Ter�a, 23 de junho de 2026, 18:52h
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Casa foi reconstruída utilizando placas ecológicas feitas de embalagens de leite
Projeto de habitação social leva qualidade de vida às famílias de baixa renda
Pensando nas famílias que não possuem condições financeiras de adquirir uma moradia digna, foi criado recentemente em Pelotas o Programa Morar Bem. No dia 26 de agosto, a primeira casa construída esteve aberta à visitação e foi entregue às moradoras - mãe e filha - no dia seguinte com a promessa de mudar sua qualidade de vida.
O criador do programa é o arquiteto e urbanista Cassius Baumgarten, que além de fazer o projeto da casa, também a construiu com a ajuda de dois voluntários. Seu envolvimento com habitação social não é de hoje: Baumgarten abordou o tema em seu trabalho de conclusão de curso na Universidade Católica de Pelotas (UCPel) e já fez o projeto e execução de casas de pallet. A proposta de beneficiar famílias necessitadas e de reutilizar materiais, baixando o custo e aumentando a sustentabilidade, foi mantida na nova criação.
Da casa onde a família vivia anteriormente, foram aproveitadas as pedras do alicerce. O banheiro foi reformado e o restante foi demolido e construído novamente, por estar em péssimas condições. Para isso, foram feitos módulos de madeira e de placas ecológicas produzidas unicamente com caixas de leite. Como Baumgarten explica, as embalagens, compostas por papelão, alumínio e plástico, são trituradas e transformadas em telhas e paredes. Para as placas que ficam na rua, a porcentagem de papel é de 30%, por precisar ser mais resistente e impermeável. Já no interior da casa, as placas contêm 70% de papel.
O custo total foi de R$ 7.585 mil, pagos pela dona da casa, que estava economizando para uma reforma no local. Baumgarten conseguiu otimizar este valor, fazendo com que servisse para a reconstrução inteira, realizando todo o trabalho voluntariamente. A creche do Lar Dona Conceição foi cedida também voluntariamente para a fabricação dos módulos.
Com uma área de construção de 25 m², divididos entre dois quartos, um banheiro e uma sala integrada com a cozinha, o tempo de fabricação da casa foi de 40 horas - com dois trabalhadores -, mesmo tempo levado para a montagem, com três trabalhadores. A casa fica na chamada Ocupação Uruguai, entre o Centro e o Porto de Pelotas, zona que está em processo de regularização fundiária para que os habitantes passem a ter suas moradias reconhecidas e registradas legalmente.
Os próximos passos do Programa Morar Bem devem ser a apresentação ao poder público e a abertura de cadastro para famílias interessadas. Porém, é importante que haja um espaço próprio para trabalho, assim como mais voluntários. Após uma seleção, a próxima família deverá ser beneficiada, dando continuidade à tarefa de melhorar a vida de quem mais precisa.
Redator: Tradição Regional
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