Quarta, 24 de junho de 2026, 07:03h
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Dona Ilca Kath aprendeu a fazer a schmier com a mãe e oferece o produto na Feira do Produtor, em São Lourenço do Sul
Mais do que um alimento, a schmier é uma riqueza cultural mantida viva nos dias de hoje, carregada de afeto e que, para muitos, tem sabor de infância e saudades. Certamente, de todas as riquezas gastronômicas que desembarcaram no Brasil na bagagem dos imigrantes alemães, a schmier é a mais presente no dia a dia dos descendentes, mas que conquistou também os paladares de não descendentes de alemães.
A schmier é um doce simples, muito semelhante a uma geleia, porém mais consistente, pois é produzida não apenas com o suco das frutas, mas também com o bagaço. O consumo é comum no pão, daí a origem do nome que vem do verbo alemão schmieren, que seria “untar, passar o pão”. Assim, criou-se o nome schmier, aportuguesado para chimia, como hoje as pessoas chamam o doce.
Basicamente, a receita é a fruta com açúcar e muitas horas de fogo. Por tradição, o preparo ocorre em grandes tachos de cobre sobre o fogo de chão, mexendo o tempo todo com grandes pás de madeira para não grudar.
São receitas de família passadas de geração a geração, como no caso de dona Ilca Oswald Kath. Ela aprendeu o preparo com a mãe, que produzia apenas para o consumo da família, por isso, em panelas menores. Como dona Ilca é feirante na Feira do Produtor, em São Lourenço do Sul, o produto é preparado nos tradicionais tachos grandes de cobre. Feirante desde 1981, dona Ilca já conhece os gostos dos clientes. Entre as chimias, há de figo, abóbora, pêssego, morango e muitas outras. Porém, não há mais tradicional e preferida que a de melancia de porco. A fruta não pode ser consumida in natura, sendo utilizada apenas para o preparo dos doces. E ainda que a receita seja simples, sempre há um segredo. “A de melancia é a mais tradicional e faço ela com ananá e outra com suco de laranja. A chimia pode ficar açucarada, então colocamos algo cítrico para durar mais”, conta dona Ilca, revelando que a receita de melancia pede fogo de cerca de 3 horas e 30 minutos para ficar pronta, mexendo o tempo todo.
A feirante lembra-se da infância, quando aprendeu o preparo com a mãe, o que também ensinou às filhas. Ela tem neste e em outros produtos um contato com a história e a cultura, além de poder oferecer os sabores de seus antepassados aos clientes. “Minhas filhas questionam ‘por que vais para a praça passar trabalho’, mas eu preciso vir, eu gosto de vir, é quase um vício estar aqui, encontrar as pessoas que gostam dos meus produtos. Gosto de estar aqui e consegui me aposentar fazendo meus doces”, conta dona Ilca, enquanto serve aos clientes as porções da doce schmier alemã.
Redator: Tradição Regional
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