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30-10-2015

Clube Cruzeiro, em Canguçu, inova ao fazer manutenção da piscina sem retirada de água


Foto: Diego Vilela Mergulhador profissional há 23 anos, Nelson de Luccas Junior faz a substituição de 100 azulejos para liberar a piscina para a temporada de verão

Método ainda novo na Região Sul é considerado ecologicamente correto por evitar o desperdício de água e por reduzir resíduos


Fazer a substituição de 100 azulejos em uma piscina de alvenaria semiolímpica, com dimensões de 12 metros de largura por 25 metros de comprimento, sem retirar a água contida nela. Parece estranho? Pois este é o serviço que está sendo feito desde o dia 21 pelo mergulhador profissional Nelson de Luccas Junior, 41 anos, no Esporte Clube Cruzeiro, em Canguçu.



Ele atua há 23 anos como mergulhador profissional, após realizar curso pela Divers University, localizada na cidade de Santos (SP). Esta é uma das duas escolas credenciadas pela Marinha do Brasil no país para oferecer o curso, a outra fica no Rio de Janeiro. Ele é proprietário da De Luccas Manutenção Submarina, cuja sede funcionava na cidade de Monte Mor (SP) até o final do ano passado. Em janeiro deste ano, a empresa se instalou em Pelotas, mas continua operando no interior paulista.


O Jornal Tradição Regional esteve no Clube Cruzeiro para acompanhar o trabalho considerado pioneiro na Região Sul. “Em piscinas, faço a substituição de azulejo quebrado, trincado ou rachado que ofereça risco de corte às pessoas, além da reposição de rejunte, instalação de ralo e grades de prevenção para sucção e aplicação de filtro”, diz.


Em Pelotas, estão na lista de clientes os clubes sociais Diamantinos e Dunas, o Esporte Clube Pelotas, além de áreas particulares. Já na área naval, o mergulhador faz manutenção de portos e limpeza de embarcações. “Onde tem água, nós estamos dentro”, brinca o profissional. Mas, afinal, como é feito este serviço sem retirar toda a água que está dentro da piscina? “Uso uma massa especial para rejunte, que é a mesma usada pela Petrobras para fazer manutenção em portos e embarcações. Ela é feita à base de resina epóxi [de alta espessura e elevada impermeabilidade], especialmente para colar azulejos. O tempo de cura da peça é de 24 horas, mas em 30 minutos o azulejo consertado já está liberado para uso”.


Segundo ele, o serviço é considerado ecologicamente correto, pois não gera excesso de resíduos. “Há economia de água, energia e tempo, além de considerar o impacto ambiental causado pelo descarte da água para encher novamente uma piscina deste tamanho”, avalia. Ainda são apresentadas outras vantagens. “O trabalho não atrapalha o andamento do clube. É possível, por exemplo, a realização de aulas de natação na piscina no momento em que ela é consertada, já que o mergulhador precisa apenas isolar um raio de poucos metros onde está trabalhando”.


Em um trabalho realizado em outro município, foram necessários apenas 15 dias para fazer a substituição de 250 azulejos sem interromper as aulas de natação do local. O clube que contratou o serviço informou que, em outra ocasião, quando utilizou o modo usual de esvaziar a piscina para fazer o conserto, houve necessidade de interdição por três meses. No Esporte Clube Cruzeiro, no momento da entrevista, ele informou que já haviam sido substituídos 50 azulejos, de um total de 101 identificados com problema. O trabalho tinha previsão de conclusão na sexta-feira (30) e estava sendo acompanhado de perto pelo presidente do clube, Gilnei Belletti. “Queremos oferecer maior segurança ao associado e prevenir acidentes na piscina”, afirma o mandatário.


Por falar em segurança, Nelson de Luccas faz uma observação sobre outro problema recorrente quando uma piscina é esvaziada. “Normalmente, o concreto se dilata quando a temperatura está alta e se contrai quando ela está baixa. Isso pode causar vazamentos e rachaduras na estrutura de alvenaria e até oferecer risco de corte ou acidente aos usuários”, avalia o profissional, que também faz manutenção em piscinas de fibra.


Na piscina do Cruzeiro, ele chega a ficar submerso durante seis horas por dia. Para isso, usa um compressor de ar adaptado e ligado à energia elétrica, que lhe permite respirar sem fazer esforço. Um cinturão de lastro amarrado à cintura pesando 12 kg o deixa fixado no fundo da água. “O maior problema é o frio. Uso esta roupa de neoprene, que enche de água quando eu mergulho. O corpo esquenta quanto está na água e, como não há troca de temperatura, é possível se manter quente por um tempo”.


Temporada de verão


A temporada de verão do Esporte Clube Cruzeiro inicia no dia 15 de novembro. A piscina deve ficar aberta diariamente, das 9h às 12h e das 14h às 20h. Mais informações para título da piscina podem ser obtidas na Secretaria do Clube (rua Teófilo de Souza Matos, 331, no Centro) ou pelo telefone (53) 3252-1391, em horário comercial.


De Luccas Manutenção Submarina


O contato com o mergulhador Nelson De Luccas pode ser feito pelos telefones (53) 8122-0114 (WhatsApp), 9183-8166, 8437-5497 e 9707-8527, pelo e-mail [email protected] ou ainda pelo perfil no Facebook.


Redator: Tradição Regional



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