Quarta, 24 de junho de 2026, 19:28h
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Desde o início da manhã de hoje, a Rádio Federal da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) 107.9 fm está ocupada. Os estudantes, que estão organizados de forma independente, reivindicam a saída do governo de Michel Temer, a democratização dos meios de comunicação e a defesa do ensino público gratuito e de qualidade.
Enquanto os estudantes liam o manifesto da ocupação ao vivo, a luz do prédio foi cortada.
Leia o manifesto na íntegra:
Primeiramente, fora temer!
Nós estudantes da universidade federal de pelotas, organizados de forma independente, declaramos que a rádio federal fm está ocupada! Usaremos a frequência 107,9 a partir de agora como símbolo de luta e resistência, em defesa da democracia constitucional e da democratização dos meios de comunicação, por uma mídia que seja livre e plural.
Escolas, universidades, prédios de cultura estão ocupadas em diferentes cidades brasileiras, mas a TV, jornais, revistas e rádios não nos informam sobre isso, todo e qualquer cidadão brasileiro tem direito a informação, por isso, estamos aqui, para levar até ti, notícias sobre o que está acontecendo em nossa cidade, estado e país.
Te convidamos a nos acompanhar durante a programação da radio federal ocupada, logo mais, vamos entrar ao vivo com os estudantes que estão nas ocupações em pelotas e em outras cidades.
#foratemer
A operação lava-jato revelou o maior esquema de corrupção já investigado no Brasil. por meio da operação, a polícia federal conseguiu chegar a uma vasta rede de corrupção envolvendo a Petrobrás, que envolve 494 pessoas e empresas, dentre elas, 57 políticos eleitos e pessoas em cargos públicos, de ex-presidentes aos atuais deputados, senadores, ministros, governadores, de vários partidos políticos.
Ameaçados pelas investigações, políticos envolvidos encontram no afastamento da presidenta eleita um meio para parar a operação lava-jato e encerrar as investigações, um dos nomes mais interessados no fim da lava-jato é o deputado do PMDB Eduardo Cunha, ex-presidente da câmara dos deputados, contas milionárias não declaradas na suíça do deputado foram reveladas pela operação lava-jato.
Junto com outros deputados e partidos investigados, cunha e seu partido, PMDB, orquestram a votação do processo de impeachment na câmara. Votação que contou com discursos que iam de louvores religiosos a exaltação de torturadores da ditadura militar.
O processo aprovado na câmara passou ao senado para avaliação da admissibilidade do processo para investigação, onde também foi aprovado e, desta forma, a presidenta eleita foi afastada do cargo por até 180 dias.
Eis que o vice-presidente decorativo Michel temer, do mesmo partido de cunha, assume como presidente interino - posse comemorada pelos setores conservadores da sociedade, grandes empresários e pela bancada bbb (boi, bala e bíblia).
Como esperado, as primeiras medidas de Michel Temer foram o corte de 09 ministérios, como o ministério cultura, ministério da ciência e tecnologia, ministério do desenvolvimento e o ministério dos direitos humanos, foram extinguidos.
Dentre os ministros empossados, 6 haviam sido derrotados em eleições, além disso, no alto escalão do governo temer dentre os novos ministros nomeados, não há nenhuma mulher nem pessoa negra, um governo nada representativo, pois a população brasileira é formada majoritariamente por mulheres e por negros e negras.
#defendemos a democracia
Durante os anos de 1964 à 1985 ficamos refem de um regime ditatorial. Nossa liberdade de ser, viver e existir ficou sob total controle do estado. Escolas,universidades, meios de comunicação sofreram cortes e censuras por ordem do governo militar.
Disciplinas como filosofia, ciência sociais e artes foram banidas dos currículos escolares, qualquer pessoa que questionasse a ordem estatal foi perseguida, torturada e ou morta, até hoje muitas famílias ainda procuram pelos corpos dos estudantes e trabalhadores que resistiram e lutaram contra a ditadura pedindo pela volta da democracia.
Faz mais de 30 anos que derrubamos a ditadura no Brasil, graças as muitas lutas estudantis e sociais, até hoje não passamos por um processo de redemocratização.
A nossa polícia segue militarizada, nossas escolas e universidades são regidas por um ensino conservador, autoritário e opressor.
Nosso estado continua sobre controle do capital financeiro de poucos e da doutrina religiosa.
Nossas leis são ditadas por políticos corruptos e antiéticos, que viram as costas para o povo.
A economia é pensada para engordar os cofres dos bancos e não para garantir a qualidade de vida daqueles que trabalham exaustivamente todos os dias.
Nossas cidades são arquitetadas conforme necessidade dos ricos, pobres são excluídos dos centros das cidades, ficando a mercê do caro e péssimo transporte público para ir e vir.
Lutamos por um estado democrático de direito, o que garanta a todos os cidadãos as mesmas oportunidades no ensino, saúde, segurança e no uso da cidade.
Quando vamos às urnas e elegemos uma presidenta, com mais de 54 milhões de votos é de nosso direito que ela exerça o seu mandato até o tempo determinado.
Em nenhum momento houve comprovação de que a presidenta eleita é de fato responsável pelas acusações feita por seus inimigos políticos, sendo assim, ela não poderia ter sido afastada do seu cargo.
Esse afastamento é ilegal, ilegítimo e corrupto. Fere nosso estado democrático de direito, conferindo então “golpe de estado”. Exigimos fora temer, pelo respeito a democracia, e pela legitimidade do voto popular.
Pela democratização dos meios de comunicação!
Para construir um país mais democrático, precisamos avançar na garantia ao direito à todas e todos, lutamos pela ampliação da liberdade de expressão, uma maior diversidade e pluralidade nos meios de comunicação.
A nossa constituição federal proíbe expressamente a formação de oligopólios e os monopólios dos meios de comunicação, apesar disso menos de dez famílias concentram as principais empresas de rádios e TVs.
A imprensa brasileira tem atuado como um quarto poder, teve papel fundamental no golpe de estado que sofremos, 24 horas por dia é feito uma campanha para desestabilizar os cenário político nacional.
No Brasil 6 famílias controlam 70% dos meios de comunicação.
Os oligopólios midiáticos privados se sustentam de diferentes formas. Uma delas é o poderoso (e bem remunerado) lobby que nos últimos 25 anos tem pressionado continuamente deputados e senadores impedido que normas e princípios da constituição de 1988 relativas à comunicação social sejam regulamentados.
No parágrafo 5º do artigo 220 da constituição diz: “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”, e a realidade é que apenas poucos grupos privados controlam os meios de comunicação diretamente ou indiretamente através de redes de afiliadas sem obedecer qualquer tipo de regulamentação.
Na alínea ‘a’ do inciso 1 do artigo 54 diz: “os deputados e senadores não poderão firmar ou manter contrato com autarquia”, apesar de ser inconstitucional nossos deputados e senadores são donos da maioria das concessionárias do serviço público de radiodifusão, numa viciosa circularidade que inviabiliza a aprovação de projetos que regulem as normas e princípios constitucionais sobre a comunicação social no congresso nacional.
Redator: Assessoria de Imprensa
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