S�bado, 27 de junho de 2026, 09:12h
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As cheias que se verificaram no mês de outubro em Pelotas, alcançando proporções não testemunhadas há décadas pela população, registraram atendimento a 1.300 famílias de moradores do Laranjal (loteamentos Valverde, Novo Valverde e Pontal da Barra), da Colônia de Pescadores Z-3, da Barra e das Doquinhas. Agora não há mais desabrigados.
Centenas de pessoas, entre os que foram abrigados em pontos oficiais, os que se alojaram em casas de parentes e amigos e os necessitados, receberam 3.200 kits de alimentos (aproximadamente 54 toneladas), distribuídos sob coordenação da Secretaria de Justiça Social e Segurança (SJSS), além de 62.700 litros de água potável e 38 toneladas de roupas (equivalente a 7.800 sacolas).
Noventa e seis servidores da SJSS, entre guardas municipais, assistentes sociais, educadores sociais, serviços gerais, psicólogos, motoristas, cargos de confiança e outros, estiveram mobilizados em equipes de atendimento aos atingidos pelas cheias, além de mais de cem voluntários, pertencentes a grupos jovens de igrejas, escoteiros, militares, Cruz Vermelha, funcionários da prefeitura e outros, de acordo com relatório elaborado pelo secretário Tiago Bündchen.
O pico mais crítico das enchentes foi registrado do domingo 18 de outubro para a segunda-feira 19. As chuvas intensas que se verificaram naquele fim de semana, somadas à descida das águas excedentes do Guaíba para a Lagoa dos Patos e das da Lagoa Mirim e rios Piratini e Jaguarão para o canal São Gonçalo, foram responsáveis por um cenário desolador.
Na laguna, a régua de medição (de 180 cm) ficou submersa, assim como grande parte do estrado do trapiche do Valverde, sendo que a altura considerada normal para este período seria de 60 cm. Na avenida Dr. Antônio Augusto Assumpção Júnior, a água invadiu o calçadão e beirou ao shopping Mar de Dentro. O arroio Sujo, na Z-3, transbordou, alagando aquela área. Uma das cabeceiras da ponte chegou a ruir.
A água da Lagoa dos Patos, impulsionada pelo vento, invadiu e destruiu a estrada de acesso à Barra, isolando aquela comunidade. Os loteamentos Valverde, Novo Valverde e Pontal da Barra, assim como diversas vias de 60 quarteirões, foram tomados pelas águas espraiadas do canal São Gonçalo, que chegou a atingir a marca de 2,20 metros (o nível considerado normal para outubro é 1,20 metro).
Para o responsável pela Defesa Civil em Pelotas, Paulo dos Santos, aqueles foram os piores momentos. “Os pedidos de resgate não paravam e enfrentamos grandes adversidades para ir até as pessoas. Barcos eram o único meio de transporte possível de ser utilizado”, recorda. A CEEE, a pedido da Defesa Civil, cortou a luz de 1.956 moradias para evitar riscos. Hoje, todas estão religadas à energia.
As cheias envolveram diretamente as secretarias de Justiça Social e Segurança (SJSS), de Habitação e Regularização Fundiária (SHRF), de Qualidade Ambiental (SQA), de Saúde (SMS), de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI) e Sanep. A Administração do Laranjal, à avenida José Maria da Fontoura, nº 775, foi transformada em “quartel general”, com plantões permanentes de arrecadação e distribuição de gêneros alimentícios, água, materiais de limpeza e higiene, colchões, roupas, cobertas e calçados, bem como prestação de serviços de assistência e atendimento a chamadas.
Avaliando o cenário de destruição e comprometimento, assim que obteve os dados para assegurar a medida – comprovação de um prejuízo de cerca de R$ 40 milhões -, o prefeito Eduardo Leite decretou Situação de Emergência, no dia 20 de outubro. O decreto não demorou a ser homologado pelo Governo do Estado e reconhecido pela União, através do Ministério de Integração Nacional.
Todos os setores da prefeitura envolvidos nas consequências das cheias mobilizaram-se no levantamento dos prejuízos públicos e privados causados pelas fortes chuvas, com o objetivo de documentá-los e, desta forma, viabilizar o acesso a recursos federais específicos para a recuperação dos pontos atingidos e, ainda, à liberação do Fundo de Garantia (FGTS) às pessoas que precisam de maior suporte financeiro para obras em suas moradias e reposição de perdas.
Tão logo foi possível, tecnicamente, o acesso às partes mais atingidas do Valverde, (domingo 25/10), o prefeito Eduardo determinou o reforço e a ampliação de um dique emergencial, com aproximadamente dois quilômetros de comprimento e três metros de largura, entre o banhado e as áreas com moradias. A obra facilitou o escoamento da água excedente na área habitacional.
Em ritmo de reconstrução, a Secretaria de Serviços Urbanos e Infraestrutura (SSUI), através Administração do Laranjal, de domingo (1º) até ontem (5), recolheu 72 cargas de juncos e aguapés acumulados na orla da laguna, bem como 13 cargas de móveis e materiais inservíveis descartados pelos moradores em via pública. A SSUI, neste período, já disponibilizou 1.190 metros cúbicos de saibro, somente para os balneários, além de outras cargas fornecidas para a colônia Z-3. Frentes de trabalho estão atuando no patrolamento e ensaibramento das ruas atingidas pelas cheias, para recuperar o Laranjal o mais rápido possível.
A assessoria de comunicação da Prefeitura (Ascom), desde o início do episódio, manteve a população oficialmente informada sobre desabrigados, desalojados, níveis da Lagoa dos Patos e do canal São Gonçalo, bem como de todas as ações e serviços desenvolvidos pelas secretarias e Defesa Civil. Os boletins eram atualizados diariamente, duas ou mais vezes.
Redator: Assessoria de Imprensa
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