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25-07-2016

Especial JTR: Em Canguçu, produção diversificada beneficia produtor e região


Foto: Isabela Nogueira Plantação de morangos tem crescido na região

O tabaco e a soja são as principais culturas plantadas em Canguçu, com uma quantidade de hectares significativamente maior que as outras. Mas essa diferença está se tornando menor devido ao esforço de produtores como Edson Bierhals, que começou apenas com o fumo e hoje possui uma diversificada produção em suas terras.


O produtor explica que uma das motivações para a diversificação foi sua saúde, que estava sendo prejudicada pelo contato direto com a plantação de fumo. Mesmo com o retorno financeiro proporcionado pelo tabaco, não estava valendo a pena. Para a mudança, foram escolhidos milho, feijão, e a principal aposta atualmente: o morango. Além disso, ele cria alguns animais, e tem produtos como batata para consumo próprio.



A diversificação de produção permite que os produtores possam contar com outras rendas no caso de uma cultura não render o esperado em alguma safra. Também propicia uma renda ao longo de todo o ano, considerando que a maioria dos alimentos só são colhidos em períodos curtos.


A agricultura que Bierhals pratica é familiar, tendo sua esposa no trabalho diário junto a ele. Nas épocas de colheita, seu irmão e a esposa ajudam, então não chega a ser necessário contratar funcionários.


Para o cultivo do morango, de modo semi-hidropônico, foi montada uma estufa que comporta aproximadamente 4 mil pés. Sacos de casca de arroz carbonizada dão sustentação às mudas, que são alimentadas pelo sistema de irrigação. “A vantagem [da semi-hidropônica] é plantar em bancada. A colheita é feita de pé, não precisa se agachar, então tem tranquilidade”, explica. Evitar doenças também é mais fácil com este sistema. “No solo tem mais doenças, e aqui o controle é feito totalmente via água, a gente sabe exatamente o que coloca aqui”, conta Bierhals, explicando que através de informações, como o pH, é possível influenciar fatores como tamanho, coloração e duração do morango. Ele conta ainda que a fruta não é muito produzida para comércio na região, ou seja, há espaço no mercado.


A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) de Canguçu faz seu papel através de visitas às propriedades, passando informações aos produtores e levando-os para conhecer outras propriedades. Bierhals reconhece a importância desse auxílio, e aproveita para incentivar a filha, de 13 anos, a estudar agronomia, o que considera o futuro do país. “Hoje em dia nada funciona sem um técnico agrônomo. Sem orientação é difícil, não se sabe para que lado ir”, diz.


Os técnicos Gerson Buss e Patrícia Einhardt explicam que a Emater de Canguçu já é uma das maiores, mais ainda assim precisaria contar com mais técnicos do que os atuais 18. Sobre a produção local, eles contam que o morango semi-hidropônico tem crescido bastante. Já o leite é muito produzido como atividade secundária no município, e a pecuária também é forte. Eles ainda citam a apicultura e a piscicultura, esta praticada principalmente para consumo próprio. A diversificação é incentivada e tem sido adotada pelos produtores, incluindo muitas variedades da olericultura e fruticultura. A agricultura familiar é muito presente entre as mais de 13 mil pequenas propriedades.


A respeito do êxodo rural, Buss diz que Canguçu ainda é majoritariamente rural, mas que trabalhos como o realizado na Escola Família Agrícola (EFA) são importantes para incentivar os jovens a permanecer no campo.


A propriedade de 24 hectares de Bierhals tem hoje aproximadamente 1,5 hectares de tabaco, 6,5 de milho e 0,5 de feijão. Além disso, tem 8 hectares livres para preservação da natureza, espaço maior do que o exigido no Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo o produtor. Para o futuro, sua ideia é começar a plantar figo e, se tudo der certo, substituir totalmente o fumo. Por enquanto, resta seguir o trabalho e aguardar o esperado morango, que deve ser colhido já entre setembro e outubro.


Redator: Tradição Regional



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