Quinta, 25 de junho de 2026, 18:00h
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Excesso de chuvas no feriadão deixaram estragos em todo o interior; Na cidade, cheia do Arroio e alerta com carro de som promoveram pânico na madrugada de Páscoa
Toda a Zona Sul do Estado sofreu com o feriadão chuvoso, mas em São Lourenço do Sul, além dos transtornos e prejuízos, a quantidade de chuvas acabou também gerando pânico na comunidade. Um carro de som colocado na rua, pouco antes da meia-noite de sábado (26), alertando para a suba do Arroio São Lourenço, bastou para promover uma verdadeira correria nas ruas. Foi impossível não lembrar da tragédia de março de 2011, que atingiu 20 mil pessoas e matou 7 durante uma grande enxurrada.
A Prefeitura e suas secretarias, junto com a Defesa Civil, vinham monitorando os vários pontos de risco da cidade e do interior durante o feriadão. No interior, várias localidades tiveram rios transbordando e na cidade, era difícil encontrar uma rua sem alagamento no início da tarde de sábado, quando uma pancada mais forte de chuva chegou. O sábado foi também de muito trabalho para a remoção de várias árvores caídas pela cidade devido aos fortes ventos que também elevaram a Laguna dos Patos que chegou à rua, nos arredores do Hotel das Figueiras. Porém, rápidas aberturas de sol na tarde e o enfraquecimento da chuva pareciam indicar o fim dos transtornos.
Mas foi à noite que a comunidade realmente sofreu. A chegada das águas do interior na cidade pelo Arroio São Lourenço elevaram seu nível, ocasionando transbordamento em vários pontos, especialmente nas regiões baixas da Lomba e Medianeira. Um carro de som colocado na rua a pedido da Prefeitura alertava as pessoas para a elevação do nível do Arroio, pedindo que todos ficassem atentos e avisassem aos vizinhos. Muita gente ficou em pânico, especialmente nos bairros da Medianeira, Lomba, Centro, Navegantes, Barrinha e Balneário, que foram atingidos pela enxurrada de 2011. Por onde se andava via-se correria nas ruas, casas abertas com as famílias levantando o que era possível e carros nas calçadas, prontos para a fuga. Foi uma noite de vigília no Arroio e muito medo, que felizmente não passou de susto, ao menos para a grande maioria da comunidade.
No pluviômetro instalado na zona urbana, no Horto Municipal, foram registrados 100 mm de precipitação em 24 horas, entre sexta-feira (25) e sábado (26). No interior do município, na localidade de Boa Vista, o pluviômetro registrou 160 mm. O secretário de Desenvolvimento Social, Rodrigo Seefeldt, que está respondendo também pela Defesa Civil, explica que a decisão de colocar o carro de som nas ruas foi motivada pela grande quantidade de água que descia do interior e que promoveu o transbordamento do Arroio em pontos onde não ocorria na Lomba. “O Arroio subiu muito rápido e chegou em uma região que não atingia. Além disso, a Lagoa estava muito alta e tínhamos medo que ela represasse o Arroio. Então pedimos a colocação do carro de som, mas de fato ele se expandiu para alguns pontos que não era necessário e logo pedimos para parar”, explica Seefeldt, contando ainda que o radar na ponte do Passo do Candomble, no interior, registrou 3 metros de água, o maior nível desde sua instalação, o que também aumentou o temor das autoridades.
Famílias atingidas
Como ocorreu várias vezes em outubro de 2015, um abrigo foi montado para receber as famílias desabrigadas, na Comunidade Nossa Senhora da Medianeira. As famílias foram atingidas nas regiões da Medianeira e da Lomba, onde são mais comuns ocorrências de problemas com cheias do Arroio. Seefeldt diz que muitas casas foram atingidas, mas 16 pessoas foram retiradas e levadas para o abrigo, retornando para suas casas no domingo de Páscoa, quando as águas baixaram.
As equipes da Prefeitura, nesta semana, trabalham para amenizar os problemas na cidade, consertando bueiros, redes de drenagens e ruas danificadas pelos alagamentos e pela cheia do Arroio, retirando ainda algumas árvores não removidas durante o feriadão.
Sérios prejuízos no interior
Em 2011, a grande enxurrada foi causada por chuvas de 600 mm em poucas horas e em uma faixa da colônia, provocando a chegada das águas na cidade quase que na forma de um tsunami. Desta vez, as chuvas foram espaçadas e em menor quantidade, mas foram registradas em todo o município, o que acabou também contribuindo para o temor das autoridades com a cheia do Arroio. E os estragos não foram poucos na zona rural.
O secretário de Desenvolvimento Rural, Rafael Krüger Jorge, lamenta, dizendo que dessa vez os problemas no interior são até maiores do que em 2011. “Daquela vez, foi uma faixa atingida. Desta vez é o município inteiro”, diz. Segundo ele, as estradas estão em péssimas condições em todas as localidades e o trabalho é intenso das equipes da Secretaria. “Foi uma média de 230 mm no interior”, calcula. O resultado foi de alagamentos, rios transbordando e muitos trechos interrompidos.
Três pontes foram levadas nos desvios na divisa com Canguçu, uma em Campos Quevedos, próximo à Arnildo Lüdtke, além da ponte do Fortunato, em Gusmão e uma em Picada das Antas, que tinha 10 metros e precisará ser reconstruída com 20 metros, já que o Arroio tomou um novo curso. Em todos esses pontos não haverá trânsito tão cedo. “Nós estamos trabalhando muito, mas está difícil. Chegamos a ter dúvidas de onde correr primeiro. Estamos fazendo primeiramente o que é mais simples para liberar o trânsito”, conta o secretário, dizendo que ainda na terça-feira (29) eram 20 pontos sem trânsito.
Há casos de cabeceiras de pontes que precisarão de pelo menos 150 cargas de aterro para a liberação do tráfego, além da necessidade de encascalhamento em praticamente todas as estradas, assim como conserto de bueiros e cabeceiras. Em Sesmaria, por exemplo, cerca de 1 km de estrada precisará ser reconstruído, já que foi destruído pelas águas. “Está complicado, vai levar tempo para resolver tudo”, lamenta Rafael Krüger Jorge.
Redator: Tradição Regional
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