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24-02-2017

A face da intolerância e do ódio


Foto: Rodrigo Netto/JTR

Na madrugada de quinta para sexta-feira (17), algo inaceitável ocorreu: pessoas foram até lugares sagrados onde haviam imagens e as depredaram. Na manhã de sexta, o Facebook foi invadido por imagens e indignação de pessoas de todos os credos e religiões que estavam chocadas com a agressão à imagem de Iemanjá, que fica em um altar na entrada do Camping Municipal de Cerrito e é vista por todos que passam por ali, já que fica em um lugar de destaque.


A dúvida que pairava no ar era sobre o que se tratava, de um ato individual de vandalismo ou de intolerância religiosa. A revolta e a indignação era geral. Ao ser informado sobre o ocorrido, o prefeito Douglas Silveira pediu que se fizesse um registro e um boletim de ocorrência.



No mesmo dia, após algumas horas, o vereador Marcos Guidotti já entrara em contato com os demais centros, imprensa e autoridades para que fosse realizado um ato contra as ações, em frente ao altar da Iemanjá, com os presentes vestidos de branco.


Alguns munícipes alertaram ainda que a depredação de imagens não havia acontecido apenas em Cerrito, mas também em três locais de Pedro Osório que contam com imagens sagradas. O primeiro, em frente à Igreja Matriz de Pedro Osório, onde há um altar com a imagem de Santo Expedito - ele foi quebrado, apesar de todo o aparato de segurança como grades e paredes de tijolos na volta; o segundo, próximo da antiga Estação Férrea, atual prédio da Prefeitura, onde há gruta muito antiga com a imagem de Nossa Senhora Aparecida - a mesma teve uma grade amassada na tentativa de alcançar a imagem para destruí-la; na última, que fica no Camping de Pedro Osório, próximo à Escola Sagrado Coração de Jesus, pessoas também estiveram no local, mas além de ser uma imagem mais protegida, haviam visitantes acampados, o que impediu a ação.


Agora, a Polícia Civil investiga o caso, e informações podem ser repassadas, inclusive de forma anônima, através do telefone (53) 3255-1264.


Liberdade religiosa*


A intolerância religiosa é um conjunto de ideologias e atitudes ofensivas a diferentes crenças e religiões. Em casos extremos esse tipo de intolerância torna-se uma perseguição. Sendo definida como um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, a perseguição religiosa é de extrema gravidade e costuma ser caracterizada pela ofensa, discriminação e até mesmo atos que atentam à vida de um determinado grupo que tem em comum certas crenças.


As liberdades de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal. A religião e a crença de um ser humano não devem constituir barreiras fraternais. Todos devem ser respeitados e tratados de maneira igual perante a lei, independente da orientação religiosa.


A união por Iemanjá debaixo da chuva 


Após o convite aberto que surgiu nas redes sociais horas depois dos atentados às imagens, uma grande mobilização foi realizada no sábado (18), em torno do altar. Mesmo sob muita chuva, um bom público se fez presente, unindo umbandistas, quimbandistas, africanistas e simpatizantes. Muitas autoridades também participaram, como o prefeito de Cerrito, o prefeito de Pedro Osório, Moacir “Chola” Alves, O presidente da Câmara de Vereadores de Cerrito, Pablo Torres, o vereador Marcus Guidotti, o vereador de Pedro Osório, Rodrigo “Parafuso”, e o deputado estadual Catarina Paladini, que atualmente é o presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.


Em suas falas, os membros dos centros se uniram no discurso de refazer a imagem, melhor e maior que a anterior. Douglas Silveira disse que vai fazer o possível para apurar e denunciar os responsáveis e que sua administração é totalmente contra a depredação de patrimônio público e de qualquer ato de intolerância religiosa. O prefeito ainda lembrou que pretende tornar a Festa de Iemanjá um evento oficial do município.


Já o deputado Catarina lembrou que vivemos e estamos em um Estado Laico, o que significa que não há uma religião oficial brasileira e que o Estado se mantém neutro e imparcial às diferentes religiões, e como presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos está à disposição para ajudar no que for preciso.


*Informações: Site guiadedireitos.org


Redator: Tradição Regional



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