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27-06-2016

Especial JTR: Da zona rural ao meio urbano, Canguçu está em constante desenvolvimento  


Foto: Divulgação

Ligado a Serra dos Tapes, o município de Canguçu forma, juntamente com a Serra do Herval, a região fisiográfica gaúcha Serra do Sudeste, sendo os solos mais antigos do Estado. Com uma área de 3.525,068 km², é em Canguçu que nascem os arroios do Quilombo e das Caneleiras.


Famosa por sua divisão em distritos, a cidade é considerada como a maior em número de minifúndios do Brasil, sendo assim reconhecida como a “Capital Nacional da Agricultura Familiar”. Nestes últimos dias, a população, com mais de 53 mil habitantes, está festa, comemorando a Semana do Município - em alusão aos 159 anos da cidade, comemorados no dia 27 de junho.



Para falar do crescimento e desenvolvimento da localidade, o prefeito Gerson Cardoso Nunes (PT), em meio ao término de seu primeiro mandato, destaca os principais pontos que refletem esses estágios dos avanços locais. Com a execução de dois grandes projetos, os investimentos na pavimentação da zona urbana do município, por exemplo, despontam: um deles, com financiamento do Badesul Desenvolvimento, destina R$ 3 milhões para pavimentar 18 trechos de ruas, com obras já em execução. O outro, também no mesmo valor, pelo Programa de Aceleração do Crescimento - 2ª Etapa (PAC 2), refere-se a um projeto recentemente licitado e que até o final do ano terá as obras iniciadas. “Com todos esses projetos juntos, chegaremos a sete quilômetros de pavimentação na cidade. É uma conquista muito grande para a nossa comunidade, que terá calçamento na frente de suas residências”, avalia o prefeito.


Nos últimos tempos, Canguçu passou por três decretos de estado de emergência, em virtude do excesso de chuva, algo que comprometeu a estrutura de diversas localidades, chegando a 30 pontes destruídas apenas na enchente de 2013. Através de recursos no Ministério da Integração Nacional, foram obtidas sete pontes de concreto, que contemplam as seguintes localidades: Passo da Capoeira (3° Distrito); Passo do Ventura (divisa entre Faxinal e Coxilha do Fogo); Colônia Palma (5° Distrito, na divisa com São Lourenço do Sul); Nova Gonçalves (próximo ao Estádio do Aliança); Nova Gonçalves (próximo ao Comércio do Peruquinha); Rincão do São João (divisa entre 1° e 4° Distritos); e Costa do Arroio Grande (próximo à propriedade de Rubino Buchweitz). “Até o final do ano, com certeza, vamos concluir as obras que restam para que a população não enfrente mais dificuldades de deslocamento”, explica Nunes.


A saúde também entrou na rota das melhorias, com a ampliação das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da Estratégia de Saúde da Família (ESF) no interior, com o diferencial de terem passado por esses processos também com a contribuição da comunidade. A localidade do Pantanoso, no 2º Distrito, a Sanga Funda, a Baixada do Rodeio e a Harmonia são algumas das regiões que ganharam suas próprias UBS. Já o Posto Central contará com uma novidade: passará a ter um espaço materno-infantil, dando atenção às mães durante o período de gestação.


“A conquista na área da saúde foi muito grande. Com o Programa Mais Médicos conseguimos ampliar o atendimento a população, por exemplo”, diz o prefeito, com uma informação confirmada pelos números: do dia 6 ao dia 10 de junho foram feitos 1.700 atendimentos (340 por dia) no Posto Central da cidade, além, é claro, dos serviços nas Unidades do interior. Também em uma semana 456 pessoas foram levadas para serem atendidas em outras cidades, através do transporte disponibilizado pelo município.


Outro avanço significativo se dá pelas obras de ampliação das quadras poliesportivas cobertas em diversas localidades. “São 10 projetos de construção de quadras, algumas com obras aceleradas, outras já inauguradas e entregues, além de quatro delas ainda em projeto de execução”, adianta. Ainda tratando-se de educação, a Escola Getúlio Vargas, na Vila Nova, passa por ampliação, além de reformas em outros institutos de ensino da cidade.


Pioneirismo


Um trabalho inédito em Canguçu também está à frente do desenvolvimento da cidade. Trata-se de R$ 11 milhões em recursos, captados junto à Fundação Nacional de Saúde (Funasa), para a construção de sistemas de água potável para atender comunidades quilombolas e outras comunidades do entorno. “Estamos executando o projeto na comunidade quilombola da Solidez, no Potreiro Grande [2º Distrito], na Armada [5º Distrito], no Santo Antônio [3º Distrito] e no Passo do Lourenço [4º Distrito]. A empresa já está trabalhando nas obras, perfurando os poços artesianos, pois, a partir deles, a água vai para as caixas d’água, de onde será distribuída nas residências”. A comunidade que receber o projeto criará um sistema próprio de gestão da água. Mais de mil famílias serão beneficiadas.


No que tange a segurança dos canguçuenses, o videomonitoramento se tornou algo real, após um grande apelo da comunidade, sobretudo dos comerciantes. “Embora não seja competência dos municípios fazer a segurança pública, todos se envolvem. Nós conseguimos uma emenda [parlamentar] com o então deputado federal Fernando Marroni, encaminhamos o projeto, firmamos convênio com o governo do Estado e a Brigada Militar e licitamos o que agora é uma realidade no município”. O monitoramento das câmeras é feito no batalhão da BM.


Ainda em estado de emergência, o município trabalha com a aquisição de maquinários para manter estradas e outras demandas. Com recursos próprios, foi adquirida uma patrola, uma caçamba e um caminhão munck para o trabalho nas pontes. Ao todo, nos últimos três anos, foram cerca de 30 veículos adquiridos, abrangendo diversas áreas. A liberação de uma emenda e um projeto, junto ao extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), no valor de R$ 1,8 milhão, para a aquisição de três patrolas e uma retroescavadeira está sendo aguardada pela administração municipal. O contrato com a Caixa Econômica Federal foi assinado neste mês.


“É importante lembrar que, para que tudo isso acontecesse de 2013 pra cá, nós tivemos um trabalho muito forte de austeridade com as contas públicas e, quando assumimos, reduzimos duas secretarias municipais. Além disso, houve também a redução de 40% dos Cargos de Confiança (CCs)”. Hoje, a administração é formada pelo prefeito, por 33 CCS, 9 secretários e 17 funções gratificadas. Outra medida de redução de custos da Prefeitura tem a ver com a extinção dos celulares funcionais. Ou seja, os funcionários que necessitam fazer ligações usam seus telefones pessoais. “A gente entende que é difícil o servidor utilizar o celular somente em benefício do interesse público”, justifica. Segundo Nunes, foram R$ 27 mil/mês de despesa aos cofres do município por conta do antigo sistema de telefonia durante a gestão anterior. Diárias e horas extras também entraram na política de cortes de despesas. “Estamos com a folha do pagamento em dia e, dentro da realidade do país, o município está em tranquilidade, sob controle”, garante.


Reconhecimento


Na última semana, o prefeito esteve na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), para receber o prêmio “Prefeito Amigo da Criança/Gestão 2013-2016”, da Fundação da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq). O prêmio reconhece os gestores municipais que honraram os compromissos assumidos com a Fundação Abrinq e melhoraram a vida das crianças e adolescentes em seus municípios. A gestão premiada é a de 2013 até 2016 e contou com a adesão de 1.542 prefeitos.


Ao participar do Prêmio, as prefeituras criam uma comissão especializada e realizam um seminário, envolvendo diversas lideranças e setores da comunidade, onde é formulado um Plano Municipal que propõe metas e ações. Em Canguçu, o Plano foi encaminhado à Câmara de Vereadores sendo aprovado e tornando-se uma Lei Municipal, que rege melhoras na qualidade da educação. Em Canguçu, as mudanças foram visíveis na Provinha Brasil - do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), que avalia a alfabetização infantil -, no Programa Alfabetização na Idade Certa - pacto nacional do Ministério da Educação (MEC) - e no que se refere à redução da taxa de mortalidade infantil no município - de 1,7 -, medida inclusive reconhecida pelo governo estadual.


Em 2015, Canguçu recebeu ainda uma estatueta na cerimônia da 9ª edição do Prêmio Caixa - Melhores Práticas, da Caixa Econômica Federal, realizada em Brasília e que divulga experiências bem-sucedidas e estimula que sejam replicadas país afora. O projeto “Terra de todos: o poder compartilhado através da participação popular no meio rural” foi um dos vencedores.


“Tenho muito orgulho de ter chegado aonde cheguei, ser prefeito do meu município. Sou filho de família pobre, estudei, me formei e advoguei aqui por muitos anos. Me elegi vereador e agora cumpro meu atual mandato, que é uma alegria em poder servir essa comunidade e dar a minha contribuição”, afirma Nunes sobre a trajetória à frente do setor administrativo municipal, completando que a melhoria na qualidade de vida e promoção da autonomia da comunidade são objetivos constantes da atual administração.


Redator: Tradição Regional



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