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03-07-2015

Recortes da 37ª Fearg e 20ª Fecis


Foto: Izabel Machado/JTR Kauã dos Santos Oliveira e Nicolly Botelho Perazzo, pequenos leitores na Livraria Ler para Entender

Uma Feira para todos os gostos e entretenimentos, basta fazer um passeio por cada espaço para perceber a diversidade que a festa está oferecendo a seus visitantes


O livro persiste na Era da Informática



No setor da Fecis, em um de seus pavilhões, foi possível perceber que o livro ainda se mantém de pé, mesmo com toda a pressão da tecnologia atual.


A livraria Ler para Entender é um dos estandes dessa Feira, recebendo muita visitação de todas as idades, principalmente das crianças, o que causa grande satisfação ao seu proprietário, Nilstor Rame, por perceber que o livro, como peça concreta, continua atraindo leitores.


Expondo há cerca de seis anos, Rame comenta que tem uma clientela fiel, que o acompanha por muitos anos, pois ele busca sempre divulgar em todos os locais possíveis e adequados o seu produto, enfatizando a importância e o valor dele na educação.


E o gosto da leitura realmente não tem idade, fato comprovado ao observar os pequeninos leitores, ainda que só das ilustrações, Kauã dos Santos Silveira e Nicolly Botelho Perazzo, ambos de quatro anos, de Rio Grande, folheando livrinhos infantis com muito entusiasmo.


Com a banca cheia de clientes, o empresário convida a todos para vir até seu estande e viajar no tempo através das letras e das imagens que cada livro oferece.


Casa da Nona


No pavilhão da Fecis é possível saborear iguarias italianas através de uma visita ao estande Casa da Nona, proveniente da cidade de Rolante. Segundo o seu proprietário, Carlos Reis, esta é a sexta edição em que participa.


Entre salaminhos, queijos, vinhos e sucos de uvas, entre tantas outras delícias italianas, Reis faz questão de comentar que este ano a estrutura está bem melhor do que a da edição anterior, com muita organização, espaço amplo, bem localizado e arejado.


Reis conta que, para este evento, traz o que tem de melhor em termos de produto, pois trabalha com produtos orgânicos como uva e amora, sem agrotóxicos, e juntamente a estes,  agrega o queijo, salame italiano, geleia e vinho.


Ele esclarece que esta é uma produção da agricultura familiar e também própria, sendo praticamente uma produção artesanal, manual.


O empresário diz que o povo de Rio Grande é um bom consumidor que, além de ser exigente em suas escolhas, sabe apreciar mercadorias de qualidade, sendo criterioso.


Entre tantos produtos, o suco de uva é um dos mais vendidos. Depois, vêm os queijos, vinhos e rapaduras, entre outros produtos da região.


Em meio a uma brincadeira, Reis diz que o povo de Rio Grande é como abelha. “Primeiro vem aquela grande quantidade para conhecer, pesquisar e, então, após essas etapas, se agradar, compra.”


Como mensagem para todos da Feira, o produtor diz que o futuro é promissor e que as pessoas devem acreditar numa vida melhor, na esperança de alcançar o que buscam.


Doces Vó Rozinha diretamente de Canela para a Fearg/Fecis


Entre bolachinhas amanteigadas de todos os tipos e qualidades e doces cristalizados decorando o balcão, estão o proprietário da empresa, Maike Carmona, e sua esposa, Kátia Fernanda Hartmann, que já estão participando do oitavo ano da Feira.


Para o proprietário, este ano se apresenta bem mais organizado em termos de estrutura e logística.


Ele traz para a feira cerca de 30 variedades, entre biscoitos e doces cristalizados do tipo colonial, como o próprio nome sugere. O doce cristalizado é totalmente artesanal, enquanto que o biscoitinho é uma representação, pois é produzido em Minas Gerais, que já possui tradição em amanteigados.


Quanto a contabilização de mercadorias, fica em torno de 1 mil e 200 quilos.


Para o casal, é uma satisfação estar somando com os demais empresários, pois além do lucro, existe a receptividade por parte da população rio-grandina.


Cultura: herança africana na 37ª Fearg e 20ª Fecis


A Comunidade Quilombola Macanudo é representada por Maria da Graça da Silva Amaral, bisneta do escravo alforriado Gregório Amaral, que veio do Maranhão para Rio Grande por volta de 1840, onde adquiriu terras na Vila da Quinta, mais precisamente na Lomba da Quinta, onde se fixaram de 1840 a1982.


Estas famílias foram fruto de pesquisa da Fundação Universidade de Rio Grande (FURG), que levou ao reconhecimento pela Fundação Palmares como a primeira remanescência de quilombos da cidade de Rio Grande.


Maria fala com os olhos cintilando de orgulho por seu povo ter tido este reconhecimento e, sentada no seu estande, espera todos os visitantes para dividir com os mesmos um pouco da cultura africana, tão presente no Brasil.


O artesão mais antigo da Fearg/Fecis marca presença na festa cultural


A arte em movimento, com seu ofício de artesão desde a primeira Feira, é o que conta o presidente da Associação de Artesãos de Rio Grande, Volmer Quaresma.


Ele participou de todas as Feargs, e diz que este projeto começou com o Artista vai à Praça, na praça Xavier, aos domingos. Então surgiu a ideia de fazer o projeto também na Fearg.


Quaresma relata toda a trajetória das Feargs até a atual, e diz que se sente patrimônio da própria Feira, salientando com orgulho que é presidente dos Artesãos há cerca de oito anos.


Ele também faz questão de destacar que, enquanto para muitos o artesanato é hobby, para ele sempre foi tratado como profissão. Com este ofício, conseguiu formar três filhos. O lema da Associação é Compromisso e Disciplina.


Quaresma começou a trabalhar com 13 anos no ramo de artigos de vime e, de lá para cá, busca cada vez mais inovar em suas peças, pois além do conhecimento e do talento, existe a paixão, que é o alimento da criatividade. Isto lhe rendeu, e continua a render, exportação de seus bens para fora do país, como por exemplo, para a Alemanha.


E com um sorriso largo e de semblante tranquilo, ele finaliza a conversa convidando a todos para visitarem o espaço coletivo do artesanato, que apresenta muita criatividade para todos os gostos.


Apenas Nei dos Barcos


Um artista que, com suas mãos, e certamente com sua imaginação, transforma simples palitinhos de picolé em embarcações suntuosas, lustres e barquinhos diversos. Este é Nei dos Barcos, um rapaz de postura serena e olhar fixo, um tanto quanto incógnito, vencendo barreiras, talvez até se superando.


Ele provavelmente seja o retrato da Fearg/Fecis, que concede espaço para todas as pessoas que acreditam em seu potencial, trazendo para esta festa um pouco da sua trajetória profissional e/ou artística.


Sussurrando palavras, por não conseguir falar num tom mais alto, ele comenta que é muito feliz fazendo estes objetos, construindo um a um a partir de sua imaginação e também da própria observação do que visualiza na Noiva do Mar.


Levando um tempo de, no mínimo, dois meses, ele se entrega à sua criação, esperando atrair a compreensão do público para a sua linguagem mais direta, a arte.


A gastronomia marca seu espaço no evento


Como em toda a festa, a culinária não pode faltar, e é exatamente o que se verifica na gastronomia da Feira, onde se encontram gostos e sabores para todos os paladares.


Desde o quentão, personagem típico do inverno, até o pancho, prático e suculento, desfilam também estandes de pastéis, trailers de churrasquinhos e festas de drinks, uma variedade para atender a todos os visitantes.


E como a Feira é composta basicamente de artesanato e comércio, as criações ficam por conta de seus proprietários.


Desse jeito, suave como a brisa do mar e dinâmica como as ondas do Cassino, a Fearg/Fecis convida a todos a navegarem nas águas da Noiva do Mar para conhecer um pouco mais deste povo com cheiro de maresia e sabor de sal, mas que com doçura acolhe a todos.


 


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