Quarta, 24 de junho de 2026, 15:54h
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Trabalho de Geisa Portelinha Coelho em Canguçu e em países como África do Sul e Inglaterra é reconhecido pelo IJSLN
Uma educadora de Canguçu está entre as três pessoas que serão homenageadas hoje (1º), em Pelotas, pelo Prêmio 300 Onças. A distinção é concedida pelo Instituto João Simões Lopes Neto (IJSLN) desde 2005, com o objetivo de reconhecer aqueles que se destacaram no trabalho pela preservação da memória, divulgação da obra de Simões Lopes Neto e daqueles que contribuíram para a construção do Instituto e para a recuperação da casa do escritor.
Em 2016, receberão o prêmio a canguçuense Geisa Portelinha Coelho, Agemir Bavaresco e Vera Rheingantz Abuchaim. Geisa é professora das redes particular e estadual desde 1998, formada e pós-graduada em Letras (Português, Literatura e Língua Inglesa) pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Em 2013, cursou Língua Inglesa na Good Hope Studies, na África do Sul. O mesmo fez em 2014 e, neste ano, na Saint Giles International, na Inglaterra.
Hoje, ela atua na Escola Técnica Estadual Canguçu (ETEC), Escola Irmãos Andradas e Associação Educacional e Cultural Canguçuense (AECC). Há aproximadamente 15 anos ela estuda e divide a obra de João Simões Lopes Neto com alunos, amigos e jovens tradicionalistas. “Desenvolvo oficinas com crianças e pesquisas com jovens do ensino médio e palestras com adultos. Já fiz dezenas de trabalhos em escolas e CTGs, no entanto, o mais inusitado foi feito a convite de uma empresa que ofereceu esse trabalho como presente às mulheres no Dia Internacional da Mulher. Foi incrível, era como se elas se encontrassem ou até suas mães e avós nas personagens dos Contos Gauchescos. Meu trabalho discreto, sem alarde, já ultrapassou a região porque me acompanha nas festas culturais para estudantes nos países em que estudo”, diz Geisa.
O prêmio é dado em forma de moeda, tendo uma onça de ouro verdadeira como modelo. São 300 onças e, ao longo de 100 anos, serão 300 prêmios entregues, já que a cada ano o IJSLN homenageia apenas três pessoas. Quando a última onça for entregue, o prêmio se extinguirá automaticamente.
A professora de Português, Literatura e Língua Inglesa lida com o desafio de fazer o resgate da obra a uma geração que nasce conectada à internet e mergulhada em redes sociais. Mas ela utiliza essa particularidade a seu favor. “Nem sempre é necessário desconectar-se para aprender a ler ou pesquisar. A tecnologia está a favor da educação, então, eu procuro incluir smartphones, tablets e tudo mais que possa nos auxiliar na descoberta da leitura. Meus alunos e eu usamos as redes sociais para nos comunicar e, muitas vezes, a internet é o meio por onde oriento trabalhos de pesquisa, quando feitos à distância ou nos finais de semana. Pesquisar, preparar slides, relatórios e fazer leituras online são tarefas cotidianas para alunos do ensino médio”, explica.
A partir do momento em que docente e ouvintes falam a mesma linguagem e usam dos mesmos recursos para estudo e leitura, é criada uma relação de liderança e amizade. Por isso, nos grupos em que Geisa atua não são encontradas dificuldades na aceitação do tema, uma vez que os alunos estão envolvidos no trabalho. “Atuo, primeiramente, como uma espécie de coaching. Se os jovens forem apenas ouvintes de uma causa que ‘pensam que’ não é deles, poderão recusá-la. Mas, como lanço a proposta e os incluo nas decisões e conversas, eles têm tomado como sendo deles também. O jovem espera muito dos professores, gosta de saber que temos algo novo para contar, gosta quando os ajudamos a descobrir sua história nos livros, gosta de aprender a ler. O resultado disso é que três alunas escreveram monografias a respeito do autor e sua obra, entre 2010 e 1013, e as três foram premiadas com o título de ‘Destaque em Pesquisa Oral’. Embora eu não ensine Literatura para competição, ficamos felizes com os resultados e a Literatura tem esse caráter de ajudar a encontrar a felicidade, descobrir culturas, resgatar costumes, vivenciar e compreender a história, e pensar sobre o futuro e, principalmente, ver beleza nas manifestações mais simples de vida”.
Um trabalho que atinge a façanha de ser premiado pelo Instituto pode e merece ser replicado em outras instituições de ensino do município. “É preciso despir-se do antigo preconceito acadêmico em relação à literatura regional como bairrismo e começar uma leitura séria, comprometida. É preciso ter ciência de que a obra Simoniana hoje faz parte da literatura universal e que diversos países da Europa pesquisam e traduzem a obra. Nós não devemos ignorá-la como temos feito. Qualquer criança ou jovem irá se encantar com a beleza da poesia dos Casos do Romualdo, dos Contos Gauchescos das Lendas do Sul... Além disso, a Literatura, a História, a Geografia, o Ensino Religioso, a Filosofia, o Folclore, a Sociologia, a Biologia... o indispensável está presente nesses textos. É a obra mais perfeita para o professor começar qualquer aula, em qualquer disciplina, em qualquer nível de conhecimento, mas é necessário que o professor se encante para encantar os alunos”, recomenda Geisa.
Hoje (1º), às 20h, Geisa sentará ao lado de Agemir Bavaresco e Vera Rheingantz Abuchaim. Os três estarão na casa de João Simões Lopes Neto (na rua Dom Pedro II, nº 810, em Pelotas), na condição de homenageados. Ela admite que demorou a assimilar a notícia de que receberia o Prêmio 300 Onças. “Isso é quase inacreditável. Demorei uma semana para compreender o que estava acontecendo. Ambos são grandes nomes da pesquisa. Vera e suas obras vão despindo nosso desconhecimento. Com Agemir conheci, de fato, ‘A Salamanca do Jarau’. Sentar ao lado deles e receber o mesmo prêmio que ambos não me torna igual a eles, mas me estimula a estudar ainda mais. Entendo que eles me influenciaram tanto quanto influencio as pessoas que oriento, por vias diferentes”, analisa.
Redator: Tradição Regional
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