13-05-2008
Sanep inaugura obra de tratamento de efluentes
Pelos próximos dois anos as quase sete mil toneladas produzidas por mês de resíduos sólidos em Pelotas terão destinação nova e apropriada. Com investimentos próprios, o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) inaugurou na segunda-feira (12), pela manhã, a nova Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) no atual complexo de sete hectares do aterro sanitário. A nova estrutura orçada em R$ 400 mil entra em funcionamento dentro de 15 dias, tão logo seja encerrada as atividades do espaço que ainda recebe o lixo.
A nova cela de operação �?? conjunto que forma a ETE composto por base de recebimento de resíduos, filtros de tratamento e lagoa de decantação �?? terá capacidade para receber até 250 toneladas diárias de lixo, durante o tempo seu tempo de vida útil. Com esta estrutura, o tratamento do chorume (liquido originado da decomposição dos resíduos) será eficientizado em cerca de 85% para depois ser descartado no meio ambiente. Atualmente a cidade tem uma produção diária variada entre 160 e 180 toneladas: só para se ter um parâmetro de efluentes, uma tonelada de lixo ao longo de um ano produz cinco metros cúbicos de gás bruto e um metro cúbico e meio de chorume por hora.
Durante a cerimônia informal de lançamento da nova infra-estrutura, o diretor presidente do Sanep, Ubiratan Anselmo, destacou as frentes de trabalho que a autarquia tem atuado para tratar do lixo e agradeceu o empenho que a administração tem destinado ao setor de sanemaneto. �??Diferentemente de outras cidades do mesmo porte de Pelotas, nós não temos lixão, no sentido mais pejorativo da palavra e sim um aterro sanitário com excelentes qualidades. Essa nova área que entregamos hoje vai nos dar um suporte por mais dois anos, e com a realização da estação de triagem e compostagem, para qual já está tudo pronto para se assinar contrato de construção, poderemos ter este prazo ampliado, até a definição de um novo local�?�, disse Anselmo.
Ao falar da nova obra, o prefeito Fetter Júnior, pormenorizou os investimentos da Prefeitura em todos os segmentos do saneamento no município e destacou o trabalho dos profissionais técnicos da autarquia que atuaram na elaboração do planejamento e na construção da nova ETE. �??Muitos não percebem o trabalho que fazemos nos bastidores e que podemos até comparar com uma lavoura: primeiro preparamos a terra �?? tivemos de sanar as contas da prefeitura; depois é preciso plantar a semente �?? elaboramos projetos viáveis e necessários; e por fim tem que se cuidar da horta adubando ou injetando dinheiro na obra, sem descuidar da erva daninha que é a burocracia�?�, igualou.
Segundo o prefeito os investimentos nos quatros segmentos de competência do Sanep são históricos: �??creio que em toda história do Sanep nunca se conseguiu tanto recurso para investimentos. Além da drenagem, com limpezas e projetos de casas-bomba para a vila Farroupilha; o esgoto com a construção de duas estações de tratamento (Laranjal e Porto) e projeto para mais três (pelo PAC), o abastecimento com a ampliação da barragem do Sinoti e 20 novos quilômetros de rede na área rural, temos os resíduos que recebem a mesma atenção. E agora abrimos uma nova área com dinheiro nosso e com planejamento dos nossos técnicos. Somando isso tudo dá mais de R$ 40 milhões mais do que o Sanep arrecada por ano�?�, descreveu Fetter, enaltecendo o envolvimento de todos.
A estrutura
Para a conclusão da nova ETE do aterro sanitário foram empregados 75 mil metros cúbicos de argila. A estrutura terá uma área com base impermeabilizada para contenção do lixo; 2,5 quilômetros de drenos subterrâneos para condução do chorume; 21 ductos para a queima de gases e o todo o sistema de tratamento dos efluentes. O aterro foi planejado para ter uma capacidade acolher até 160 mil toneladas ao longo de dois anos, já que a produção de resíduos sólidos domiciliares é crescente.
Operacionalidade e eficiência
Logo abaixo da nova base, o chorume elaborado pelos resíduos será canalizado ao filtro anaeróbio de fluxo ascendente, onde fica por cerca de 12 horas, na seqüência segue para o filtro aeróbio repousando por mais dois dias. Cada filtragem responde pela redução de 60% da carga orgânica do líquido. Depois segue para a caixa de passagem até a lagoa facultativa local em que recebe tratamento por mais 88 dias, para depois ser descartado no meio ambiente ou reaproveitado na irrigação do solo.