Sexta, 19 de junho de 2026, 12:42h
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Secretário de Gestão de Programas de Transporte do Ministério dos Transportes, Luciano de Castro, garantiu a destinação de R$ 59 milhões para os trabalhos em 2017
Movimento liderado por políticos gaúchos já garantiu a liberação imediata de R$ 59 milhões e buscará, em Brasília, mais R$ 110 milhões para retomar as obras de duplicação de 200 quilômetros entre Pelotas e Porto Alegre
Uma grande frente de representação política da Zona Sul esteve em Porto Alegre, na segunda-feira (20), para acompanhar a audiência pública em busca de recursos para a continuidade da duplicação da BR-116, apontada pela comitiva como “a obra pública mais importante em andamento no Rio Grande do Sul”.
O encontro foi promovido pela Frente Parlamentar pela Conclusão da Duplicação da BR-116, coordenada pelo deputado estadual Zé Nunes (PT), e aconteceu na Assembleia Legislativa, no Centro da Capital Gaúcha. Estiveram presentes os representantes gaúchos na Câmara dos Deputados e no Senado, governo do Estado, autoridades do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), entre outros.
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A prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB) e o prefeito de Rio Grande, Alexandre Lindenmeyer (PT), foram alguns dos porta-vozes da Zona Sul que ressaltaram a importância do projeto seguir adiante. Dezenas de prefeitos e vereadores dos municípios que compõem a Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) reforçaram o coro.
Previsão de liberação de R$ 169 milhões
O orçamento inicial da duplicação de 200 quilômetros entre Porto Alegre e Pelotas era de R$ 900 milhões, há cinco anos. Foram aplicados R$ 400 milhões, mas, devido ao atraso, são necessários outros R$ 800 milhões para concluir os 40% restante da obra. Mais de mil propriedades foram desapropriadas.
O secretário de Gestão de Programas de Transporte do Ministério dos Transportes, Luciano de Castro, garantiu a destinação de R$ 59 milhões para os trabalhos em 2017 e disse que mais recursos podem ser alocados no segundo semestre. A verba deverá ser usada para finalizar a obra entre Guaíba e Barra do Ribeiro. “No início do segundo semestre, iremos fazer uma avaliação das obras de todo o país. As obras que não tiverem um desenvolvimento adequado poderão ter os recursos remanejados para atendermos a demanda da BR-116, cuja obra interessa ao Brasil inteiro”, indica Castro.
Não satisfeita com os R$ 59 milhões iniciais, a bancada gaúcha no Congresso Nacional irá se mobilizar nos próximos dias para uma intensa agenda de visitas em Brasília (DF), no Ministério dos Transportes e no Ministério do Planejamento, na tentativa de obter a liberação de mais R$ 110 milhões. Com cerca de R$ 169 milhões à disposição, seria possível concluir 96 quilômetros de duplicação da BR-116 até dezembro deste ano.
Viadutos de Turuçu e de Barra do Ribeiro na frente
A Secretaria de Gestão de Programas de Transporte do Ministério dos Transportes retornará ao Estado dentro de 30 dias para fazer uma série de inspeções nas obras da BR-116. Os engenheiros irão vistoriar cada um dos nove lotes e apontar quais são os trechos mais adiantados. A ideia é concluir os lotes que estão mais avançados e liberar a rodovia aos motoristas por partes. “Para este ano, estamos programando atacar os dois pontos mais conflitantes que temos em obra na BR-116. Para o viaduto de Turuçu, a previsão é de conclusão ainda no primeiro semestre e já liberar o tráfego por cima. O outro trecho é o viaduto de Barra do Ribeiro”, afirma o superintendente do DNIT do Rio Grande do Sul, Hiratan da Silva.
Dos nove trechos em obras, apenas um tem grande movimentação de operários. Três lotes estão ativos, porém com movimentação baixa de trabalhadores, e outros cinco pontos estão totalmente parados.
Prejuízo na economia
Pela BR-116 passa 75% da produção do Estado. Por mês, são 21,5 mil caminhões com 25 tipos diferentes de produtos que chegam de todos os cantos em direção ao Porto de Rio Grande. O prejuízo com logística provocado pelo atraso na duplicação chega a R$ 1 milhão por dia, de acordo com o Sindicato da Indústria da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplanagem (Sicepot). As perdas acumuladas desde 2014, quando a obra deveria ter sido concluída, seriam suficientes para duplicar duas rodovias.
Maiores cargas que passam pela rodovia
Soja: 12,4 milhões de toneladas ao ano
Fumo: 2,08 milhões de toneladas ao ano
Frango: 1,36 milhão de toneladas ao ano
Polímeros e plásticos: 1,32 milhão de toneladas ao ano
Celulose
Máquinas
De cada dez veículos que circulam pela rodovia que liga Pelotas a Porto Alegre, três são caminhões.
Somente em 2016, foram 17 vidas perdidas na BR-116, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). É a rodovia com o maior registro de colisões frontais do Estado.
Entrevista com a prefeita Paula Mascarenhas
A prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), acompanhou de perto a discussão e concedeu entrevista exclusiva ao JTR durante a audiência pública. Ela mostrou-se satisfeita com o andamento das negociações. “O nosso movimento cresceu muito e conseguimos o primeiro objetivo, que era sensibilizar o Estado. Deixamos de ser uma pauta regional para nos tornarmos uma pauta estadual. O próximo passo é chegar à Brasília e conversar com os Ministérios e, finalmente, com a presidência da República, para que a gente possa remanejar recursos e engrossar orçamento previsto para 2017”, avalia.
Paula tem consciência do que representará a conclusão das obras na BR-116 e os benefícios que chegarão para toda a região. “Precisamos dessa obra para desenvolver a nossa economia e melhorar o fluxo de caminhões até o Porto de Rio Grande. Uma empresa que avalia a região aonde irá se instalar, por exemplo, considera as questões de logística e de escoamento da sua produção, então tenho certeza de que não há obra pública, hoje, no Rio Grande do Sul, mais importante do que essa.”
Chefe do poder executivo desde janeiro, ela não escondeu o entusiasmo com a força política da Zona Sul mostrada naquele dia. Foram três ônibus que partiram em direção a Porto Alegre, levando prefeitos, secretários municipais e vereadores. Lá, a comitiva uniu-se a deputados estaduais e federais. “A nossa região, que tinha dificuldades de se mobilizar e se unir, está aprendendo a fazer isso com competência. Isso é um símbolo marcante na nossa história. Vamos fazer com que esta luta pela duplicação da BR-116 seja uma referência para buscarmos outras conquistas para a Zona Sul”.
Redator: Tradição Regional
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