Domingo, 28 de junho de 2026, 13:38h
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Na zona rural de Pelotas, no 3º distrito, um pequeno produtor se destaca na produção de leite e, contrariando o êxodo rural que pode ser visto na região através de inúmeras casas abandonadas, não troca a colônia pelos centros urbanos. Daniel André Scheer tem 38 anos e é associado da Cooperativa Sul Rio-Grandense de Laticínios Ltda (Cosulati), estando à frente da produção de leite há sete anos, embora, como lembra, desde que se entende por gente auxilia o pai neste trabalho. “Praticamente desde os 15 anos eu tinha que trabalhar bem”, diz ele, que é morador da colônia São Pedro, onde nasceu e sempre viveu.
Na propriedade de Scheer, considerada diversificada, já que também produz soja, milho, e algumas frutas, a média de produção de leite ao ano é de 60 mil litros, resultado de aproximadamente 12 animais produzindo no local, que possui 25 hectares. O processo de produção é feito através da plantação de milho que, após ser colhido, se transforma em silagem. É preciso também comprar as pastagens e a ração, que é da própria Cosulati. Uma das principais dificuldades no ramo, de acordo com o produtor, é o preço do leite. “É o custo de produção em relação ao valor que se recebe. Tem alguns produtores que estão parando porque se torna inviável. Tem muitas propriedades pequenas, onde é difícil aumentar a produção. Não adianta, em uma propriedade de 10 hectares, querer colocar 100 vacas”, explica. Apesar disso, ele afirma que, quem vende para a Cosulati, recebe bastante incentivos para continuar na produção, podendo, por exemplo, comprar adubos e sementes financiados em quatro vezes. “Se torna mais fácil para quem é cooperado. A Cooperativa tem semente de aveia, azevém e assistência veterinária 24 horas. Para quem não faz parte fica cada vez pior”, explica, lembrando a rapidez do atendimento que recebe quando necessário. “O atendimento deles é muito bom. Conforme chama, eles estão aqui”, conta o pai de Daniel, Pedrinho Ireno Scheer, envolvido na produção da família. Além dele, os outros membros da família também ajudam, como é o caso da esposa de Pedrinho, Dina, que aduba as pastagens e cuida da silagem que alimenta as vacas leiteiras.
A produção de leite é vendida toda para a Cosulati, que industrializa a produção e comercializa no mercado. Scheer, como cooperado, recebe uma parte do valor da venda, conforme a qualidade do produto e volume dele. “Hoje, quem informa o preço do leite é também o produtor, pelo volume e pela qualidade. Quanto maior o volume e a qualidade, ele terá um preço melhor”, completa o extensionista rural da Cosulati, Waldir Sperling. Ao fim do ano, é feito o repasse das sobras (em cooperativas não se diz lucro) aos associados, também conforme o volume e qualidade de cada produtor.
O pai do produtor, Pedrinho, também ressalta que, entre as dificuldades encontradas atualmente no setor, está a alteração do leite ocorrida nos últimos meses no Rio Grande do Sul com ureia. “Isso cai no nosso bolso”, diz. Para Daniel Scheer, isso afetou a todos os produtores do Estado, já que, segundo ele, haviam locais no Brasil dizendo que não compravam mais leite do Rio Grande do Sul, mesmo de produtores como ele, que produz com alta qualidade.
Sobre o êxodo rural, ele que é pai de três filhos, diz que o que mantém a família no interior é a liberdade e a autonomia. “Aqui o sujeito sabe que é o dono do negócio, diferente de quando vai para a cidade, onde será empregado de alguém. Aqui eu fico como patrão”, brinca. Já Sperling diz que, para estar na produção, é preciso ter AMOR (alimentação, manejo, organização e raça).
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