Quinta, 25 de junho de 2026, 05:31h
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“É preciso ter a consciência de que esses resíduos são o sustento de famílias”, diz a diretora de Meio Ambiente, Natali dos Santos, sobre as práticas de armazenamento feitas pela comunidade
Reduzir, reciclar, reutilizar e repensar. Esse é o lema de preservação ambiental, propagado através do Departamento de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente, que faz com que Morro Redondo seja uma cidade modelo no que se refere às práticas de coleta seletiva, reciclagem, chegando até à circulação de informação sobre o tema na comunidade.
Em dezembro de 2015, durante uma audiência pública, o município finalizou seu Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos - realizado em convênio com a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul). O Plano, uma obrigatoriedade legal, permite que seja feito um diagnóstico e prognóstico da situação de todos os resíduos gerados na cidade, para que se identifiquem carências e sejam projetadas ações para serem realizadas nos próximos 20 anos, garantindo o funcionamento do sistema de gestão. Quem explica os trâmites é a diretora de Meio Ambiente, Natali Santos. “Grande parte das ações da Lei de Resíduos Sólidos nós já possuímos no município, como o fim dos lixões, algo que inclusive nunca tivemos. O auxílio às associações de catadores e a implantação da coletiva seletiva também são coisas que já temos antes mesmo da Lei”, explica Natali. O sistema de coleta seletiva foi implantado em Morro Redondo há aproximadamente 15 anos, quando o tema ainda não era de conhecimento comum.
No entanto, perante a Lei, uma das ações a serem implantadas futuramente na cidade será a cobrança da taxa de recolhimento de resíduos, tornando o sistema de coleta autossustentável. Outra obrigação tem a ver com ações na área da educação ambiental. Para isso, Morro Redondo já conta com iniciativas que estão rendendo resultados positivos.
O projeto da Patrulha da Brigada Ambiental Mirim, criado em 2015, tem levado conteúdos de cunho informativo aos moradores da cidade. A partir de uma parceria entre a Brigada Militar, através do sargento Marcos Zanetti, a Câmara Municipal de Vereadores, através da vereadora Angelica Milech, e o Departamento de Meio Ambiente, o projeto foi colocado em prática por conta de uma demanda real, que pode ser representada através de uma pergunta: Quando existem várias lixeiras, de diferentes cores, em um mesmo local, você sabe os tipos de resíduos que cada uma deve comportar?
“A educação ambiental é necessária e precisa ser constante. A gente entende que nesse projeto da Patrulha existe uma sensibilidade porque é diferente um adulto dizer como você deve separar os resíduos da sua casa e uma criança fazer isso”, justifica Natali. Por isso, as cinco meninas, com idades entre 11 e 13 anos, que integram a Patrulha - e que neste ano terão mais um integrante no grupo - passaram por processos de capacitação e conhecimento de causa até iniciarem as visitações de casas na área urbana. Após 100% de casas visitadas, a Patrulha participará de encontros com os produtores, a fim de iniciar as ações na zona rural.
A cada visita, as meninas, acompanhadas de responsáveis do projeto, questionam os munícipes sobre a forma de separação dos resíduos, dentre outras abordagens. “As respostas são impressionantes. Algumas pessoas não sabiam de coisas simples, como que colocar a embalagem de um shampoo junto com papel higiênico, contamina o frasco e impede a reciclagem. São pequenos detalhes que acontecem por falta de informação. Não adianta ter uma coletiva seletiva e não haver a colaboração das pessoas”, diz a diretora, completando: “Eu vejo que falta essa responsabilidade pessoal de cada um sobre o processo de armazenamento nas residências. É preciso ter consciência de que, se para você aquele resíduo é um lixo, não tem serventia alguma, para outras pessoas ele é sinônimo de renda e sustenta famílias”.
Segundo Natali, verdadeiras aulas sobre o tema são dadas pelas crianças da Patrulha. Até mesmo a ideia de distribuição de folders não chegou a ser pautada como tão eficiente quanto o trabalho das “meninas da Patrulha”, como são conhecidas. A evolução pessoal de cada uma delas também é destaque no projeto.
“Agora, pretendemos fazer um documentário mostrando o trabalho delas, do pessoal da coleta seletiva e da Associação [dos Recicladores de Morro Redondo], e exibi-lo nas escolas. Isso partiu delas, que propõem muitas ideias e buscam novas ações”, avalia Natali, adiantando que dentre os resultados das visitas está a descoberta de que grande parte da população não sabia da existência da Associação dos Recicladores no município.
“Uma das primeiras coisas que trabalhei com elas foi o uso do termo ‘lixo’, destacando que elas precisam usar a palavra correta, que é ‘resíduo’. Mas que chegando nas residências elas precisam explicar isso também, fazendo algumas perguntas como ‘O que você faz com o seu lixo?’, ‘Como você separa e armazena?’ e ‘Você sabe para onde ele vai depois?’”, explica, dizendo que o interesse pelo que é feito com os materiais após o recolhimento por parte da população era mínimo.
Após as visitas da Patrulha, a melhora na separação dos materiais das residências já é observada. “Algo bacana de destacar é que na zona rural, onde a coleta é feita uma vez por semana, os materiais são completamente separados, em um saco tu pegas garrafa pet, em outro alumínio e em outro papelão e papel. As ligações para saber sobre o cronograma de recolhimento por lá são constantes”, revela.
O Departamento de Vigilância em Saúde e Meio Ambiente divide seu campo de atuação nos setores de licenciamento ambiental, fiscalização ambiental, elaboração de Planos e educação ambiental. “Para o licenciamento, a empresa encaminha o projeto para cá, eu faço a vistoria e verifico se está tudo regular, e então libero a licença, se for o caso. Uma das [licenças] que mais liberamos é a de operação, que permite o funcionamento dos estabelecimentos, e que é válida por quatro anos, com monitoramento constante”, esclarece. Em breve esses processos serão informatizados, facilitando os trâmites para as empresas e o Departamento.
A Associação dos Recicladores de Morro Redondo
Conveniada com a Prefeitura Municipal - que repassa ajuda de custo mensal e disponibiliza a manutenção completa do local - desde abril de 2011, a Associação é formada por quatro trabalhadores, de forma que cada associado inclui vinculados à sua família na Associação, e possui a responsabilidade de separar o material e comercializá-lo, além de manter o local em boas condições. A comercialização, que até então era realizada por meio de um atravessador para chegar às empresas, está passando por uma reformulação para que associações e cooperativas da região façam esse processo em conjunto e negociem diretamente com os compradores.
Os resíduos, após a coletagem, são encaminhados para a Central de Triagem, onde são separados e encaminhados para a reciclagem. Já a Central de Transbordo, trata-se de um container que armazena os rejeitos - que não podem ser reciclados - para serem encaminhados ao aterro sanitário de Candiota, que atende outros 19 municípios.
Algumas dicas do Departamento:
Resíduos inorgânicos: papéis em geral, embalagens Tetra Pack, plásticos em geral, vidros, metal;
Resíduos orgânicos: restos de comida, papel higiênico, papel toalha, fraldas descartáveis, absorventes, tocos de cigarro e cinzas;
Separação de resíduos: sempre embale os resíduos; se possível amasse e prense os materiais para diminuir o volume e facilitar a coleta; separe os resíduos inorgânicos dos orgânicos; evite colocar as sacolas na rua horas ou dias antes do caminhão de recolhimento passar; não faça queimadas de qualquer tipo de resíduo. Confira na edição 503 do JTR o cronograma de recolhimento de resíduos das zonas urbana e rural.
Redator: Tradição Regional
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