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03-03-2017

8 de março é Dia Nacional de Lutas em Defesa dos Direitos da Mulher


Foto: Divulgação

O Dia Internacional da Mulher (8 de março) será um dia de luta contra a discriminação de gêneros. Em Pelotas, a Frente em Defesa do Serviço Público, das Conquistas Sociais e Trabalhistas, integrada por sindicatos e movimentos sociais, entre eles a ADUFPel-SSind, está preparando uma série de atividades para a data. O “Dia Nacional de Lutas em Defesa dos Direitos da Mulher” tem como eixos violência contra a mulher, segurança, políticas públicas, retirada de direitos trabalhistas e Contrarreforma da Previdência. 


Este ano, o Dia Internacional da Mulher deve ser marcado por paralisações. Mulheres do mundo inteiro preparam-se para cruzar os braços na data e ir às ruas manifestar-se. No Brasil, as principais pautas do movimento, além do repúdio à violência e opressão de gênero, dizem respeito às medidas duras do governo de Michel Temer.



Em Pelotas, atividades ocorrerão durante todo o dia 8 e se estenderão por mais dias, com ações nos bairros da cidade. Às 8h, acontece uma audiência pública na Câmara Municipal de Pelotas. Partirá da própria audiência, com concentração a partir das 10h30, uma caminhada até o prédio do INSS, onde ocorrerá uma intervenção artística em protesto à Contrarreforma da Previdência (Proposta de Emenda à Constituição 287/2016). Às 15h, no Mercado Público, haverá panfletagem junto a atividades realizadas pela Tenda do Afeto - grupo formado por professores e estudantes da pós-graduação da UFPel, que busca a aproximação da comunidade com práticas de cuidado. Às 20h, no Buteco da Filosofia - Bar do Zé, será apresentado um vídeo seguido de debate. 


A ADUFPel-SSind articula, em parceria com o coletivo Ana Montenegro, uma série de apresentações de filmes nos bairros, seguindo a temática de luta das mulheres. Mais informações serão divulgadas em breve. 


Contrarreforma da Previdência atinge duramente as mulheres


Enfrentar a Contrarreforma da Previdência é defender, também, os direitos das mulheres, que constituem um dos segmentos mais afetados pelo projeto. Sob o pretexto de que as mulheres, em média, têm uma expectativa de vida maior (sete anos a mais) do que os homens, o governo pretende aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Se forem servidoras públicas ou trabalhadoras rurais, trabalharão mais dez anos; se forem professoras da educação básica, trabalharão mais quinze anos. 


De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 88% das mulheres com mais de 16 anos realizam trabalhos domésticos, contra 46% dos homens. Esse trabalho não remunerado, somado ao trabalho pago, é de 56,4 horas semanais, enquanto que o dos homens é de cinco horas a menos, aproximadamente. O resultado disso é que mulheres trabalham mais ao longo da vida e, mesmo aposentadas, cumprem tarefas domésticas que são omitidas no orçamento do Estado. 


A Contrarreforma também torna ainda maior a desigualdade salarial. A renda de mulheres no mercado formal de trabalho corresponde a 75% da renda masculina. Já no informal, corresponde a 65%, dificultando a aposentadoria. 


Mulheres negras são submetidas a trabalhos ainda mais precários e nos piores postos do mercado. Cerca de 6 milhões de mulheres são empregadas domésticas e mais da metade são negras. Muitas não têm carteira assinada, o que obstrui o direito à aposentadoria O seu trabalho ainda é desvalorizado e deixa sequelas físicas e psicológicas dentro de uma cultura racista e que não reconhece os seus direitos. 


As mulheres também ocupam 80% das vagas de professores/as da educação básica no Brasil. A PEC 287/2016, assim como as reformas educacionais e cortes de verbas para a educação, aumenta a precarização do trabalho de mulheres que já lidam diariamente com condições inadequadas e poucos recursos. Ainda, ataca o direito das docentes de ensino básico federais, estaduais e municipais de usufruir da aposentadoria especial, que é dada a trabalhadoras/es que são submetidas/os a serviços desgastantes ou arriscados. Para a concessão da aposentadoria especial, será avaliado apenas se determinado trabalhador exerce ou não atividades que causem danos à saúde. 


Contra esses ataques, unidas e fortalecidas, as mulheres estarão nas ruas no dia 8 de março. Juntas lutarão contra o machismo, a violência, a retirada de direitos e a opressão.


Programação


8h – Audiência pública na Câmara Municipal de Pelotas


10h30 – Concentração na Câmara para caminhada até o INSS, onde ocorrerá intervenção artística em protesto à Contrarreforma da Previdência


15h - Tenda do Afeto e panfletagem no Mercado Público


20h – Apresentação de filme e debate no Buteco da Filosofia (Bar do Zé)


Redator: Assessoria de Imprensa



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