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22-04-2016

Especial JTR: As águas que fizeram e fazem São Lourenço do Sul 


Foto: Arquivo Museu Municipal Porto foi o maior de navios veleiros do Brasil até meados do século XX

Do surgimento ao desenvolvimento, do trabalho ao turismo, da tragédia a superação: uma comunidade intimamente ligada às águas


Quem olhar um mapa ou uma foto aérea de São Lourenço do Sul perceberá facilmente que se trata de uma cidade península. Circundada pelas águas, essa comunidade sabe bem a importância e a riqueza em meio a que vive. Rio São Lourenço, Arroio Carahá e a Laguna dos Patos são uma exuberante formação peculiar que delimita a zona urbana lourenciana.



Tamanha riqueza tem importâncias histórica e econômica inestimáveis. A começar pela formação do município: era o Rio São Lourenço que dividia as terras em duas grandes estâncias, uma delas que pertencia a Don’Ana, irmã do general Bento Gonçalves. Pela proximidade com a Laguna, por uma vista privilegiada da movimentação de embarcações e às margens do Rio São Lourenço, o casarão - hoje conhecido como Fazenda do Sobrado - foi um importante quartel general dos farrapos. E era o Rio que abrigava as tropas de Garibaldi nos momentos de refúgio dos imperiais.


Na margem oposta vivia a família de José Antônio de Oliveira Guimarães, homem que acreditou que o local poderia abrigar imigrantes estrangeiros. Ele doou parte de suas terras para que Jacob Rheingantz instalasse nelas colonos europeus. E foram justamente as águas que atraíram os pomeranos que viviam às margens do Mar Báltico e imaginavam ter, no novo local, uma proximidade com a vida que tinham na terra natal.


Pela Laguna eles chegaram ao Rio São Lourenço, de onde foram às suas terras. Nelas, se dedicaram, inicialmente, à produção de batatas, promovendo uma grande expansão comercial que impulsionou a emancipação do município em 26 de abril de 1884. Ainda antes, com produção forte e tantas facilidades hídricas, essa terra tornou-se a maior produtora e exportadora de batatas inglesas da América Latina. No Rio São Lourenço prosperava a exportação, tornando-se o maior porto de veleiros do Brasil e também o último onde a vela mercante teve espaço no Estado. Essa potência portuária prosperou até os anos 1950, quando um novo modal rodoviário ganhou força no Brasil.


A decadência do porto atraiu os olhares para a beleza que as águas proporcionam. A geografia sinuosa dá à São Lourenço do Sul hoje um dos maiores potenciais turísticos gaúchos, força econômica que é a terceira mais importante para o município. Águas por onde navegam turistas, esportistas e centenas de pescadores, que impulsionam uma indústria naval que vai da pequena embarcação de pesca aos imponentes veleiros e iates.


Águas essas também responsáveis pela maior tragédia já vivida pela comunidade. Março de 2011 é e sempre será lembrado por 20 mil pessoas sofrendo com as águas e uma comunidade toda em choro. Mas fica também na memória por uma força de superação da comunidade inimaginável que, unida, se reergueu enquanto era acarinhada por todo o Estado após tamanha fúria das águas.


São águas cheias de memórias. Boas, ruins, uma trajetória. Águas que fizeram e fazem uma história peculiar, que brincam de embelezar uma terra única, águas que encantam, decepcionam, fortalecem e alimentam. Águas poderosas, sobretudo, lindas, e que fazem São Lourenço do Sul ser a terra que é: uma pérola nascida em águas doces.


Redator: Tradição Regional



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