Quinta, 25 de junho de 2026, 16:00h
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A ideia é construir lagoas de contenção ao longo do Arroio para evitar que as águas atinjam a cidade
Proposta de construção de um canal extravasor é descartada, dando lugar às bacias de contenção
Logo após a enxurrada de 2011 que atingiu 20 mil pessoas, resultando na morte de sete, a proposta da criação de um canal extravasor surgiu como uma importante ferramenta para dar vazão às águas do Arroio São Lourenço, em caso de cheias, antes que elas chegassem à cidade. Porém, passados cinco anos, a obra não saiu do papel. Após o susto que a comunidade levou no feriadão de Páscoa, com a possibilidade de uma nova enxurrada, o assunto voltou à tona com cobranças por respostas sobre a obra.
A Prefeitura, no entanto, alega estar trabalhando de uma forma diferente, alternativa à construção de um canal extravasor. O trabalho vem sendo desenvolvido em parceria com o Centro das Engenharias da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
A ideia é a construção de bacias de contenção de picos de cheias ao longo do Arroio São Lourenço, como o professor do Centro, Maurízio Quadro, explicou ao programa de rádio informativo da Prefeitura. “Temos hoje duas potenciais soluções para São Lourenço. Uma já é conhecida pela comunidade, que é o canal extravasor, que tem, como todo projeto, questões pró e contra. Avaliando, vemos que as questões pró são em menor quantidade do que as questões contra o canal extravasor. Já as bacias são uma solução que eu acho mais interessante, pois elas podem se inserir no contexto turístico da cidade. E isso pode inclusive aumentar o potencial turístico, com as soluções que vamos apontar nos estudos ao longo deste ano”, diz.
Quadro explica que existem dois mecanismos de cheias em São Lourenço, que podem atuar juntos, somando-se ou não. “Primeiro, temos que entender que, pela localização do município, o canal extravasor possibilitaria que em períodos de vento intenso houvesse entrada de água da lagoa para o município [como ocorreu em outubro de 2015], e isso criaria outra zona de risco. Outra questão é a chuva que cai na cabeceira e escoa pelo Arroio São Lourenço, uma outra gênese de criação de inundação. Então temos que trabalhar com projetos para resolver os dois problemas: um que é o barramento causado pelo vento, ou a lagoa entrando pelo corpo hídrico; e outra é a água que desce pela bacia hidrográfica e chega em um tempo de concentração muito curto ao município”, argumenta.
O professor diz que o trabalho foca em soluções diferentes para problemas diferentes. Segundo ele, é preciso pensar em mais de uma solução. “Vamos pensar em mais de uma solução para a questão da vinda da lagoa ou da devolução da lagoa para dentro do município quando tivermos ventos, e a contenção das águas da chuva no rio com as lagoas de contenção”, explica, enxergando na construção das lagoas ao longo do rio uma possibilidade mais segura para conter o problema mais grave que é a cheia do Arroio São Lourenço.
Na terça-feira (6), o professor teve reunião com o prefeito Daniel Raupp e com secretários municipais para debater o assunto, e pela tarde realizou um trabalho de campo, visitando possíveis pontos para a construção destas lagoas e de zona de alagados. “Vamos dar uma resposta emergencial para a comunidade lourenciana”, diz. O trabalho de campo contou com captura de imagens com a ajuda de um drone. A ideia é concluir o projeto para envio ao Ministério da Integração Nacional.
Redator: Tradição Regional
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