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16-06-2016

Pelotas: Alunos ocupam Rádio Federal FM


Foto: Divulgação Alunos ocuparam o prédio nesta manhã

Desde o início da manhã de hoje, a Rádio Federal da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) 107.9 fm está ocupada. Os estudantes, que estão organizados de forma independente, reivindicam a saída do governo de Michel Temer, a democratização dos meios de comunicação e a defesa do ensino público gratuito e de qualidade.


Enquanto os estudantes liam o manifesto da ocupação ao vivo, a luz do prédio foi cortada.



Leia o manifesto na íntegra:


Primeiramente, fora temer! 


Nós estudantes da universidade federal de pelotas, organizados de forma independente, declaramos que a rádio federal fm está ocupada! Usaremos a frequência 107,9 a partir de agora como símbolo de luta e resistência, em defesa da democracia constitucional e da democratização dos meios de comunicação, por uma mídia que seja livre e plural.


Escolas, universidades, prédios de cultura estão ocupadas em diferentes cidades brasileiras, mas a TV, jornais, revistas e rádios não nos informam sobre isso, todo e qualquer cidadão brasileiro tem direito a informação, por isso, estamos aqui, para levar até ti, notícias sobre o que está acontecendo em nossa cidade, estado e país. 


Te convidamos a nos acompanhar durante a programação da radio federal ocupada, logo mais, vamos entrar ao vivo com os estudantes que estão nas ocupações em pelotas e em outras cidades. 


#foratemer


A operação lava-jato revelou o maior esquema de corrupção já investigado no Brasil. por meio da operação, a polícia federal conseguiu chegar a uma vasta rede de corrupção envolvendo a Petrobrás, que envolve 494 pessoas e empresas, dentre elas, 57 políticos eleitos e pessoas em cargos públicos, de ex-presidentes aos atuais deputados, senadores, ministros, governadores, de vários partidos políticos.


Ameaçados pelas investigações, políticos envolvidos encontram no afastamento da presidenta eleita um meio para parar a operação lava-jato e encerrar as investigações, um dos nomes mais interessados no fim da lava-jato é o deputado do PMDB Eduardo Cunha, ex-presidente da câmara dos deputados,  contas milionárias não declaradas na suíça do deputado foram reveladas pela operação lava-jato. 


Junto com outros deputados e partidos investigados, cunha e seu partido, PMDB, orquestram a votação do processo de impeachment na câmara. Votação que contou com discursos que iam de louvores religiosos a exaltação de torturadores da ditadura militar.


O processo aprovado na câmara passou ao senado para avaliação da admissibilidade do processo para investigação, onde também foi aprovado e, desta forma, a presidenta eleita foi afastada do cargo por até 180 dias. 


Eis que o vice-presidente decorativo Michel temer, do mesmo partido de cunha, assume como presidente interino - posse comemorada pelos setores conservadores da sociedade, grandes empresários e pela bancada bbb (boi, bala e bíblia). 


Como esperado, as primeiras medidas de Michel Temer foram o corte de 09 ministérios, como o ministério cultura, ministério da ciência e tecnologia, ministério do desenvolvimento e o ministério dos direitos humanos, foram extinguidos.


Dentre os ministros empossados, 6 haviam sido derrotados em eleições, além disso, no alto escalão do governo temer  dentre os novos ministros nomeados, não há nenhuma mulher nem pessoa negra,  um governo nada representativo, pois a população brasileira é formada majoritariamente por mulheres e por negros e negras.


#defendemos a democracia


Durante os anos de 1964 à 1985 ficamos refem de um regime ditatorial. Nossa liberdade de ser, viver e existir ficou sob total controle do estado. Escolas,universidades, meios de comunicação sofreram cortes e censuras por ordem do governo militar.


Disciplinas como filosofia, ciência sociais e artes foram banidas dos currículos escolares, qualquer pessoa que  questionasse a ordem estatal foi perseguida, torturada e ou morta, até hoje muitas famílias ainda procuram pelos corpos dos estudantes e trabalhadores que resistiram e lutaram contra a ditadura pedindo pela volta da democracia.


Faz mais de 30 anos que derrubamos a ditadura no Brasil, graças as muitas lutas estudantis e sociais, até hoje não passamos por um processo de redemocratização.


A nossa polícia segue militarizada, nossas escolas e universidades são regidas por um ensino conservador, autoritário e opressor.


Nosso estado continua sobre controle do capital financeiro de poucos e  da doutrina religiosa.


Nossas leis são ditadas por políticos corruptos e antiéticos, que viram as costas para o povo.


A economia é pensada para engordar os cofres dos bancos e não para garantir a qualidade de vida daqueles que trabalham exaustivamente todos os dias.


Nossas cidades são arquitetadas conforme necessidade dos ricos, pobres são excluídos dos centros das cidades, ficando a mercê do caro e péssimo transporte público para ir e vir.


Lutamos por um estado democrático  de direito, o que garanta a todos os cidadãos as mesmas oportunidades no ensino, saúde, segurança e no uso da cidade. 


Quando vamos às urnas e elegemos uma presidenta, com mais de 54 milhões de votos é de nosso direito que ela exerça o seu mandato até o tempo determinado.


Em nenhum momento houve comprovação de que a presidenta eleita é de fato responsável pelas acusações feita por seus inimigos políticos, sendo assim, ela não poderia ter sido afastada do seu cargo. 


Esse afastamento é ilegal, ilegítimo e corrupto. Fere nosso estado democrático de direito, conferindo então “golpe de estado”. Exigimos fora temer, pelo respeito a democracia, e pela legitimidade do voto popular.


Pela democratização dos meios de comunicação!


Para construir um país mais democrático, precisamos avançar na garantia ao direito à todas e todos, lutamos pela ampliação da liberdade de expressão, uma maior diversidade e pluralidade  nos meios de comunicação.


A nossa constituição federal proíbe expressamente a formação de oligopólios e os monopólios dos meios de comunicação, apesar disso menos de dez famílias concentram as principais empresas de rádios e TVs.


A imprensa brasileira tem atuado como um quarto poder, teve papel fundamental no golpe de estado que sofremos,  24 horas por dia é feito uma campanha para desestabilizar os cenário político nacional.


No Brasil 6 famílias controlam 70% dos meios de comunicação.


Os oligopólios midiáticos privados se sustentam de diferentes formas. Uma delas é o poderoso (e bem remunerado) lobby que nos últimos 25 anos tem pressionado continuamente deputados e senadores impedido que normas e princípios da constituição de 1988 relativas à comunicação social sejam regulamentados.


No parágrafo 5º do artigo 220 da constituição diz: “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”, e a realidade é que apenas poucos grupos privados controlam os meios de comunicação diretamente ou indiretamente através de redes de afiliadas sem obedecer qualquer tipo de regulamentação.


Na alínea ‘a’ do inciso 1 do artigo 54 diz:  “os deputados e senadores não poderão firmar ou manter contrato com autarquia”, apesar de ser inconstitucional nossos deputados e senadores são donos da maioria das concessionárias do serviço público de radiodifusão, numa viciosa circularidade que inviabiliza a aprovação de projetos que regulem as normas e princípios constitucionais sobre a comunicação social no congresso nacional.




Redator: Assessoria de Imprensa



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