado de italiano era ofensa. “Assim como faziam piadas como alemão batateiro, tinha o italiano polentero. Infelizmente era uma forma de racismo, de bullying, de preconceito”.
Como legítimo ítalo-brasileiro, ele encerra a entrevista com uma frase em italiano, traduzindo-a para o português: “I miei amici venire in questa fiera che è molto bello e tu saranno molto Felice (meus amigos, venham a essa feira que está muito bonita e vocês ficarão muito contentes)”.
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