Quarta, 24 de junho de 2026, 07:02h
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Roberto faz o transporte do leite da casa do produtor até as unidades produtoras da Coopar
Eles reconhecem as dificuldades da profissão, mas não escondem o orgulho do trabalho que escolheram. Mais do que apenas motoristas, Cláudio Hinz e Roberto Peglow Lüdtke são caminhoneiros bem íntimos da vida no campo e, na carga de seus caminhões, transportam o alimento, a grande riqueza do campo.
Cláudio tem 42 anos e é motorista desde os 18, mesma idade em que Roberto, hoje aos 31 anos, começou a dirigir. Em comum, eles têm também o trabalho de transporte de alimentos para a Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul (Coopar). Ambos moram no interior de São Lourenço do Sul, são de famílias de produtores rurais e conhecem bem a rotina do colono, a importância do trabalho no campo, que só chega à mesa dos consumidores após o transporte feito por profissionais como eles.
Roberto fez a escolha pelo caminhão ainda muito jovem. “Quando saí da escola comecei no caminhão como ajudante e depois passei a ser motorista”, lembra ele, que encontrou na profissão uma sequência das atividades rurais da família. Foi como manter-se próximo da agricultura. Já Cláudio seguiu os passos do pai, também motorista, aliando a profissão com as atividades agrícolas da família para construir a sua profissão.
Roberto tem uma rotina diária de coleta do leite diretamente com os produtores, fazendo a descarga em duas unidades da Coopar que produzem os produtos da marca Pomerano Alimentos. “O colono é uma classe que trabalha muito, não tem hora e o produtor de leite tem a rotina todos os dias, não há um dia de folga”, comenta o motorista, lembrando que a rotina diária de ordenha das vacas faz com que os motoristas também tenham a mesma rotina de transporte. Enquanto isso, o colega Cláudio trabalha no transporte de grãos, atualmente levando a produção para o Porto de Rio Grande, de onde retorna para o interior de São Lourenço do Sul com adubo para as lavouras dos associados da Coopar.
Tão próximos dos colonos, os dois motoristas chegam a ter as mesmas impressões que os produtores, as mesmas épocas satisfatórias e outras de dificuldades. “Se o colono não produz, eu também não produzo. Nós dependemos dos agricultores. Todo mundo depende dos agricultores”, reflete Cláudio, enquanto o colega Roberto completa: “Se dá uma seca nós sofremos juntos”. Ambos lembram-se do ânimo e da alegria dos produtores em boas safras, o que resulta neles também a mesma alegria.
Os dois motoristas reconhecem que a rotina de caminhoneiro é dura, cansativa, mas nem pensam em mudar de carreira. Cláudio chegou a buscar outros caminhos, mas voltou à direção. Roberto até já pensou, mas não deixa o caminhão. “Já pensei em parar, fazer qualquer outra coisa, mas não dá, não consigo ficar sem. Nas férias quase entro em depressão”, diz Roberto, enquanto Cláudio faz uma reflexão: “Às vezes é sofrido, mas tu não consegue deixar. É como um vício, tudo pode parar um pouco, mas volta”, comenta ele, afirmando o apego e a paixão que todo motorista tem pela profissão.
Redator: Tradição Regional
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