Domingo, 28 de junho de 2026, 14:18h
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A distância da família, causada pela rotina da profissão, não tira o sorriso de Vinicius Farias, que tomou gosto pela vida nas estradas desde jovem
Seriado Carga Pesada influenciou Vinicius Farias, de Piratini, na escolha de sua profissão
Quando criança - e em frente à televisão -, ouvir Renato Teixeira cantar “Eu conheço cada palmo desse chão, é só me mostrar qual é a direção”, verso da canção Frete, abertura do seriado Carga Pesada que ilustrava as aventuras de caminhão de Pedro (Antônio Fagundes) e Bino (Estênio Garcia), só aumentava o sonho do então garoto Vinicius Andrade Farias, hoje com 40 anos, de que um dia cortaria o país de ponta a ponta transportando o progresso do Brasil sobre rodas.
O tempo passou e as conversas sobre as aventuras do sogro Valdemar, hoje falecido e que também ganhou a vida na boleia de um caminhão, se transformaram em idas e vindas pelo território Brasileiro a fora.
Da profissão de motorista, Farias fala com orgulho. “Carga Pesada me influenciou. Desde moleque era o que sonhava para mim e hoje o caminhão é o que dá o sustento para minha família. Sinto-me orgulhoso por conhecer cada dia um lugar diferente e fazer amizades em todos os cantos. A estrada também é companheirismo e a liberdade não tem preço”, sintetiza o motorista.
Mas a profissão tem seu ônus. Atualmente, ele transporta madeira e não fica mais de 15 dias fora de casa. Porém, em outras safras, como a de soja e milho, ele recorda que são até 70 dias dormindo em boleia de caminhão, fazendo refeições improvisadas e tomando banho em postos de gasolina. Nessa época, a saudade da filha Aila, de 13 anos, e da esposa Gilceléia, se soma às demais dificuldades impostas pelas longas distâncias no asfalto.
“É gratificante, mas também é uma vida dura. Porém, também necessária porque o caminhoneiro transporta do lápis para o estudante ao alimento necessário para todos nós. Isso não reduz a saudade da família, que tento amenizar ligando para casa e olhando as fotos que carrego no celular”, conta o motorista que continua revirando as memórias: “Nas andanças, vejo filhos viajando com os pais e, muitos destes, brincam ao volante quando possível o que significa que a profissão vai ser passada de pai para filho e vai ter sequência”.
Para quem fica em casa, a torcida e as orações são para que tudo sempre ocorra bem, mas quando o calendário permite, a família viaja junta. “Na última páscoa, fomos encontrar ele no caminho e seguimos viagem juntos. Agora, só estamos aguardando as férias de nossa filha para novamente embarcar”, garante Gilciléia, que do sonho à realidade acompanha o marido há duas décadas. “Entre namoro e casamento lá se vão 20 anos. Durante todo esse tempo e até os últimos dias do meu pai, a conversa entre eles era sobre as aventuras na estrada. É o sonho dele, por isso eu apoio. A questão da distância não é novidade para mim, já que cresci com meu pai fazendo a mesma coisa. Eu sei que ele vai estar por aí trabalhando e nós com ele em pensamento”, finaliza a esposa.
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