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26-02-2016

Especial: Artesanato em lã, uma atividade que une habilidade e dedicação


Foto: Arquivo pessoal Processo de secagem dos fios da lã após o tingimento

Quando trabalhadores participam da realização e também prestigiam as principais festas de sua cidade, as histórias são elementos confirmados. Rose Campos, natural de Agudo/RS, mora em Pedro Osório, é artesã há mais de 20 anos e nos últimos quatro anos descobriu a lã como uma nova opção de trabalho no ramo do artesanato. Há cinco edições consecutivas ela expõe seus produtos durante a Expofesta Regional da Melancia e da Agricultura Familiar de Pedro Osório, comercializando, entre outros artigos, as peças feitas em lã em um espaço cedido pela Emater.


Há quatro anos, Rose participou do curso de Tecelagem em Lã promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), através do Sindicato Rural de Pedro Osório e Cerrito, ofertado para uma turma de 14 mulheres que, mais tarde, seriam responsáveis pela criação da Locomotiva da Lã: um grupo predroosoriense que reuniu a amizade e a paixão pela lã em um só lugar, como elas mesmas definem. Atualmente, apenas Rose e Lúcia Guerreiro mantém o grupo em atividade.



Sobre as etapas de trabalho, Rose conta que as fases iniciais de preparo da matéria-prima, a lavagem e a carda – processo em que dois pentes de aço são utilizados para escovar a lã – são feitas na Laneira de Santana do Livramento/RS. “Nós deixamos poucas quantidades da nossa lã merina para trabalhar em casa, manualmente, já que a grande parte vai toda para lá. Depois, retornam as bobinas da lã cardada para fazermos o fio na roca, e, por fim, as peças em lã, tudo de forma manual”, explica.


Os trabalhos de Rose são expostos na feira de artesanato que acontece aos domingos pela manhã na avenida Bento Gonçalves, em Pelotas, e no projeto Rede Bem da Terra, que promove feiras duas vezes ao mês em frente ao campus I da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), uma vez no Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSul) e disponibiliza os produtos na banca do Mercado Central de Pelotas.


Ponchos, casacos, mantas, boinas e tocas são alguns dos destaques na linha de produtos confeccionados pela artesã, onde o setor de vestuário infantil é o mais procurado pelo público. Acabamentos em tricô e em crochê também valorizam as peças produzidas.


“Eu vim de uma região onde a lã não é um artigo presente. Lá [em Agudo] os focos são as plantações de fumo e arroz. Como eu já trabalhava e ainda trabalho com patchwork*, e como meu esposo é ovinocultor, eu resolvi agregar esses dois ‘tipos’ de artesanato”, explica Rose que produz, por exemplo, edredons infantis através do patchwork e utiliza a lã como preenchimento.


Uma função que requer esforços


Segundo a artesã, trabalhar com a lã não é uma atividade fácil. “Ela é um produto diferente. A começar que muita gente já não gosta do cheiro da lã. Depois, tem toda a questão de lavar, cardar, etc, que muitos acham trabalhoso demais e preferem ir na loja, comprar a lã e fazer, sem aquele processo manual com algo que é da tua terra”, diz.


Outra dificuldade enfrentada, segundo Rose, é um conceito deturpado, fruto da falta de informação, a respeito da lã natural por parte de alguns consumidores. “Sentir nojo, dizer que a lã pinica e que é muito quente, quando, na realidade, a lã não aquece porque é isolante térmica são algumas dessas ideias equivocadas”.


Enquanto comenta sobre alguns mitos, Rose revela que o preparo de algumas peças pode ser inovador e inusitado. Um exemplo está no tingimento da lã, que em alguns casos é feito com o pó de refresco artificial, o famoso “Ki-Suco”. “Procuramos utilizar as cores naturais da lã, mas alguns tingimentos são realizados. O tingimento com suco não requer o uso de fixador, que é muito forte, pois a lã absorve a cor na hora”.


Acompanhando os avanços no mercado de trabalho frente à tecnologia, Rose também utiliza a internet para impulsionar as vendas. Através do site brasileiro de compra e venda de artesanato Elo7, ela disponibiliza seus produtos, e ainda os envia, de forma direta, para lojistas do Rio Grande do Sul e também de fora do Estado.


 


*Patchwork, traduzido literalmente, significa “trabalho com retalho”. Trata-se de uma técnica que une tecidos com uma infinidade de formatos variados. O patchwork é a parte superior ou topo do trabalho, já o trabalho completo é o acolchoado, formado pelo topo mais a manta acrílica e o tecido fundo, tudo preso por uma técnica conhecida como quilting ou acolchoamento.


Redator: Tradição Regional



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