Domingo, 28 de junho de 2026, 14:17h
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Caminho Pomerano mostra aos visitantes o casamento com a noiva de preto e o convidador
Noiva de preto e o colorido convidador são personagens peculiares de uma tradição viva na memória dos descendentes lourencianos
De toda a riqueza cultural trazida na bagagem pelos imigrantes alemães e pomeranos que colonizaram São Lourenço do Sul, certamente o casamento pomerano é a que mais chama a atenção por suas peculiaridades. A começar pela noiva vestida de preto e pelo colorido e divertido convidador.
A história conta três versões para o traje preto da noiva. O mais provável é que seja um protesto, já que ainda na Pomerânia, as jovens passavam a noite de núpcias com os senhores feldais, o que motivava o manifesto de revolta e protesto. Outra razão seria a pobreza dos pomeranos. O tecido preto era o mais barato e, nesta cor, o vestido poderia depois ser utilizado em outras ocasiões, como batizados e cultos.
Quem conta estes detalhes é José Carlos Neutzling, proprietário do sítio Flajoke, primeira parada do roteiro turístico Caminho Pomerano. Carlinhos, como é conhecido, reúne a família para apresentar o casamento pomerano aos turistas e se diz um apaixonado estudioso da cultura deste povo. O costume do vestido preto acabou vindo junto dos imigrantes na bagagem, mas o verdadeiro motivo é desconhecido. O mais provável é mesmo o protesto pela noite com o senhor feldal. “Mas era só esta noite”, explica Carlinhos. Há, ainda, um terceiro e pouco provável motivo, de que as jovens vestiam-se de preto como rainhas. “Naquela época, apenas as rainhas usavam preto, como era assim que elas se sentiam no dia do casamento, usavam preto”, diz Carlinhos, sem creditar muita verdade a esta possibilidade.
A encenação do casamento no sítio Flajoke dá bastante destaque também ao convidador, uma figura colorida e divertida do casamento que Carlinhos faz sempre questão de interpretar. Este era um papel que cabia sempre ao irmão mais novo da noiva. A cavalo, o jovem ia até as casas e fazia oralmente o convite para o casório. Como esta era considerada uma atividade importante, os convidados lhe davam dinheiro como pagamento e confirmavam a presença na festa prendendo na roupa ou chapéu do convidador uma fita, um retalho de tecido colorido.
Na encenação do casamento no sítio Flajoke, o convidador não tem cavalo e sim uma bicicleta. Inicialmente pode parecer uma adaptação, mas há um bom motivo para isso. “Em 1967, quando eu era novinho no Boqueirão, chegou na nossa casa um convidador de bicicleta”, diz Carlinhos, dando significado a adaptação na encenação que ele conta ser uma festa: “As pessoas se divertem muito, nós fazemos muitas brincadeiras e escolhemos o noivo sempre do grupo visitante. São momentos muito divertidos quando recebemos os visitantes”, conta o empreendedor.
Outras curiosidades do casamento pomerano
Além da noiva de preto, já não mais vista nos dias atuais, e do covidador, o casamento pomerano é cheio de simbolismos e muitos costumes ainda preservados. É o caso do irmão que vai para o forno. Se ao irmão mais novo e solteiro cabia o papel de convidador, ao mais velho, é claro, esperava-se já ser casado. Mas se não fosse casado, ele era colocado no formo e passava a festa ali, numa forma de castigo por não ter casado antes do mais jovem. E ainda hoje o divertido costume é mantido, muitas vezes adaptado para brincar com o irmão solteiro. A dança da vassoura, uma oportunidade para que muitos convidados dançassem com os noivos, também é tradição ainda presente em muitos casamentos lourencianos.
Mas é a dança do bolo que se mantém fortemente viva localmente. É raro um casamento sem dança do bolo em São Lourenço do Sul. A história conta que a dança era feita com um sorteio do bolo entre aqueles que contribuíam com algum dinheiro para pagar a banda que animava a festa. O tempo passou e hoje a colaboração é para ajudar os noivos a pagarem a festa, para a viajem de lua de mel, ou simplesmente por uma tradição que se adaptou, mas mantêm-se viva na comunidade que preserva costumes que desembarcaram em São Lourenço do Sul há quase 200 anos.
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