Quinta, 25 de junho de 2026, 09:16h
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Ilustração retrata milagre de Cacimbinhas - Autor: Nelson Boeira Faedrich, de 1957, para reportagem de A Hora (Porto Alegre) sobre a lenda de Cacimbinhas.
Como uma das cidades mais antigas de todo o Rio Grande do Sul, Pinheiro Machado tem em sua história inúmeras lendas que são passadas de geração para geração, e mesmo ao longo do tempo, continuam vivas na memória dos pinheirenses.
Uma das principais, ou quiçá a principal lenda, é a do fazendeiro que curou-se de uma cegueira e doou parte de seu campo para a construção de uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Luz.
Segundo o livro Monografia Histórica do Município de Pinheiro Machado, do escritor Odil Peraça Dutra, em meados do século passado, uma extensa campina cobria o solo onde hoje é localizada a cidade. Naquela época remota, o transporte de mercadorias era feito geralmente em carretas, que em suas rotas seguiam sempre os divisores de águas naturais, abrindo em suas passagens estradas que se tornaram as escoadoras dos produtos que, do litoral, demandavam à fronteira, ao interior do Estado e vice-versa.
Os viajantes, tendo que vencer longas distâncias, habitualmente estabeleciam pontos de pouso naqueles lugares onde a natureza lhes fornecesse água potável abundante.
E foi assim que, em torno de algumas cacimbas naturais que se tornaram o pouso preferido dos carreteiros - entre elas ainda existente a “Cacimba do Camacho”, hoje uma gruta com a imagem de Nossa Senhora da Luz -, nasceu um pequeno agrupamento social, que passou a ser conhecido por “Cacimbinhas”.
Segundo a lenda, um dos maiores proprietários do lugar, José Dutra de Andrades, tendo ficado cego, fez um voto a Nossa Senhora da Luz: erguer uma capela em sua homenagem se ao banhar os olhos com a água ali existente, conseguisse recuperar a visão.
Com o milagre e a cura de sua visão, aquele proprietário combinou com seu vizinho Thomas Antônio de Oliveira (Nico) a doação em comum de um trato de terra, que foi doado em 10 de abril de 1851, onde levantou um pequeno templo. Pela Lei N° 215, de 10 de novembro de 1851, criou-se uma Capela Curato com a invocação de Nossa Senhora da Luz, na Coxilha do Velleda, no lugar denominado Cacimbinhas, que passou a denominar-se Curato de Nossa Senhora da Luz.
Com o desenvolvimento progressivo do lugar, este foi elevado à categoria de Freguesia pela Lei N° 2, quando ainda pertencia ao município de Piratini, sendo denominada como Freguesia os Curatos de Cacimbinhas.
O lugar onde atualmente existe o núcleo urbano foi demarcado pelas primeiras estradas e carreteiras que ali passaram. Os viajantes sempre buscaram o lado de menos pedras e espinhos, fixando o espaço onde nasceu Cacimbinhas.
O comendador Manoel José Gomes de Freitas escreveu de próprio punho algumas informações sobre a ascensão de Cacimbinhas. Até o momento, esses arquivos originais são conservados no Museu Histórico Farroupilha, em Piratini.
“A reunião de alguns devotos de Nossa Senhora da Luz, a cuja frente colocaram-se os cidadãos José Dutra de Andrade e Antônio José de Oliveira (Nico), fez com que a Assembleia Provincial pela Lei n° 215 de 10 de fevereiro de 1851 criasse uma Capela Curato dando-lhe por distrito o 4° distrito da Freguesia de Piratini.
Os moradores edificaram uma pequena igreja na área doterreno que por Dutra e Nico foi doada à Padroeira Nossa Senhora da Luz.
Com o pequeno aumento da população e edifícios no lugar conhecido por Cacimbinhas e onde é a sede do Curato da Luz, foi elevado a categoria de Freguesia pela Lei Provincial N° 358 de 17 de fevereiro de 1957.
Foi elevada a categoria de Vila pela Lei Provincial N° 1132 de 2 de maio de 1878 e instalou-se o foro dia 19 de março de 1889 sendo juramentado nessa ocasião o 1° suplente de juiz municipal e de Órfãos o cap. Juvêncio Soares de Azambuja, que poucos dias depois transmitiu a respectiva jurisdição ao presidente da Câmara ten. cel. Frorentino Bueno e Silva.”, revela o documento.
Outra obra que trata com muita propriedade sobre a história e resquícios de Cacimbinhas é o livro “A Lenda de Cacimbinhas”, de autoria do escritor Miguel Régio. O romance traz ora realidade, ora ficção à trama.
“A Lenda de Cacimbinhas é uma recontagem de uma bela história, transmitida oralmente através das gerações, e que agora ganha sua versão em livro. Um romance onde a ficção e a realidade se fundem para reviver uma época onde não apenas heróis, mas também homens comuns, construíam um grande Estado”, detalha a sinopse da obra.
Mais do que uma homenagem à padroeira do município, Nossa Senhora da Luz, a estupenda história de Cacimbinhas une o misticismo e a fé característica do povo que ali reside. Um laço perpétuo que marca os primórdios da Capital da Ovelha.
Redator: Tradição Regional
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