Segunda, 22 de junho de 2026, 05:49h
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Organizadores do evento e especialistas realizaram contraponto ao posicionamento do governo federal sobre o tema
Centenas de funcionários públicos assistiram atentamente às três palestras sobre previdência social realizada no dia 13, no salão II do Sindicado dos Municipários de Capão do Leão. A iniciativa foi do próprio Sindicato, juntamente com a AJS Advogados Associados, que propuseram o encontro e levaram três especialistas para falarem sobre o tema: Mauricio Martins, Marcelo Vieira, e a auditora fiscal da Receita Federal, Josete Vignolle.
De acordo com Martins, o governo federal faz um terrorismo ao dizer que as pessoas não vão se aposentar porque a previdência social não tem dinheiro em caixa. “O governo federal demonstra parte da receita e mostra toda a despesa, por isso a conta não fecha”, explica. Segundo ele, o governo usa a grande mídia para embutir na cabeça da população que não existe solução para a previdência social, a não ser através da reforma editada na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/216, que será analisada e votada pelo Congresso Nacional nos próximos meses. “Essa reforma é para pior, inclusive ela contraria a Constituição Federal, tirando direitos adquiridos dos trabalhadores. Isso vai afetar a nossa vida e a vida das próximas gerações”, explicou. Martins citou como exemplo um trabalhador que recebe R$ 880 por mês. Durante os longos anos de contribuições, ele contribuiu para a previdência social cerca de R$ 165 mil, e é somente a partir dos 65 anos que vai usufruir desse dinheiro. Ou seja, só dará “prejuízo” à previdência social a partir dos 85 anos, caso esteja vivo. “Expectativa de vida é uma coisa e qualidade de vida é outra. Caso a PEC 287/2016 seja aprovada caminhamos para um grande empobrecimento da população brasileira”, finalizou.
Já a auditora fiscal da Receita Federal, Josete Vignolle, disse que a previdência social é um grande pacto de defesa do trabalhador quando o trabalho já não é mais possível por causa de idade avançada, doença ou morte. Ainda segundo ela, a previdência é uma rede de proteção que escolhemos amparada pela Constituição de 1988. E questiona a mudança: “a quem interessa e a quem ela atinge?”. Para Josete, quem ganha aposentadorias especiais acima de 30 mil por mês, são os que querem fazer-nos acreditar que os 70% dos trabalhadores brasileiros que ganham salário mínimo dão prejuízo à previdência social.
O último palestrante da manhã foi Marcelo Vieira. Ele criticou o deputado federal gaúcho Alceu Moreira (PMDB) por ter dado um parecer favorável à PEC 287/2016, em menos de 24 horas, e também por emitir declaração na imprensa referindo-se aos aposentados como “vagabundagem remunerada”. Vieira também se posicionou contra a retirada da palavra “social” na nova redação. “É preciso que o povo saia às ruas para protestar e assegurar seus direitos que constam na Constituição, caso contrário, haverá um caos social com a perda de grande parte dos nossos direitos adquiridos ao longo de muitas lutas e derramamento de sangue”, afirmou.
Redator: Tradição Regional
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