Quarta, 24 de junho de 2026, 07:03h
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Um exemplo da conhecida máxima de que unidas as pessoas são mais fortes pode ser visto no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canguçu. Há 54 anos em atividade, tem uma respeitável lista de conquistas que começaram com a prestação de assistência odontológica, médica e de outros serviços, passando ao encaminhamento de financiamentos, serviços de escritório, entre outros. Além disso, tem o forte papel de representação da categoria, levando suas reivindicações aos órgãos responsáveis.
Atualmente, uma das principais pautas é a previdência social. Enquanto o governo levanta a possibilidade do aumento da idade mínima de aposentadoria para 65 anos (tanto para homens quanto mulheres), o Sindicato e diversas outras organizações reprovam a proposta, por entender que é prejudicial ao trabalhador.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canguçu, Pedro Adão Schiavon, “a previdência social foi um sonho dos fundadores do movimento sindical”, que aos poucos conquistou direito à pensão, salário-maternidade, auxílio-doença, etc. Ele ressalta que o agricultor tem um serviço penoso, e que “geralmente levanta cedo, enfrenta o rigor do tempo, faz um trabalho pesado, e quando chega à idade que o governo quer [que ele se aposente], já está ‘quebrado’”. No caso das mulheres agricultoras, a exigência é ainda maior, já que ainda hoje elas carregam a responsabilidade de cuidar da casa e dos filhos mais intensamente que os homens, além de também trabalhar na lavoura.
Uma mobilização para tratar do assunto foi organizada com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (FETAG-RS) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), contando com o apoio de deputados estaduais, federais e senadores.
Outro problema que inquieta a categoria são os frequentes abigeatos e roubos às casas da zona rural. O Sindicato integra uma comissão, juntamente à Secretaria Estadual da Segurança Pública, que busca soluções para o problema. Schiavon defende que “para que haja mudança, é necessário que todos nós trabalhemos neste sentido, sindicatos, associações, todos os órgãos de representação da população”.
Ele explica que cada vez menos os jovens enxergam um futuro promissor no campo. “Além da falta de uma política agrícola, que consistiria em uma boa assistência técnica e uma boa organização na produção, o pessoal ainda é roubado, tem dificuldades para crédito e há burocracia para construir qualquer coisa”, diz.
Para ele, produtos da cesta básica, como feijão, arroz e batata, deveriam ser isentos de tributos para que os mais pobres também tivessem acesso aos principais alimentos e, consequentemente, melhor saúde. Essa medida não apenas melhoraria as condições de vida de grande parcela da população, mas também seria uma forma indireta de melhorar a segurança, considerando que menos pessoas passando fome deve significar uma diminuição da criminalidade. Outra solução apontada pelo presidente é a organização da pequena agricultura familiar, que deve ser feita pelo governo, valorizando a função social e a geração de emprego nessas produções.
Por fim, Schiavon destaca a importância do Sindicato nas conquistas do trabalhador rural e na boa relação que este possui com as indústrias, compartilhando o espaço e o pensamento de que um não pode funcionar sem o outro.
Redator: Tradição Regional
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