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06-07-2016

Especial JTR:  A história do Hino de Piratini


Foto: Tainã Valadão Bilhalve orgulha-se da composição do Hino

Aqueles que participam de grandes festividades do município de Piratini, como a Semana Farroupilha, Desfile do Dia 7 de Setembro, Semana da Pátria, entre outros, escutam, frequentemente, um dos principais símbolos da cidade: o Hino de Piratini.


Contudo, engana-se quem pensa que a obra digna de dar inveja em renomados compositores foi feita por uma orquestra ou músicos formados. A canção tem letra e história surpreendentes, capazes de admirar e enaltecer ainda mais a história da heroica Capital Farroupilha. 



Agricultor e tendo estudado apenas até o 4º ano do primário, Almezor Madruga Bilhalve nunca deixou de exaltar sua paixão pela terra natal e, mesmo morando no interior, era sócio da Biblioteca Municipal e lá costumava estudar os primórdios da cidade. 


Nunca foi músico, porém sempre gostou de escrever versos acompanhados pela melodia de seu violão. Foi assim que nasceu o Hino de Piratini. Informado de uma competição por servidores da Biblioteca, Bilhalve dedicou uma madrugada inteira para criar a obra.


Se não bastasse o prazo de 24 horas para entregar a letra datilografada e com um pseudônimo para que os jurados não conhecessem o autor, ele precisou viajar exatos 44 quilômetros de bicicleta para cumprir o objetivo.


Foi uma verdadeira epopeia, exatamente no dia 3 de julho de 1982. Três dias mais tarde, o resultado e a consagração como vencedor. A emoção contrastava com o orgulho da sua simples e humilde letra ter vencido uma competição tão disputada na época. 


A compreensão era difícil, pois como o próprio autor explica, a letra foi musicada em um tom de banda militar, inspirada no seu patriotismo e ideais. Todavia, mais de 20 anos depois ela saiu do papel e, finalmente, foi harmonizada por Joel Brum, sendo interpretada pela Banda da Brigada Militar de Pelotas. O resultado surpreendeu até mesmo Bilhalve, que revela ter sido feita exatamente como ele imaginava. O som da banda marcial dá um acabamento único para a letra, que o autor acredita representar com louvor a Capital Farrapa. 


“Eu fiz tudo muito rápido, mas tive o que chamo de premonição de que ganharia o concurso. Por isso, busquei fazer uma letra de simples entendimento e que fosse fácil para os alunos das escolas decorarem quando cantassem. Me sinto muito orgulhoso”, exalta.


A letra é definida por ele como dividida em passado, presente e futuro. As duas primeiras estrofes fazem alusão à participação primordial de Piratini na Revolução Farroupilha; já as duas últimas estrofes são uma visão do compositor de como seria o futuro da Capital da República Rio-Grandense.


Atualmente, Almezor Bilhalve tem 68 anos e reside na cidade. Entretanto, segue trabalhando, agora como pedreiro, e cultivando o amor pela escrita. Conforme disse, acredita ter mais de 130 letras e versos próprios, os quais mantêm em um caderno especial, que um dia pretende lançar como um livro.


Muitos dos versos e prosas narram histórias de pessoas benquistas na comunidade piratiniense; outras, apenas de fatos do cotidiano que chamam a atenção do escritor. “Eu faço o que amo e continuarei para o resto de minha vida”, encerra.


Hino de Piratini


Piratini foi escrito na história


Com o sangue heróico farrapo


Este feito no brio e na glória


Que contempla este povo sagrado


Foste a tal capital farroupilha


Nossa história porém registrada


São as lágrimas que hoje brilham


Tão escritas a ponta de espada


Refrão


O teu povo se orgulha de ti


Piratini conheceu a vitória


O teu povo se orgulha de ti


Piratini que ficou na história


Um futuro de paz e progresso


No presente é nosso ideal


Teu passado em prosa e verso


Conta tua história imortal


Verdejantes teus campos e matas


Bem de baixo de um céu de anil


Piratini é um progresso incessante


Pra grandeza e a paz do Brasil


Refrão


O teu povo se orgulha de ti


Piratini conheceu a vitória


O teu povo se orgulha de ti


Piratini que ficou na história


 

Redator: Tradição Regional



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