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22-07-2016

Especial JTR: Paz no trânsito: a missão da Paróquia São Cristóvão, em Pelotas


Foto: Vitória Trescastro/JTR Padre Guilherme Barrosos Panatieri está na Paróquia há dois anos

Adorado na igreja católica, São Cristóvão é o protetor dos motoristas e de todos aqueles que transportam algo. A popularidade do santo reflete nas celebrações do seu dia, que em Pelotas são organizadas pela Paróquia São Cristóvão, no bairro Três Vendas. Comemorada junto com o aniversário da Paróquia, a XXXI Festa de São Cristóvão e do Motorista planeja homenagear nesse ano, principalmente, aqueles que transportam a comida, levando-a para todas as mesas. “Nós quisemos, nessa Festa, homenagear aqueles homens e mulheres que transportam o alimento, distribuem o alimento para que na casa comum [o mundo em que vivemos] todas as mesas sejam geradoras de vida. (...) A Festa do Colono, de São Cristóvão e dos Motoristas são todas juntas e, de certa forma, estão todas interligadas”, contou o padre Guilherme Barroso Panatieri, responsável pela igreja.


Mesmo que seja uma festa ligada à religião católica, a popularidade de São Cristóvão se estende para fora da igreja. Segundo a coordenadora paroquial Leonila Seus, todos são bem vindos para honrar o santo, independente da crença. “É uma festa ecumênica, todos constroem e todos são bem vindos”, acrescentou a única coordenadora mulher que a Paróquia já teve.



Ainda que elementos tradicionais da celebração sejam mantidos, como a procissão luminosa a pé, o Tríduo e o almoço na sede do Serviço Nacional do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat), o padre Guilherme garantiu algumas novidades para este ano. À frente da Paróquia há dois anos, o padre é comumente lembrado pela alegria e pelas brincadeiras. Durante a última Festa de São Cristóvão, no ano passado, conta que deixou veículos “bem abençoados”. “Abençoei caminhão até de balde”, lembrou. Nesse ano, ele já adiantou: estará na frente da procissão dirigindo sua moto. Brincadeiras à parte, a ação serve para convidar todos os motociclistas a se juntarem na luta pela preservação da vida no trânsito.


Durante o último domingo de comemoração, acontece a habitual procissão motorizada, e, nesse ano, o caminhão que leva a imagem de madeira de São Cristóvão durante o trajeto fará uma homenagem a um devoto do santo: João Carlos Nunes. Figura costumeira na Festa, o fiel faleceu no domingo da procissão do ano passado. “Ele foi para frente de casa e nós passamos, abençoamos ele, pois sabíamos que estava ali, ele até abanou, recebeu São Cristóvão... e morreu. Nesse ano, o caminhão é da família dele, em homenagem a este fiel”, relembra o padre.


As celebrações


Os festejos começaram em 25 de junho, com o Jantar Dançante de Lançamento, no salão paroquial, e vão até o domingo (24), com a Missa Festiva em honra a São Cristóvão, às 19h, na Paróquia. Missas para motoristas com benção de objetos (como carteiras de motoristas e chaves), no início de julho, também marcaram o calendário festivo: “Já estamos rezando”, brincou Leonila. Tradicionalmente, na terça que antecede o domingo de encerramento, tem início o Tríduo, que são três dias de celebração com missas junto com a comunidade e religiosos da região: o primeiro dia na própria Paróquia; o segundo dia na Comunidade Nossa Senhora do Carmo; e o terceiro e último dia com a “Procissão Luminosa a pé”, que percorre um trajeto em torno da igreja com paradas em locais simbólicos. No último sábado da celebração, acontece o almoço dos motoristas no Sest/Senat. O domingo começa com a procissão motorizada e benção de veículos, seguido do almoço na Paróquia, que segundo o padre Guilherme é o dia em que “a comunidade trabalha para os motoristas terem um dia de descanso, um feriado”. Logo após, acontece a missa festiva de encerramento.


Por que São Cristóvão é o padroeiro dos motoristas?


Segundo o padre Guilherme, a história de São Cristóvão é muito antiga na igreja, e por isso, muito mitológica. Conta-se que Cristóvão era um homem alto e forte que queria servir ao senhor mais poderosos de todos, e andava em busca desse tal senhor.


O homem morava próximo a um rio que, de tão profundo, ninguém conseguia passar, apenas ele. Então, Cristóvão fazia o trabalho de transpor as pessoas de um lado para outro. Certo dia, ao atravessar um menino, notou que o mesmo ficava cada vez mais pesado. Ao ser questionado por que era tão pesado, o menino disse: “porque carrego todo o mundo comigo; porque sou Jesus”. A partir disso, Cristóvão percebeu que aquele menino era o senhor mais poderoso que ele poderia servir, pois carregava o mundo consigo. “A figura de São Cristóvão estão se torna, para nós, a figura daquele homem que, em nome de Jesus, nos ajuda nas travessias”, conta. 


A Paróquia São Cristóvão


Fundada em julho de 1985, a Paróquia foi intencionada pelo bispo Diocesano Dom Jayme Henrique Chemello, que, preocupado com acidentes e mortes causadas pelo trânsito na avenida Fernando Osório, decidiu que ali seria um bom lugar para um templo à São Cristóvão.


O primeiro pároco da igreja, padre José Schramm, concretizou a ideia do bispo e permaneceu à frente da Paróquia por 27 anos, carregando a missão do local: “Evangelizar e Transformar o Trânsito”.


Redator: Tradição Regional



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