Quinta, 25 de junho de 2026, 09:17h
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Mais de um século após a mudança de nome, Pinheiro Machado ainda guarda resquícios e defensores de seu nome original, Cacimbinhas. Existem opiniões diversas entre moradores, havendo os que defendem e os que repudiam a atual nomenclatura da Capital da Ovelha.
Mas o que realmente motivou sua troca de nome? Quais eram os argumentos para isso? E, principalmente, como a população cacimbinhense recebeu essa decisão do gestor municipal na época?
Para iniciar, vale elucidar que o representante legal do município era o intendente, nomeado pelo governo do Estado e que tinha autonomia para atos administrativos. Ele fazia decretos e leis com a concordância do Estado.
O grande precursor da troca de nome foi o intendente provisório dr. Ney de Lima Costa, que fora nomeado por ato do governo do Estado em 1° de maio de 1915, tendo tomado posse no dia 6 de maio do mesmo ano.
Já sob a gestão de Costa, Cacimbinhas sofreu um duro golpe no dia 8 de setembro de 1915. Nessa data, um cidadão que havia crescido em Cacimbinhas, Francisco Manço de Paiva Coimbra, assassinara o senador gaúcho José Gomes Pinheiro Machado, mais conhecido como Pinheiro Machado.
Foi esse ato isolado que levou o intendente provisório a propor o tão famoso Ato n° 30, de 30 de outubro de 1915, que mudou o nome de Cacimbinhas para Pinheiro Machado. Todavia, a decisão não foi bem vista pelos munícipes, que repudiaram e depuseram dr. Ney pela decisão.
Porém, os detalhes que cercaram esse ato foram muito além do divulgado na época. É sobre isso que trata uma importante obra escrita pelo jornalista Luiz Antônio Nikão Duarte, intitulada “A Guerra de Cacimbinhas”.
No livro, são retratados todos os roteiros até a mudança de nome do município e como isso influenciou os moradores da cidade. Especificamente no capítulo “A Mudança”, pag. 61-64, é esclarecido como esse ato governamental foi visto pelos demais políticos da época.
Reunidas autoridades e população na praça central, foi anunciado o ato administrativo n° 30.
“- Considerando que o nome de ‘Cacimbinhas’, além de irrisório, nada significa na tradição histórica do município;
- Considerando que a mudança do nome para Pinheiro Machado constitui uma expressiva homenagem à memória imperecível do indefectível republicano e um preito de gratidão do Rio Grande do Sul ao seu filho benemérito, tomado pelo punhal assassino dia 8 de setembro do corrente ano na Capital Federal”;
- Considerando que, desta forma, o Rio Grande do Sul, por um dos seus municípios, mais uma vez lança o seu veemente protesto contra o bárbaro atentado que ainda sangra o coração da Pátria, com a perda do inigualável sustentáculo das instituições republicanas.
Resolve:
Artigo 1° - Fica mudado o nome do município de Cacimbinhas para Pinheiro Machado.
Artigo 2° - O dia de hoje – 30 de outubro – ficará sendo feriado municipal para todos os efeitos.
Artigo 3° - Revogam-se as disposições em contrário.
Publique-se.
Intendência Municipal de Pinheiro Machado, 30 de outubro de 1915.
Ney de Lima Costa, Intendente.
João da Silva Rosa, Secretário.”
A decisão nada mais era do que política e para bajular seu correligionário e então governador interino do Rio Grande do Sul, Salvador Pinheiro Machado, irmão do senador assassinado. Ao menos essa era a visão dos ex-intendentes João Pereira Madruga e João Maria Barbosa, e também do jovem Hippólyto Ribeiro Junior.
“Esse lambe-botas não tem limite na sua bajulação”, disse Madruga. Barbosa emendou: “agora o senhor vê como, desde o princípio, eu tinha razão nas minhas desconfianças com ele”.
Em suma, passaram-se dias e dias de tumulto e confusão na recém nomeada Pinheiro Machado. Um dos fatos marcantes foi no dia posterior ao ato. Panfletos espalhados na cidade e colocados nas portas de residências ridicularizavam a atitude do intendente Ney.
Por final, a intervenção do Governo do Estado fez-se necessária, mas nem mesmo isso evitou que o intendente provisório fosse deposto. Ao longo dos anos, vários foram os pedidos infrutíferos para a cidade voltar ao nome original.
Mas, afinal, Cacimbinhas ou Pinheiro Machado? O certo mesmo é que até hoje a população diverge sobre o tema, e mesmo distantes (e talvez utópicos) da realidade, grupos continuam sonhando com o velho título de Cacimbinhas.
Redator: Tradição Regional
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