Domingo, 28 de junho de 2026, 04:57h
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Consciente e sem os efeitos devastadores provocados pelo uso de uma das drogas mais degradantes que existem, uma mulher de 44 anos aguardava em uma das salas da Delegacia de Polícia Civil os desdobramentos da ocorrência envolvendo seu fornecedor de crack, de 17 anos, detido pelos agentes em uma operação na noite da quarta-feira (2).
Além de colaborar com a investigação, sua permanência por horas na DP tinha outro objetivo: reaver a televisão que, junto com a cozinha completa, foi trocada pela droga. “Eu estava sem dinheiro e quando isso acontece deixo meus bens com ele até que eu consiga a grana”, explica a mulher, que pediu para ter a identidade preservada com medo da interferência do Conselho Tutelar, o que pode acarretar na perda de guarda de seu casal de filhos, com 9 e 12 anos.
Viciada há anos, ela conta que migrou da cocaína para o crack devido à “branca” não fazer mais efeito. “Quando tenho dinheiro vai R$ 500, até R$ 1 mil em pedra. O efeito é que ele te deixa calma, não sinto fome e, por um momento, você esquece os problemas, mas quando não tem a droga, nem dinheiro para comprá-la ou algo para dar em troca, o efeito da abstinência é horrível”, revela.
Ela conta que em janeiro deste ano conseguiu comprar uma casa e, com medo de se desfazer do patrimônio em nome do vício, efetuou o registro da residência em nome dos filhos.
Na sua concepção a internação para tratamento só adiantaria se fosse a longo prazo, pois na ala dedicada para este fim no município já foi internada por uma semana, o que de nada adiantou para reduzir a vontade de utilizar a pedra. “Acredito que no meu caso só terá resultado se eu ficar de sete a oito meses. Quero estar livre do vício por causa dos meus filhos. Eles têm sonhos. Minha filha quer ser juíza e meu filho marinheiro, e como educação começa em casa, sei que não estou dando um bom exemplo”, encerra.
Redator: Tradição Regional
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