Quinta, 25 de junho de 2026, 09:18h
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A cidade de Pinheiro Machado, também conhecida como Cacimbinhas ou Capital da Ovelha, está localizada exatamente entre a Serra das Asperezas, Serra do Passarinho e Serra dos Veledas.
A história de sua povoação teve início em meados de 1775 com o militar Rafael Pinto Bandeira, que teve destacada atuação na retomada pelas armas, dos territórios missioneiros para a Colônia Portuguesa.
Bandeira foi um dos nomes de maior importância da época, por ter governado interinamente a província de São Pedro do Rio Grande do Sul de 1784 a 1788. Naquele tempo, a sede do governo era na estância do Pavão, atual local que pertence à cidade de Capão do Leão.
Com o Tratado de Madri, de 13 de janeiro de 1750, teve início a demarcação da nova linha divisória dos territórios portugueses e espanhóis. Com a superação do Tratado de Tordesilhas pela ação dos bandeirantes, que aprofundaram a exploração do Amazonas, Mato Grosso e do Prata, teve início em 9 de outubro de 1752 a nova demarcação, com a colocação do 1º marco em Castilho Grande, a sudeste da Lagoa Mirim. O 2º foi posto em Índia Morta, em 1º de março de 1753, enquanto o 3º recebeu o nome de Reis, prosseguindo pelo divisor de águas da bacia do Jaguarão até o rio Ibicuí em sua confluência no rio Uruguai.
Estas divisas vinham da Coxilha Grande, no município de Herval do Sul, passando pelo Cerro da Guarda em Pedras Altas, seguindo pela Coxilha da Tuna e pela Serra do Veleda, indo passar na “Guarda Velha”, nas proximidades da BR-293. Dali, rumava pelos divisores de água até o Cerro do Baú e até Serra de Santa Tecla, no município de Bagé.
Nesse ponto foram embargadas as demarcações pelas forças missioneiras e pelos índios Guaranis, chefiados pelo Cacique Sepé Tiarajú, no histórico Forte de Santa Tecla. Essa demarcação só teve prosseguimento depois da morte de Sepé e a total destruição do forte.
O município de Pinheiro Machado, já em 1750, tinha sua história ligada à história do Rio Grande do Sul. Conforme ressalta o historiador João Cezimbra Jaques, nas proximidades de Cacimbinhas, localizando-se entre o Cerro dos Cachorros, Lagoa Negra e Serra das Asperezas, houve um aldeamento indígena.
No rio Taimbé, que quer dizer "beirada de pedra", uma numerosa tribo indígena da valente nação Minuano criou uma aldeia chamada Yquitory ("terra alegre"). Era chefe o valente índio Japagani - ou "águia negra" -, que tinha como esposa a formosa índia Ibotiquitã - ou "botão de flor". Essa índia, num banho no Taimbé, deu a luz a uma encantadora índia nascida dentro da água, que se tornou personagem histórica, sendo batizada com o nome de Imenbuy - que significa "filha da água".
Após alguns anos o cacique Japagani recebe o chamado do cacique Minuano Taguatoreba - o "gavião dourado" - para comparecer numa Monohongaba - que quer dizer "conselho ou assembleia indígena", na Serra de Aceguá, em Bagé.
Chegando a Aceguá, foi informado dos motivos da assembleia, que eram: primeiramente, por ser fim de ano, quando as tribos amigas tinham o costume de se reunir, e em segundo lugar pelos perigos que ameaçavam as tribos por todos os lados, pois desde Montevidéu os Emboabas - portugueses e espanhóis - rumavam ao Rio Grande do Sul.
Terminadas as reuniões, ficou acertada a missão ao cacique Japagani de convidar o cacique Tape Ibitiruçu ("serrania"), aldeado em Ibyty (ou "lagoa negra"), para fazer parte da aliança formada pelas três tribos: Taimbé, Aceguá e Asperezas. Esse aldeamento ficava a seis quilômetros de distância de Pinheiro Machado.
Pinheiro Machado destaca-se por ser um dos mais antigos municípios do Rio Grande do Sul. Até 1830, pertencia a Rio Grande. Depois passou a integrar o município de Piratini, desmembrando-se em 24 de fevereiro de 1879, sob a denominação de Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas.
Antigamente as mercadorias eram transportadas em carretas puxadas a bois, que seguiam os divisores de águas naturais. Muitas trilhas eram abertas e picadas para facilitar a passagem, encurtando o caminho e até desviando algum terreno de difícil acesso.
Nessa época, os carreteiros faziam seus pontos de descanso e pouso naqueles lugares onde havia água em cacimbas naturais. Daí nasceu um pequeno agrupamento social, que passou a ser conhecido como Cacimbinhas.
Dizem que um dos pontos em que os carreteiros paravam para descansar era o local em que atualmente se encontra a praça da cidade. Das trilhas dos viajantes originou-se a avenida que chega ao cemitério. A primeira igreja foi a capela Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas.
Segundo a lenda, Dutra de Andrade teria perdido a visão e feito uma promessa de que, se voltasse a enxergar ao lavar os olhos nas águas das cacimbinhas, mandaria construir uma capela em honra de Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas. O milagre veio a acontecer e Dutra de Andrade cumpriu sua promessa.
A igreja foi construída em terreno doado por ele em 10 de abril de 1851, e pela lei nº215, 10 de novembro de 1851 (apêndice nº1) foi criada a capela Curato com invocação de Nossa Senhora da Luz, na Coxilha do Veleda.
Em 1857, o município foi elevado à freguesia e em 1878 ocorreu a emancipação. Dentre as diversas autoridades que trabalharam para a emancipação da cidade, destacaram-se os fazendeiros Florentino Bueno e Silva, José Maria Pinto, e João Cândido da Rosa, além do militar José Virgilio Goulart e do deputado Saturnino Arruda.
O município de Cacimbinhas teve seu nome mudado para Pinheiro Machado no governo do intendente provisório dr. Ney Lima Costa, quando o senador José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado no Rio de Janeiro por Francisco Manso de Paiva Coimbra, que era um morador da região de Cacimbinhas. A mudança não foi aceita pela população, que se rebelou contra o intendente, que teve que deixar a cidade.
De 1880 a 1915, aproximadamente, ocorreu a instalação de inúmeros órgãos públicos que deram base à estrutura administrativa da cidade. A partir de 1916, com o início do fornecimento de energia elétrica, verificou-se um notável desenvolvimento social. Nesse período foram fundados clubes sociais, a Associação Rural, e instalado um banco.
Em 1934, foi incorporada pelo município uma faixa de terra de 520 m que se encontrava em poder de Piratini. Com a elevação à categoria de cidade, em 1938, Pinheiro Machado iniciou sua ascensão no comércio, onde se instauraram bancos, clubes sociais, escolas, o hospital, a biblioteca pública e foi feito o plano diretor da cidade.
A BR-293 foi implantada na década de 1960, tendo repercussão negativa na cidade por não ter mais participação no fluxo de mercadorias, que a partir daquele período foram feitas às margens da rodovia.
Por volta de 1970, o homem rural perde seu espaço no campo para a mecanização e começa a crise financeira da cidade. Nessa mesma década iniciam-se os loteamentos populares com finalidade social.
Atualmente, a principal fonte de renda da cidade gira em torno da pecuária e agricultura, sobretudo da comercialização de ovinos. Mesmo com a pacatez típica de municípios interioranos, Pinheiro Machado mantém a receptividade com visitantes e turistas, sendo fonte de admiração.
Redator: Tradição Regional
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