Quarta, 24 de junho de 2026, 12:58h
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Aqueles que participam de grandes festividades do município de Piratini, como a Semana Farroupilha, Desfile do Dia 7 de Setembro, Semana da Pátria, entre outros, escutam, frequentemente, um dos principais símbolos da cidade: o Hino de Piratini.
Contudo, engana-se quem pensa que a obra digna de dar inveja em renomados compositores foi feita por uma orquestra ou músicos formados. A canção tem letra e história surpreendentes, capazes de admirar e enaltecer ainda mais a história da heroica Capital Farroupilha.
Agricultor e tendo estudado apenas até o 4º ano do primário, Almezor Madruga Bilhalve nunca deixou de exaltar sua paixão pela terra natal e, mesmo morando no interior, era sócio da Biblioteca Municipal e lá costumava estudar os primórdios da cidade.
Nunca foi músico, porém sempre gostou de escrever versos acompanhados pela melodia de seu violão. Foi assim que nasceu o Hino de Piratini. Informado de uma competição por servidores da Biblioteca, Bilhalve dedicou uma madrugada inteira para criar a obra.
Se não bastasse o prazo de 24 horas para entregar a letra datilografada e com um pseudônimo para que os jurados não conhecessem o autor, ele precisou viajar exatos 44 quilômetros de bicicleta para cumprir o objetivo.
Foi uma verdadeira epopeia, exatamente no dia 3 de julho de 1982. Três dias mais tarde, o resultado e a consagração como vencedor. A emoção contrastava com o orgulho da sua simples e humilde letra ter vencido uma competição tão disputada na época.
A compreensão era difícil, pois como o próprio autor explica, a letra foi musicada em um tom de banda militar, inspirada no seu patriotismo e ideais. Todavia, mais de 20 anos depois ela saiu do papel e, finalmente, foi harmonizada por Joel Brum, sendo interpretada pela Banda da Brigada Militar de Pelotas. O resultado surpreendeu até mesmo Bilhalve, que revela ter sido feita exatamente como ele imaginava. O som da banda marcial dá um acabamento único para a letra, que o autor acredita representar com louvor a Capital Farrapa.
“Eu fiz tudo muito rápido, mas tive o que chamo de premonição de que ganharia o concurso. Por isso, busquei fazer uma letra de simples entendimento e que fosse fácil para os alunos das escolas decorarem quando cantassem. Me sinto muito orgulhoso”, exalta.
A letra é definida por ele como dividida em passado, presente e futuro. As duas primeiras estrofes fazem alusão à participação primordial de Piratini na Revolução Farroupilha; já as duas últimas estrofes são uma visão do compositor de como seria o futuro da Capital da República Rio-Grandense.
Atualmente, Almezor Bilhalve tem 68 anos e reside na cidade. Entretanto, segue trabalhando, agora como pedreiro, e cultivando o amor pela escrita. Conforme disse, acredita ter mais de 130 letras e versos próprios, os quais mantêm em um caderno especial, que um dia pretende lançar como um livro.
Muitos dos versos e prosas narram histórias de pessoas benquistas na comunidade piratiniense; outras, apenas de fatos do cotidiano que chamam a atenção do escritor. “Eu faço o que amo e continuarei para o resto de minha vida”, encerra.
Hino de Piratini
Piratini foi escrito na história
Com o sangue heróico farrapo
Este feito no brio e na glória
Que contempla este povo sagrado
Foste a tal capital farroupilha
Nossa história porém registrada
São as lágrimas que hoje brilham
Tão escritas a ponta de espada
Refrão
O teu povo se orgulha de ti
Piratini conheceu a vitória
O teu povo se orgulha de ti
Piratini que ficou na história
Um futuro de paz e progresso
No presente é nosso ideal
Teu passado em prosa e verso
Conta tua história imortal
Verdejantes teus campos e matas
Bem de baixo de um céu de anil
Piratini é um progresso incessante
Pra grandeza e a paz do Brasil
Refrão
O teu povo se orgulha de ti
Piratini conheceu a vitória
O teu povo se orgulha de ti
Piratini que ficou na história
Redator: Tradição Regional
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