Domingo, 28 de junho de 2026, 13:33h
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Glauber Davi Maltzahm tem 32 anos e herdou o gosto pelo trabalho do pai, que está no transporte de leite desde 1985
Poucas pessoas imaginam o percurso percorrido pelo leite da casa dos produtores, na zona rural, até a Danby Cosulati (Cooperativa Sul Rio-Grandense de Laticínios), em Capão do Leão. Este percurso é feito através de motoristas encarregados que, diariamente, acordam cedo e andam muitos quilômetros pelos municípios da região, fazendo o elo de ligação entre a produção e a Cooperativa. Um dos responsáveis por esta união é Glauber Davi Maltzahm, que explica que este trabalho exige uma enorme responsabilidade, já que o compromisso é nos 365 dias do ano. O motorista é o encarregado da Rota 20, que inclui Pelotas, São Lourenço do Sul, Arroio do Padre e Turuçu. O trabalho é feito com três caminhões, dirigidos por ele, pelo pai, e por um outro motorista. Na rota feita por eles, costuma ocorrer uma alternância: um dia o serviço é feito por um caminhão, e no dia seguinte, pelos outros dois. Isso ocorre devido a produção da rota. Atualmente, em todas as rotas, são atendidos cerca de 60 produtores. “Há variação. Tem produtores em que se carrega 30 litros, enquanto outros chegam a 1.500 litros”, diz. Ele é natural de São Lourenço do Sul, onde também reside, fazendo o caminho de ida e volta quase todos os dias.
Maltzahm herdou o gosto pelo trabalho do pai, que realiza o serviço desde 1985. Na Cosulati, eles estão há aproximadamente sete anos. “Comecei indo junto com o meu pai quando tinha 14 anos. Estudava à noite e trabalhava de dia”, relata ele, que tem 32 anos. Antes de entrar na Cosulati, eles também transportavam leite, porém, para outras empresas. Maltzahm conta que a entrada do pai no transporte do leite aconteceu por necessidade, por ter sido a oportunidade que surgiu na ocasião. Ele, no entanto, seguiu o mesmo caminho por opção, por gostar do trabalho. “É um serviço que a pessoa precisa gostar. É uma responsabilidade e um compromisso. Não tem hora. Se o despertador tocar às 3h30, se tiver que sair à 1h, se estiver ou não chovendo, se for ou não feriado... não interessa. Tu tens que fazer o serviço”.
Quando o caminhão chega na Cosulati, ele passa por uma balança para pesar a carga. Depois de descarregar, o veículo passa novamente pela balança. A litragem de cada produtor, porém, já vem anotada, pois ao chegar na propriedade, o transportador mede a quantidade de litros de leite, além de fazer os testes necessários, como a medição da temperatura e a acidez. Antes de carregar o líquido, é preciso coletar uma amostra para no caso de, ao chegar na Cooperativa ocorrer algum problema, os testes serem feitos nas próprias amostras antes do caminhão descarregar novamente. “Caso ocorra algum problema, essas amostras de cada produtor são analisadas para investigar onde este problema está. Mas não estamos tendo esses problemas ultimamente. O pessoal está bem consciente”. De acordo com Maltzahm, os produtores têm obrigações. Ao dar determinados medicamentos a um animal, por exemplo, eles precisam esperar um certo tempo para entregar o leite à Cooperativa.
A rotina do transportador costuma começar às 4h e se encerrar por volta das 14h, quando chega na sede da Cosulati. A coleta do leite costuma terminar por volta das 12h30. No dia em que concedeu a entrevista ao Jornal Tradição Regional, ele e a esposa, Aline Hall Maltzahm, parceira também no trabalho, atenderam cerca de 30 produtores, o que representa aproximadamente 250 km percorridos. A quantidade de leite levada para a Cooperativa varia de acordo com o período, mas a média fica em torno de 8,5 mil litros diariamente.
As maiores dificuldades enfrentadas são as estradas em dias de chuvas. A situação das estradas, segundo o motorista, tem algumas diferenças de acordo com o município. “Nos municípios menores parece haver uma facilidade maior de se ter acesso. Mas um dos grandes problemas é a falta de verbas e maquinário”. Há quatro anos, devido a situação de uma estrada, o caminhão utilizado por ele tombou no interior de Pelotas. “Mas não quer dizer que isso ocorra somente em Pelotas. A situação é geral”. Ele explica que esse tipo de transtornos pode atrapalhar o funcionamento do serviço na rota, já que o transporte do leite se assemelha a uma linha de ônibus, com o produtor acostumado a receber a visita do transportador em determinados horários.
Um dos aspectos positivos apontados por Maltzahm neste trabalho é a amizade feita com os produtores, já que o contato é diário. Quem corrobora a afirmação é o extensionista rural da Danby Cosulati, Waldir Sperling, que afirma que o elo entre os transportadores e os associados é muito forte. Ele exemplifica dizendo que os convites para um evento que iria ocorrer na semana da entrevista em Canguçu estavam sendo entregues pelos transportadores aos produtores.
Para Maltzahm, o transportador cresce junto com a Cooperativa. “O trabalho é fazer uma ponte entre o produtor e o departamento técnico. Nós, às vezes, sabemos mais da realidade do produtor que os próprios técnicos, muitas vezes os informando para fazerem visitas nas propriedades. Já trabalhei fazendo o transporte para outra empresa, mas é um sistema muito diferente da Cosulati. A Cooperativa fornece muita ajuda aos produtores, e assim fica bom para a gente trabalhar também”, finaliza.
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